Parkinson precoce: Renata Capucci revela diagnóstico aos 45 anos; entenda a doença em casos mais jovens

A jornalista do "Fantástico", programa da TV Globo, Renata Capucci, revelou ontem por meio de uma postagem nas redes sociais e uma entrevista ao podcast do "Isso é Fantástico" ter sido diagnosticada com a doença de Parkinson em 2018. Na época, a repórter tinha apenas 45 anos, idade considerada incomum para o surgimento de sintomas do quadro, tratando-se de um caso precoce da doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 10% a 15% dos pacientes têm menos de 50 anos – percentual que chega a ser de apenas 4% de acordo com a Fundação do Parkinson, nos Estados Unidos.

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— Eu tenho orgulho da maneira como eu encaro essa doença, porque eu encaro ela de frente hoje. Já passei por todas as fases, da depressão, da negação. Hoje, eu estou na fase cinco que eu olho essa doença de frente e eu falo assim: ‘Senhor Parkinson, eu tenho você, você não me tem’. Eu faço tudo o que eu posso de exercício, de remédio e eu tenho uma vida positiva — contou Renata ao podcast.

A maioria dos casos costuma receber o diagnóstico a partir dos 60 anos, com estimativas da OMS apontando que aproximadamente 1% da população mundial com mais de 65 anos sofre da doença – cerca de 4 milhões de pessoas. No Brasil, o Ministério da Saúde considera que há em média 200 mil pacientes com Parkinson.

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O caso de Renata, que foi diagnosticada com menos de 50 anos, é considerado de início precoce dos sintomas. Uma situação parecida, mas com identificação da doença ainda mais cedo, ganhou repercussão em 1991 quando o ator Michael J. Fox, que interpretou o personagem Marty McFly na trilogia "De Volta Para o Futuro", revelou ter Parkinson aos 29 anos de idade.

De acordo com a entrevista ao podcast do Fantástico, a jornalista da TV Globo começou a perceber os sintomas no período em que participou do programa da emissora Popstar, com sinais ligados à locomoção e movimentos involuntários de partes do corpo.

— Eu comecei a mancar e as pessoas falavam para mim: ‘Por que você está mancando, Renata?’. E eu falava: ‘Eu não estou mancando’. Eu não percebia que eu estava mancando. Aí fui fazer fisioterapia, osteopatia e a coisa não mudou. E aí em um dado momento, no meio do Popstar, depois do sexto programa, eu estava em casa e o meu braço subiu sozinho, enrijecido. E o meu marido que é médico, logo depois do programa, me levou para um hospital que tinha emergência neurológica e eu fui diagnosticada com Parkinson. Aquilo caiu como uma bigorna em cima da minha cabeça — contou Renata.

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Veja os sintomas do Parkinson

Segundo a Fundação do Parkinson, nos EUA, os sintomas daqueles com identificação precoce da doença são semelhantes aos sinais relatados em idades mais avançadas. Porém, de acordo com a fundação, a distonia – contrações involuntárias dos músculos – é mais frequente nesses casos.

A Universidade John Hopkins, também nos EUA, acrescenta que pacientes com diagnóstico precoce também relatam mais discinesia, movimentos corporais involuntários, como foi o caso de Renata Capucci ao mexer o braço sem perceber.

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Confira os demais sintomas segundo a fundação:

Tremores das mãos, braços, pernas, mandíbula e rosto;

Rigidez dos membros e tronco;

Bradicinesia - dificuldade em realizar movimentos voluntários e reflexos e movimentos do corpo mais lentos;

Instabilidade postural ou equilíbrio e coordenação prejudicados;

Depressão;

Distúrbios do sono;

Mudanças na memória e no pensamento;

Constipação ou problemas urinários.

Ambas as instituições destacam ainda que o grupo de pessoas com confirmação para a doença antes dos 50 anos costuma ter uma progressão mais lenta dos sintomas, com maior preservação cognitiva e expectativa de vida. Além disso, pontuam que esses casos estão geralmente mais ligados a um histórico familiar.

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Entenda a doença

O Parkinson é uma doença neurológica, crônica e progressiva, resultado da morte de células no cérebro, em especial aquelas responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que atua, por exemplo, no controle dos movimentos.

O tratamento, com medicamentos, psicoterapia ou implantes de estimulação cerebral, buscam reduzir a falta de dopamina e, consequentemente, a progressão do quadro, mas não há cura.

A causa exata que leva à morte das células da doença ainda é desconhecida, mas a maioria dos casos são ligados hoje a uma combinação de predisposição genética e exposição ambiental. Segundo a Fundação do Parkinson, pesquisadores têm descoberto genes que podem estar relacionados ao risco de desenvolver a doença em uma idade mais jovem.

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