Paralisação dos caminhoneiros pode ser maior que a de 2018, diz líder da categoria

Ana Paula Ramos
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Truck drivers block the Regis Bittencourt road, 30 km from Sao Paulo, on May 26, 2018 during a strike to protest rising fuel costs in Brazil that has left much of the country paralyzed. - Brazil's government raised the stakes in its tense standoff with striking truckers Friday, ordering troops onto the streets to clear the huge blockades. The country's economic capital of Sao Paulo declared a state of emergency, the auto industry shut down, gas stations ran out of fuel and dozens of flights were canceled on the fifth day of the protest Friday. (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP)        (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Greve dos caminhoneiros em 2018 (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP) (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

A paralisação nacional dos caminhoneiros marcada para o dia 1º de fevereiro vem ganhando novas adesões. Segundo o presidente da Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, essa paralisação poderá ser maior do que a realizada em 2018, devido ao grau crescente de insatisfação da categoria, principalmente em relação ao preço do diesel e às promessas não cumpridas após a histórica greve no governo Temer.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, os caminhoneiros também ficaram insatisfeitos com medidas adotadas pelo governo, como o projeto BR do Mar, que incentiva a navegação de cabotagem.

A ANTB representa cerca de 4,5 mil caminhoneiros.

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Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, Stringasci, que é integrante do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), disse que a greve já tem 70% de apoio da categoria e de parte da população, diante de preços em alta não apenas no diesel, mas em outros combustíveis, alimentos e outros itens que elevaram a inflação em 2020.

"Eu creio que a greve pode ser igual a 2018. A população está aderindo bem, os pequenos produtores da agricultura familiar também. Se não for igual, eu creio que vai ser bem mais forte do que 2018", alerta.

Segundo ele, a alta do preço do diesel é o principal motivador da greve, mas conquistas obtidas na paralisação de 2018, que chegou a prejudicar o abastecimento em várias cidades, também estão na lista de dez itens que estão sendo reivindicados ao governo para evitar a greve.

"Esse (diesel) é o principal ponto, porque o sócio majoritário do transporte nacional rodoviário é o combustível (50% a 60% do valor da viagem) Queremos uma mudança na política de preço dos combustíveis", informa.

A produção de combustíveis no Brasil passou por mudanças em 2016, quando foi instituído o PPI (Preço e Paridade de Importação), praticado até hoje. Na época, os reajustes eram praticamente diários, seguindo a flutuação do mercado internacional, mas agora obedecem apenas a lógica da paridade, sem prazo determinado.

"A Petrobras não foi criada para gerar riqueza para meia dúzia, a Petrobras é nossa e tem que ajudar o povo brasileiro e o Brasil", afirma Stringasci. "Queremos preços nacionais para os combustíveis, com reajuste a cada seis meses ou um ano. Essa é uma das maiores lutas nossas desde 2018, e até antes, e até hoje", destaca.

Outras reivindicações da categoria são o preço mínimo de frete, parado no Supremo Tribunal Federal (STF), após um recurso do agronegócio, e a implantação do Código Identificador de Operação de Transporte (Ciot), duas conquistas de 2018.

Os caminhoneiros querem uma reunião com a presença do presidente da República para resolver a questão e evitar uma greve, "A categoria apoiou ele em 100% praticamente nas eleições. Então agora exige a presença dele na reunião", explica.

Stringasci afirmou que não vê problema de realizar uma greve em plena pandemia.

"A pandemia nunca foi problema. A categoria trabalhou para cima e para baixo durante a pandemia. Muitos caminhoneiros ficaram com fome na estrada com os restaurantes fechados, mas nunca parou", afirma.