Paralamas do Sucesso chamam Brasil de "país de quinto mundo" no Rock in Rio

LUCAS BRÊDA
RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 06-10-2019: Show da banda Os Paralamas do Sucesso, no palco Mundo, durante o quarto dia do segundo final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Desde que voltou a acontecer no Brasil, em 2011, o Rock in Rio costuma escalar as mesmas bandas de rock brasileiras para abrir seu palco principal. Neste domingo (6), o dia mais indie do festival, o Paralamas do Sucesso ficou com a responsabilidade.

Como era esperado, o show não teve muitas novidades em relação às participações anteriores da banda no Rock in Rio. Apenas a abertura, com "Sinais do Sim", música de 2017 que dá nome ao mais recente disco do Paralamas.

Às 18h, quando o grupo puxou os primeiros acordes, o público ainda se aproximava do palco. O show foi recebido com euforia muito menor que Anitta, que tocou no mesmo espaço no dia anterior.

Em comparação com outras bandas de rock nacionais, contudo, o Paralamas está em posição privilegiada. Somando os repertórios, Raimundos e CPM 22 -que tocaram juntos no primeiro fim de semana do festival- têm praticamente a mesma quantidade de hits que o trio carioca.

Em "Meu Erro", segunda no setlist, o Paralamas já mostrou o poder de fogo, chamando a plateia para cantar. A sequência teve o mesmo apelo, com "Alagados", "Lourinha Bombril" e a balada "Cuide Bem do Seu Amor".

Como é comum nos shows da banda, houve uma sequência de teor político e social, com "O Calibre" e a dobradinha "Selvagem" e "Beco". Herbert Vianna elogiou a organização do festival por "montar um espetáculo desse tamanho num país tão quinto mundo quanto o Brasil".

O Paralamas surgiu nos anos 1980, na onda de punk e new wave que marcou o rock brasileiro da época. A partir do disco "Selvagem", de 1986, contudo, o trio se estabeleceu com influências da música brasileira, latina e jamaicana.

No palco, eles tocaram "Você", conhecida com Tim Maia, em versão reggae. Os metais deixaram mais balançadas faixas como "A Novidade", mas também "Uma Brasileira", "Caleidoscópio", "Ska" e "Melô do Marinheiro".

Na última delas, inclusive, o vocalista e guitarrista Herbert Vianna notou a faixa etária da plateia. "Vocês provavelmente ainda nem eram nascidos quando lançamos essa música", disse, citando a canção de 1986.

Mas as que mais colaram com o público do Rock in Rio foram as baladas. Faixas como "Aonde Quer Que Eu Vá" e "Lanterna dos Afogados" empolgaram mais do que a dupla de clássicos dos anos 1980 que encerrou a apresentação, "Vital" e "Óculos".

Nada disso, entretanto, é novidade. Foi um show protocolar, que cumpriu a função de esquentar uma plateia nitidamente à espera das maiores atrações internacionais, Imagine Dragons e Muse, que tocam hoje mais tarde.