Os 23 anos de lutas e conquistas da maior Parada LGBT+ do mundo

A 23ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo resgatou a a história de luta e resistência do movimento com o tema “50 anos de Stonewall: nossas conquistas, nosso orgulho de ser LGBT”.

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Segundo um manifesto publicado pelo site da organização do evento, a escolha do tema “reforça a ideia de que pessoas LGBT+ possuem representação social, política, cultural e jamais se renderão ao autoritarismo, ao conservadorismo, nem às ameaças de retrocessos de conquistas, arduamente alcançadas nesses 40 anos de história do movimento LGBT no Brasil e 50 anos pelo mundo.” Leia o manifesto na íntegra

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Ao celebrar a Revolta de Stonewall, a Parada também resgatou sua própria história de lutas e de resistência. O evento, que reuniu cerca de 3 milhões de pessoas em sua 23ª edição, teve seu início em 1997 e seu público só tem aumentado ano após ano. Em 2006 ele foi incluído no Guiness Book como o maior do mundo.

Mas o que foi a chamada Rebelião de Stonewall, tema que também está presente em outras celebrações do Orgulho LGBTQ+ pelo mundo?

Na década de 60, nos Estados Unidos, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo eram consideradas ilegais em muitos estados do país. Viver no armário era uma condição quase comum para a maioria dos homossexuais e poucos se atreviam declarar a sua verdadeira orientação sexual. Existiam poucos estabelecimentos para gays e lésbicas que permitiam alguma sociabilidade e estes também eram alvos frequentes de batidas policias. Prisões, agressões e humilhações públicas eram comuns.

Mas nas primeiras horas de 28 de junho de 1969, um grupo de frequentadores do bar The Stonewall Inn, em Nova York, decidiu dar um basta para a repressão. Batidas policiais haviam se tornado comuns na mesma época em outros estabelecimentos frequentados por homossexuais na cidade. Naquele dia, no entanto, ninguém estava esperando a batida policial, geralmente avisada com antecedência. A polícia invadiu o local com a alegação de que o bar estaria comercializando bebida ilegal.

Frequentadores que não foram liberados pela polícia decidiram permanecer na porta do bar e uma pequena multidão foi se aglomerando no local. Aos poucos a agitação aumentou e garrafas de cerveja foram atiradas nas viaturas policiais. As hostilidades aumentaram quando a multidão reagiu à violência com que algumas pessoas eram encaminhadas à prisão. O motim ganhou força com vidraças quebradas, princípios de incêndio e policiais acuados dentro do estabelecimento pela multidão enfurecida em seu entorno.

A comunidade gay de Nova York e seus simpatizantes foram às ruas protestar nos noites seguintes aos tumultos. Em 1970 um evento chamado Liberation Day lembrou o primeiro aniversário da Revolta e outras protestos de orgulho gay ocorreram em Los Angeles e Chicago, iniciando as primeiras paradas gays na história dos Estados Unidos. A Revolta de Stonewall tornou-se um marco do movimento gay, fomentando a criação de coletivos, publicações e organizações de suporte e apoio à causa LGBT nos Estados Unidos e em outros país.

A Revolta de Stonewall teve pouco impacto no Brasil já que o país vivia a fase mais repressiva da ditadura militar na mesma época. A emergência de um movimento LGBT mais organizado ocorreu apenas com a abertura política, no início da década de 1980. A primeira Parada do Orgulho Gay no país ocorreu apenas em 1997.

O Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+ foi estabelecido em 28 de junho para lembrar a importância da Revolta de Stonewall.