"Empoderamento não é só estampa de camiseta", diz blogueira

Moda e autocuidado estão mais ligados do que você imagina (Foto: Getty Creative)


Seja você homem ou mulher, quantas vezes questionou se as roupas que você estava vestindo eram adequadas? Aliás, você já viu fotos de #lookdodia no Instagram e achou que o seu estilo não estava com nada? Pois é, quem pensa que autoestima e moda não têm relação alguma precisa rever os próprios conceitos. 

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A blogueira Carla Lemos, que há 12 anos comanda o Modices, um dos blogs de moda e comportamento mais famosos da internet, acaba de lançar um livro que levanta, justamente, esse questionamento. Em 'Use A Moda A Seu Favor’, ela faz os leitores pensarem sobre o nível de conforto que têm em relação ao seu próprio guarda-roupa. 

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"É voltar o seu pensamento para as suas necessidades, para a sua rotina e para as roupas que você tem hoje. Tendo noção da sua vida e das suas necessidades, você vai construir um guarda-roupa que te ajude na vida", diz ela, em entrevista ao Yahoo.

Que a moda foi transformada em um assunto banal, considerado até mesmo fútil, já não é novidade para ninguém. Mas na era da autenticidade, em que as pessoas estão repensando hábitos e padrões, é na moda que vemos o fim do funil: uma forma de expressão muito mais livre e, claro, na cara. "A moda era o oposto de autoconhecimento, mas estamos aí para assumir essa narrativa e mudar a forma como fazemos a moda e como se cria a moda", explica. 

Como cuidar de si mesmo? 

Para Carla, a pergunta é feita com frequência. Porém, não existe segredo, nem fórmula mágica. A verdade é que o autoconhecimento até pode seguir um caminho, mas começa com uma decisão de cada um. 

"É primeiro aceitar que a gente muda e que as ideias que a gente tem de como se vestir e como queria parecer já não valem mais", diz. "Com 15 eu pensava que com 30 me vestiria de um jeito, e é de outro. A gente tem que aceitar que os códigos que existiam não existam mais e que os caminhos estão abertos".

Isso significa um desprendimento: do que você mesmo pensava sobre moda e como você deveria se vestir. Em segundo lugar, das antigas referências. Para a blogueira, uma maneira de fazer essa mudança é deixando as passarelas e editoriais de lado e buscar na música, no entretenimento e até na arte novas ideias do que representa você. Vale até revisitar fotos antigas em busca do que você gosta, em um processo de aprendizado sobre si mesmo. 

"O primeiro passo para realmente se entender com as roupas e parar de sofrer é olhar pra dentro e buscar o que você gosta", diz Carla.

Marcas x Vida Real

Você sabia que além de lutarem pelo direito ao voto, as mulheres do século 19 também pediam por roupas menos pesadas? As vestes da época, cheias de camadas, limitavam muito os movimentos, e as mulheres não conseguiam nem andar de bicicleta. 

Para Carla, esse é um ótimo exemplo da forma como levamos a vestimenta ao longo do tempo. Mesmo hoje, as roupas que vemos nas lojas não condizem com o dia a dia feminino, em que a maioria das mulheres trabalha fora de casa o dia inteiro - vale lembrar que, hoje, mais de 50% dos lares no Brasil são chefiados por mulheres. Uma olhada rápida pelas vitrines mostram que, quando o assunto é o guarda-roupa feminino, ainda pensa-se mais nos períodos de passeio e lazer do que na realidade em que vivemos. 

Não é à toa que temos visto, por isso, uma crescente na busca por brechós. Além de toda questão de sustentabilidade e reduzo do consumo, é por lá que as mulheres conseguem encontrar tanto peças em tamanhos diferentes, sempre à mostra, como também modelos diferentes que se encaixam melhor no estilo pessoal de cada uma. 

"A moda como a gente conhece acabou. As ruas estão mais fortes e as mulheres estão cada vez mais verbalizando o que elas querem vestir - e as marcas não estão ouvindo", explica. "As mulheres estão querendo parar de olhar pra essas referências e descobrir o que é melhor pra si". 

O questionamento vai além: não só na oferta de peças que faça sentido para o dia a dia feminino, como também no tratamento que as mulheres recebem ao comprá-las, que ainda segue um padrão opressor e que diminui aquelas que não se encaixam nessa visão. "Empoderamento não é só estampa de camiseta, é fazer com que as mulheres se sintam confortáveis na sua loja", diz. 

Para ela, o assunto tabu recai também na saúde mental. Fala-se tanto no quanto mulheres estão fora de um padrão, mas não se percebe como essa pressão faz com que elas fiquem doentes, buscando se encaixar num perfil que não necessariamente é o seu. A ideia, então, é continuar a luta, ressignificando, principalmente, o que é sentir-se bonita e confortável e buscar no guarda-roupa o suporte necessário para isso. "A moda tem o papel de mostrar que as pessoas têm corpos e estilos diferentes", conclui.