Para aliados do governo, Pazuello atrapalha novo ministro da Saúde: 'Vigiado e controlado'

Redação Notícias
·4 minuto de leitura
Doctor Marcelo Queiroga (L), appointed by Brazilian President Jair bolsonaro for Minister of Health, and current Minister Eduardo Pazuello talk to the press outside the ministry in Brasilia, on March 16, 2021. - Queiroga replaces the former Minister of Health Eduardo Pazuello at a time when the health system is on the verge of collapse due to the coronavirus pandemic that has already left nearly 280,000 dead. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Os dois visitaram nesta quarta a fábrica de vacinas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e participaram de um evento que marcou a entrega do primeiro lote, com 500 mil doses da vacina da AstraZeneca fabricadas pelo órgão. (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • Eduardo Pazuello está "atrapalhando" e "constrangendo" o futuro ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, gerando incômodo dentro do próprio governo Bolsonaro

  • Aliados do governo avaliam que Queiroga está sendo "vigiado" e "controlado" por Pazuello

  • Brasil vive pior colapso na Saúde da história com quase 3 mil mortes por Covid em 24 horas

O general Eduardo Pazuello, ainda ministro da Saúde, vem atrapalhando seu substituto, o médico Marcelo Queiroga, ao afirmar que Queiroga "reza na sua cartilha", representando uma continuidade da atual política do general no combate do coronavírus, e que deixou a pasta "organizada" para o futuro chefe da Saúde.

Segundo aliados do governo ouvidos pelo G1, além de atrapalhar o futuro líder, a postura de Pazuello vem "constrangendo" Queiroga e gerando incômodo dentro do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Leia também:

Ainda segundo o jornal, assessores presidencias afirmaram que o novo ministro parece que está sendo "vigiado" e controlado" por Pazuello, que ainda segue como líder da pasta.

Ou seja, na avaliação dos aliados do governo, o general estaria podando a liberdade de Queiroga em seu plano de trabalho no combate ao coronavírus e na aquisição de vacinas contra a Covid-19.

Em entrevista coletiva, nesta quarta-feira (17), Pazuello chegou a admitir que Queiroga pode trazer avanços ao Brasil que ele não conseguiu. "Indo [Queiroga] a fortes mais longos do que talvez eu pudesse chegar com sua capacidade técnica", declarou.

Os dois visitaram nesta quarta a fábrica de vacinas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e participaram de um evento que marcou a entrega do primeiro lote, com 500 mil doses da vacina da AstraZeneca fabricadas pelo órgão.

Novo ministro da Saúde está com "freio de mão puxado"

No entanto, aliados de Bolsonaro no Congresso Nacional têm uma avaliação ainda mais crítica, segundo o G1. Para eles, Queiroga parece que está chegando com o "freio de mão puxado" e que Pazuello deixou a desejar durante o comando do Ministério da Saúde e está prejudicando o sucessor.

Doctor Marcelo Queiroga, appointed by Brazilian President Jair bolsonaro as Minister of Health speaks to the press outside the ministry in Brasilia, on March 16, 2021. - Queiroga replaces the former Minister of Health Eduardo Pazuello at a time when the health system is on the verge of collapse due to the coronavirus pandemic that has already left nearly 280,000 dead. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
De acordo com os números do consórcio, que reúne informações das secretarias de saúde dos estados até às 20h, cinco estados tiveram seus piores dias na pandemia: SP, RS, SC, PR e MS.(Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Na coletiva desta quarta, Pazuello fez questão de reafirmar que a transição de governo, que ainda não tem data certa para acontecer definitivamente, é "apenas uma continuidade do trabalho".

"Temos pela frente uma transição de cargo de ministro que é apenas uma continuidade do trabalho. O Dr. Marcelo Queiroga reza na mesma cartilha, só tem um pequeno detalhe: vou entregar para ele um ministério organizado, funcionando e com tudo pronto. E ele como médico cardiologista e com todo conhecimento técnico vai poder navegar com essa ferramenta", disse.

Brasil tem recorde de mortes por Covid em 24h: 2.798

O desalinhamento dos nomes da Saúde acontece durante o pior momento da pandemia no Brasil. O país registrou 2.798 mortes pelo coronavírus nesta terça (16) e teve o seu pior dia da pandemia, segundo o consórcio de veículos de imprensa formado por O Globo, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de São Paulo.

De acordo com os números do consórcio, que reúne informações das secretarias de saúde dos estados até às 20h, cinco estados tiveram seus piores dias na pandemia: SP, RS, SC, PR e MS.

Brasil vive maior colapso sanitário de sua história

A escalada da Covid-19 chegou ao ponto mais crítico no Brasil, deixando quase todos os estados à beira do colapso na saúde. De acordo com a Fiocruz, trata-se da maior crise sanitária da história do país.

Entre as 27 unidades da federação, 24 estados e o DF estão com ocupação de leitos de UTI acima dos 80%. Entre esses estados, 15 tem ocupação maior que 90%. Roraima (73%) e Rio de Janeiro (79%) são as únicas duas unidades da federação com índices mais baixos.

Ritmo lento de vacinação contra covid faz Saúde colapsar

Se os números excessivos de mortes chocam, impressiona também o crescimento lento dos números de pessoas vacinadas pelo país, indo de encontro a uma tradição brasileira de vacinar em larga escala devido ao alcance do Sistema Único de Saúde (SUS).