Para além da novela teen

Cena de ‘Malhação – Viva a Diferença’ (Foto: Divulgação/Globo)

‘Malhação – Viva a Diferença’ encerra sua segunda semana no ar com índices positivos: segundo foi noticiado, a novela juvenil teve seu melhor índice de audiência desde 2009.

É sempre alentador quando um programa de qualidade é recompensado com bons números do Ibope – claro, este não deveria ser o único fator a decidir o destino de uma atração na TV, mas já que o jogo tem sido esse, que bom que o folhetim assinado por Cao Hamburger esteja agradando.

Não é difícil entender o porquê da boa audiência. Hambuger e sua equipe de roteiristas conseguiu trazer relevância a uma novela que não raramente era encarada apenas como um laboratório para jovens atrizes e atores.

Mas o fato é que ‘Malhação’ sempre foi um farto celeiro de histórias (se foi mal-usado, aí é outra coisa). O, digamos, “meio-ambiente” de ‘Malhação’ invariavelmente envolve a escola com suas diferenças de classes, conflitos de poder entre alunos e professores, relacionamentos afetivos permeados por amor e ódio. É material riquíssimo para ficção – e aí está o sucesso de ‘13 Reason Why’ para provar isso.

E é justamente a série da Netflix que suscita uma reflexão: será que já não temos aqui, em terras brasileiras, um cenário propício para se criar uma série/novela abordando mais diretamente temas como o bullying?

Nem digo a questão do suicídio, que ainda melindra muitas pessoas (uma das críticas mais constantes sofridas por ‘13 Reasons Why’ vem de quem achava que a série incentiva o suicídio). Mas histórias paralelas de ‘Verdades Secretas’ – como as personagens Nina e Eziel – mostraram que é possível mostrar o lado mais hardcore desse cotidiano de escolas e alunos.

Veja também:

Adriane Galisteu afirma: ‘Não volto para a TV aberta para fazer qualquer coisa’

Após escândalo envolvendo Joesley Batista, SBT decide manter programa de Ticiana Villas Boas no ar

É certo que o horário de ‘Malhação’ limita bastante algumas abordagens e reflexões mais radicais. Contudo, seria interessante ver a teledramaturgia se dedicando ao tema – e não apenas como história secundária. Precisamos do nosso ’13 Reasons Why’.