"Pantanal": Juma arrasa como onça, mas ainda é chata para o público

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Juma em registro das gravações de "Pantanal" (Foto: Globo/ João Miguel Júnior)

Juma (Alanis Guillen) teve uma de suas melhores cenas em "Pantanal" no capítulo da última quinta-feira (22). Encurralada por Solano (Rafael Sieg), a jovem, grávida, se transformou em onça e estraçalhou o vilão em uma sequência que fez o público vibrar. Entretanto, isso não é capaz de apagar uma realidade dura: com o passar do tempo, a personagem antes tão querida pelo público passou a ser taxada como chata.

Entenda

A filha de Maria Marruá (Juliana Paes) sempre foi uma figura cheia de camadas. Ferida pela vida, pelos homens e pela própria natureza, ela sempre contou apenas com o Velho do Rio (Osmar Prado) e com a mãe. Com a morte da matriarca, a garota se tornou ainda mais hostil e solitária. Isso mudou um pouco com a chegada de Muda (Bella Campos), que conquistou sua amizade e confiança, e de Jove (Jesuita Barbosa), por quem ela se apaixonou perdidamente.

Porém, as diferenças entre ela e o rapaz levaram os dois a diversos conflitos. E foi aí que a personagem começou a incomodar os telespectadores. Durante dezenas de capítulos, os pombinhos ficaram em uma lenga-lenga bizarra sobre morar na tapera ou morar na fazenda de José Leôncio (Marcos Palmeira). Essa crise do casal também coincidiu com o momento em que a narrativa ficou mais lenta, andando em círculos e decepcionando os fãs "pantaneiros".

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A história dos protagonistas se tornou um jogo interminável de gato e rato no qual a menina-onça só sabia dizer “querimbora”. Virou meme? Virou. Mas também encheu bastante a paciência. Pior, o drama em si não fazia sentido algum.

Juma queria ficar em sua tapera ao lado do amado, a família de Jove era totalmente contra. Mas do jeito que falavam, parecia que a menina morava na Islândia, e não a algumas cavalgadas de distância.

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Juma e Jove em "Pantanal" (Foto: Globo/ Paulo Belote)

Em meio a isso, o estilo explosivo da pantaneira tornou-se um ponto de irritação do público. Suas reclamações constantes já não despertavam mais pena, mas sim frustração. Assim, a personagem passou a ser vista, principalmente, como chata.

Neste sentido, a última transformação de Juma até rendeu uma cena impactante, mas não muda a impressão deixada pela personagem ao longo da novela.

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Efeito cascata

A protagonista do folhetim não foi a única que começou muito promissora e foi irritando o telespectador durante a exibição da história. Um outro exemplo é José Lucas de Nada (Irandhir Santos), que chegou arrasando corações com seu jeito simples e direto.

Coincidência ou não, o auge do ranço veio quando ele ensaiou engatar um romance com Juma, o que foi rejeitado pela audiência desde o primeiro momento.

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Cena de "Pantanal" com Juma, José Lucas e o Velho do Rio (Foto: Globo/ Wil Lugares)

A decisão do sonhador de enveredar para a política também acabou sendo mais cansativa do que propriamente educativa. Além disso, tem sua relação com Irma (Camila Morgado), que antes se envolveu com Trindade (Gabriel Sater). Parte do público ainda torcia para que a tia de Jove ficasse com o cramulhão, que a abandonou grávida.

Autor se recusa a mudar trama

Essas críticas se relacionam com o fato de que o autor do remake, Bruno Luperi, não fez grandes mudanças no texto da trama original. O novelista decidiu seguir à risca o trabalho de seu avô, Benedito Ruy Barbosa, mantendo assim os pontos que já eram motivo de crítica na versão de 1990.

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Maria Bruaca em cena de "Pantanal" (Foto: Globo/ Divulgação)

De modo geral, "Pantanal" tem muitos méritos, mas chega em sua reta final deixando no público a sensação de que alguns personagens e tramas poderiam ser melhor exploradas. Não à toa a personagem de maior sucesso foi também a mais desenvolvida: Maria Bruaca (Isabel Teixeira) em sua trajetória de empoderamento.