Quando as estatísticas fazem parte do seu coração: meu pai e meu filho estão com coronavírus

Fernando Rocha fala sobre o drama de vivenciar o coronavírus de perto (Foto: Arquivo Pessoal)

Números, porcentagens e estatísticas parecem não fazer o menor sentido quando o coronavírus bate na porta de casa.

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Primeiro meu pai de 82 anos, José Dalai Rocha, depois meu filho, Pedro Rocha, de 28.

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A sensação imediata é de desamparo. Olhava o noticiário que rodava em ritmo frenético as atualizações de casos confirmados. Dois números ali naquele oceano de informações, que vão fazer parte de dados mundiais têm o meu sobrenome.

Dois números eu entendo, eu conheço, eu percebo. Dois números que literalmente fazem parte de mim.

Estão misturados em uma contagem que não para de crescer. Eu não consigo olhar para essas informações sem enxergar uma parte do meu coração.

Seguido do susto vem uma outra de onda de dúvida e ansiedade: a limitação da distância. Eu aqui em São Paulo e os dois em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Telefonemas, vídeos, intensidade de contatos virtuais e afagos pra saber a evolução dos sintomas.

Meu pai relata dificuldade para dormir, nariz entupido, coriza e falta de ar. Não tem vontade de comer nada.

Nem uma hipotética feijoada? Nada.

Meu filho sente dor no peito, diz que está difícil respirar fundo e sua voz parece ofegante ao telefone.

Em uma consulta por vídeo com a infectologista Rosana Richtmann classifica os sintomas como moderados e determina um sinal de alerta, que junto com os outros já existentes, significaria hospital urgentemente: a febre.

E de repente a família inteira, em Belo Horizonte meu irmão e minha mãe (que testou negativo — ela vive com os dois no mesmo apartamento) e aqui em São Paulo, eu, meu outro filho, Rafael, a mãe do Pedro e minha esposa, Julia Bandeira; e na Bahia minha outra irmã, juntos dias inteiros não querendo pensar em febre, mas pensando nela a cada minuto.

Mensagens, recados e orações chegando de todos os lados. Centenas de amigos.

O último fim de semana de acordo com a avaliação da doutora Rosana seria o mais preocupante. Com sintomas mais “exuberantes”.

Nunca um sábado e um domingo se pareceu tanto com uma segunda-feira, e nunca esperei tanto uma segunda chegar.

Eles seguem firmes e sem febre. Meu coração bate com eles e também por causa deles. Eles vão ficar bem.

Quando o inimigo entra na nossa casa a gente tem noção do tamanho dessa guerra. Quando nossa família entra para estatística a gente tem que entrar na luta. E uma das armas mais poderosas nessa batalha é a informação Não tenha dúvida, tenha certeza

É preciso ficar em casa.