"Pacto Brutal" errou em não entrevistar Guilherme de Pádua?

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Daniella Perez em imagem exibida na série documentário
Daniella Perez em imagem exibida na série documentário "Pacto Brutal". (Foto: Divulgação/HBO Max)

Os cinco episódios completos de “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez” já estão disponíveis no catálogo da HBO Max e mostra detalhes da investigação da morte da filha da escritora Gloria Perez. A produção revive o dia 28 de dezembro de 1992, em que a atriz de 22 anos foi brutalmente assassinada pelo ator Guilherme de Pádua e sua então esposa e cúmplice, Paula Thomaz.

O documentário conta com entrevistas e depoimentos de pessoas que acompanharam de perto a investigação, como familiares, amigos, testemunhas e advogados. No entanto, a decisão dos diretores de não dar voz aos criminosos, que foram condenados a 19 anos de prisão e soltos após seis anos, dividiu opiniões.

A diretora Tatiana Issa contou em entrevista à "Veja" que a equipe da série documental optou por não conversar com os responsáveis pela morte de Daniella para reverter um erro do passado. Ao longo dos anos, Guilherme, que contracenou com a atriz na novela "Corpo e Alma", da Globo, concedeu diversas entrevistas e apresentou diferentes versões do caso.

“Durante trinta anos eles falaram o que quiseram para inúmeros veículos, dando versões falsas e essas inverdades foram sendo perpetuadas. Se déssemos espaço para eles, estaríamos fazendo o mesmo que tanto criticamos. Houve um grande circo midiático em torno deste caso”, declarou.

Diferente do que muitos podem ter acreditado, não é papel do documentarista ouvir e apresentar todos os lados de uma história no projeto. Portanto, a escolha da narrativa ao não dar espaço para a dupla comentar sobre o crime não deve ser considerada um erro. “Sou totalmente a favor de não dar voz a criminosos, nem em documentários, nem em jornalismo, nem em programas de TV, podcasts, nada disso”, disse Celso Sabadin, professor, crítico de cinema, sócio-fundador da Abraccine e fundador do “Planeta Tela”, em entrevista ao Yahoo.

“Acredito que, a partir do momento em que alguém foi condenado em todas as instâncias pela Justiça, este alguém deve cumprir sua pena sem nenhum tipo de espetacularização midiática. Está comprovado que a exposição de criminosos na mídia acaba potencializando o crime. É um processo doentio que, infelizmente, existe”, acrescentou.

Sabadin ressalta que “documentário não é jornalismo”, por isso não tem a obrigação de ouvir todos os lados envolvidos na história. “Diferente do jornalista - que tem a obrigação ética de ser imparcial, - o documentarista trabalha com assertividade, ou seja, ele defende uma tese, defende um lado. Muita gente confunde estes dois conceitos”, completou.

Recentemente, a escritora Gloria Perez também criticou em entrevista à Folha de S. Paulo a forma como a mídia repercutiu o caso na época, dando espaço para que Guilherme de Pádua ganhasse popularidade. "Não é justo que ela tenha sido assassinada de maneira brutal que foi e ainda tenha sido descrita através das palavras de um assassino como uma pessoa louca, fora de si. Quem morreu só produz lágrimas das suas famílias e das pessoas que a amaram. Eu vi isso. Eu vi minha filha despessoalizada", lamentou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos