Oscar reinventado consagra "Nomadland" em noite de grande diversidade

Jill Serjeant
·2 minuto de leitura
Chloe Zhao posa para foto com estatuetas do Oscar em Los Angeles

Por Jill Serjeant

LOS ANGELES (Reuters) - "Nomadland", a história de norte-americanos que moram em vans, recebeu o Oscar de melhor filme e mais dois prêmios em uma noite de triunfos para as mulheres que também testemunhou a volta do glamour de Hollywood após um longo confinamento pandêmico.

Causou muita surpresa o Oscar de melhor ator ir para o britânico Anthony Hopkins por sua interpretação de um homem com demência em "O Pai" – era grande a expectativa de que a estatueta iria para o falecido Chadwick Boseman por seu último filme, "A Voz Suprema do Blues".

Nascida na China, Chloe Zhao foi premiada como melhor diretora por "Nomadland", o que a tornou a primeira mulher asiática e a segunda mulher a levar o troféu para casa. Kathryn Bigelow foi a primeira em 2010.

Frances McDormand, uma das poucas profissionais do filme no qual várias pessoas interpretaram versões de si mesmas, conquistou seu terceiro Oscar e fez um apelo emocionado para que as pessoas voltem aos cinemas em breve.

O distanciamento social forçou uma reformulação da cerimônia, que foi transferida para a estação Union Station do centro de Los Angeles.

Os indicados e seus acompanhantes percorreram o tapete vermelho depois de se submeterem a exames de Covid-19 e protocolos de quarentena, a maioria sem máscaras.

A perspectiva de todos os prêmios de atuação irem para pessoas de cor pela primeira vez não se concretizou, mas 15 mulheres conquistaram o recorde de 17 Oscars, segundo a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, entre eles os de som ("O Som do Silêncio"), design de produção ("Mank"), roteiro original ("Bela Vingança") e documentário ("Professor Polvo").

O acerto de contas nacional com o racismo sistêmico nos Estados Unidos também foi um tema após a condenação na semana passada de um ex-policial branco pela morte do negro George Floyd.

"Como mãe de um filho negro, conheço o medo com que tantos convivem, e não há fama ou fortuna que mude isso", disse Regina King, diretora de "Uma Noite em Miami", que trata de quatro ícones negros do movimento pelos direitos civis norte-americanos nos anos 1960.

Youn Yuh-jung, de 73 anos, foi eleita a melhor atriz coadjuvante por seu papel de avó irritadiça no filme sobre imigrantes "Minari", a primeira sul-coreana agraciada com um Oscar.

O britânico Daniel Kaluuya foi reconhecido como melhor ator coadjuvante pela interpretação do Pantera Negra Fred Hampton em "Judas e o Messias Negro".

(Reportagem adicional de Maria Caspani, Lisa Richwine, Nichola Groom e Dan Trotta)