Oscar 2021: Conheça os indicados a "Melhor Direção"

Natália Bridi
·8 minuto de leitura
This combination photo shows Oscar nominees for best director, from left, Lee Isaac Chung for
Os indicados ao oscar de "Melhor Diretor": Lee Isaac Chung :"Minari," Emerald Fennell: "Promising Young Woman," David Fincher: "Mank," Thomas Vinterberg:"Another Round" and Chloé Zhao:"Nomadland." (Foto: AP Photo)

Essa talvez seja a seleção mais diversa de indicados ao prêmio de Melhor Direção do Oscar. Além de duas mulheres figurarem entre os concorrentes (Emerald Fennell e Chloé Zhao), há dois cineastas de origem asiática (Zhao, também a primeira mulher de origem asiática na categoria, e Lee Isaac Chung) e um diretor da categoria Filme Estrangeiro (o dinamarquês Thomas Vinterberg), sobrando para David Fincher o posto mais “convencional” dessa lista

Para você conhecer melhor os cineastas indicados, falo mais sobre cada um a seguir:

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Thomas Vinterberg ("Druk - Mais uma Rodada")

Director Thomas Vinterberg attends the press conference for the movie 'The Commune' at the 2016 Berlinale Film Festival in Berlin, Germany, Wednesday, Feb. 17, 2016. (AP Photo/Axel Schmidt)
Director Thomas Vinterberg attends the press conference for the movie 'The Commune' at the 2016 Berlinale Film Festival in Berlin, Germany, Wednesday, Feb. 17, 2016. (AP Photo/Axel Schmidt)

Indicações anteriores ao Oscar: 0
Conhecido por: Festa em Família (1998), Submarino (2010), A Caça (2012), Longe Deste Insensato Mundo (2015)

Um dos fundadores do movimento Dogma 95 ao lado de Lars von Trier, o dinamarquês Thomas Vinterberg recebeu reconhecimento mundial por seu trabalho em Festa em Família (1998), ainda que pelas regras do Dogma 95 não seja creditado como diretor do filme. Depois do sucesso, porém, o cineasta acumulou uma série de fracassos com longas como Dogma do Amor (2003), Querida Wendy (2005) e Quando um Homem Volta para Casa (2007) até comandar Submarino (2010), indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, e A Caça (2012), indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Em Druk - Mais uma Rodada, também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Vinterberg adaptou a peça que escrevera anos antes a pedido da sua filha, Ida, que também colaborou com histórias sobre as “bebedeiras” da juventude dinamarquesa e interpretaria no filme a filha de Martin, o personagem de Mads Mikkelsen. Quatro dias depois do início das filmagens, porém, Ida morreu em um acidente de carro, aos 19 anos.

Em homenagem à filha, o cineasta decidiu continuar o longa, mas a tragédia transformou o roteiro, que deixou de ser apenas sobre a hipótese (baseada na teoria do psiquiatra norueguês Finn Skårderud) de como o álcool pode transformar positivamente a vida das pessoas, para se tornar uma narrativa sobre despertar e redescobrir a vida. Essa mudança de perspectiva dá ao filme uma sinceridade contundente, que não condena nem se ilude sobre o consumo de álcool, usando a trajetória dos seus personagens para falar honestamente sobre como tornar a vida uma celebração.

David Fincher ("Mank")

HOLD FOR STORY - FILE - In this Jan. 13, 2013 file photo, director David Fincher arrives on the red carpet for the Netflix UK Premiere of 'House of Cards' at a Leicester Square cinema in London. Ben Affleck and Fincher are reteaming for a remake of Alfred Hitchcock’s “Strangers on a Train.”  On the heels of their 2014 box-office hit
David Fincher concorre com "Mank". Foto: Photo by Joel Ryan/Invision/AP


Indicações anteriores ao Oscar: 2 (A Rede Social e O Curioso Caso de Benjamin Button)
Conhecido por: Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995), Clube da Luta (1999), Zodíaco (2007), O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), A Rede Social (2010), Garota Exemplar (2014), House of Cards, Mindhunter

David Fincher começou sua carreira na Industrial Light & Magic, tendo integrado as equipes de filmes como O Retorno de Jedi e Indiana Jones e o Templo da Perdição, e depois seguiu para a direção de comerciais e clipes, incluindo "Freedom! '90", de George Michael, e “Vogue”, de Madonna, e "Janie's Got A Gun", do Aerosmith. Entre 1984 e 1993, Fincher assinou a direção de 53 vídeos musicais até fazer a sua estreia em um longa-metragem com Alien 3 (1992). Contudo, foi só com Seven (1995) que o cineasta começou a trilhar o caminho que o tornaria um dos principais nomes do cinema norte-americano.

Na sua terceira indicação ao Oscar de Melhor Direção, Fincher apresenta um projeto que o acompanha desde 1997, quando tentou pela primeira vez filmar o roteiro escrito por seu pai, Jack Fincher, sobre a história do roteirista Herman J. Mankiewicz, um dos responsáveis pela criação de Cidadão Kane. O resultado é um dos seus filmes mais técnicos, fazendo centenas de tomadas e uma única cena, além de reproduzir a estética cinematográfica da época que retrata em todos os aspectos, da forma como conduz as atuações (rendendo merecidas indicações para Gary Oldman e Amanda Seyfried), a fotografia (assinada por Erik Messerschmidt, também indicada), o som e a trilha sonora (ambos indicados), acumulando também menções pelo Figurino (criado para atender a fotografia preto e brando), Cabelo e Maquiagem e Design de Produção, totalizando 10 indicações ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Lee Isaac Chung ("Minari")

FILE- Director Lee Isaac Chung, left, and Steven Yeun pose for a portrait to promote the film
Lee Isaac Chung (esquerda) e Steven Yeun no festival de Sundance. Foto: Taylor Jewell/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 0
Principais filmes anteriores: Munyurangabo (2007), Lucky Life (2010), Abigail Harm (2012)

Nascido em Denver, no Colorado (EUA), de uma família vinda da Coréia do Sul, Lee Isaac Chung descobriu o cinema enquanto estudava biologia na prestigiada Yale, abandonando os planos de estudar medicina para se dedicar à sétima arte. Depois de uma elogiada estreia com Munyurangabo, selecionado para o Festival de Cannes, sendo o primeiro longa narrativo falado em quiniaruanda (o idioma oficial de Ruanda), Chung estava considerando se aposentar do cinema e já havia aceitado um trabalho como professor quando decidiu escrever Minari baseado na história da sua família.

O processo de criação do roteiro levou um ano, com Chung usando suas memórias para criar os detalhes de uma nova narrativa do sonho americano pela família sul-coreana que vê em uma fazenda no interior dos EUA a sua chance de uma vida melhor. Com medo da reprovação dos pais, pessoas bastante privadas na descrição do cineasta, Chung só contou que estava fazendo um filme baseado na sua família quando já estava na sala de edição, com tudo filmado. Em nenhum momento, porém, Minari transparece as dificuldades e temores envolvidos no seu processo de criação, entregando um filme sensível, delicado e inspirador.

Chloé Zhao ("Nomadland")

Chloe Zhao attends the Telluride from Los Angeles drive-in screening of
Chloe Zhao na gravação de "Nomadland". Foto: Richard Shotwell/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 0
Conhecida por: Songs My Brothers Taught Me (2015), Domando o Destino (2017), Os Eternos (2021, ainda inédito)

Nascida na China, Chloé Zhao foi enviada pelos pais para um internado no Reino Unido, mudando-se depois para os EUA, onde estudou cinema na New York University Tisch School of the Arts (tendo Spike Lee como um dos seus professores). Desde seu filme de estreia, Songs My Brothers Taught Me (2015), a cineasta tem sido reconhecida por seu trabalho no cinema independente norte-americano. Seu estilo é lírico, mas calcado no realismo, usando muitas vezes atores não profissionais, escalados nos locais a serem retratados nos seus longas.

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Em Nomadland não é diferente. A cineasta foi escolhida por Frances McDormand e Peter Spears para adaptar o livro da jornalista Jessica Bruder sobre o fenômeno dos americanos mais velhos que optam por uma vida nômade, vivendo em vans e buscando trabalho em diferentes locais dos EUA. Trabalhando pela terceira vez com seu parceiro, o diretor de fotografia Joshua James Richards, Zhao mistura ficção e realidade, cercando a personagem de McDormand de nômades reais como Linda May, Swankie e Bob Wells (e como em seus outros trabalhos, a diretora estabeleceu que todos os lucros dos filme seriam divididos com o elenco).

O longa foi rodado ao mesmo tempo em que Zhao se preparava para dar um salto completamente diferente. A cineasta cuidava da pré-produção de Os Eternos da Marvel enquanto dormia em vans e rodava pelos EUA para contar a história de luto e reconstrução de uma mulher que decide viver em uma van depois de perder o marido e a comunidade em que vivia. Um contraste que a torna um dos nomes mais interessantes de Hollywood atualmente.

Emerald Fennell ("Bela Vingança")

Emerald Fennel participates in the
Emerald Fennel também dirigiu a série "Killing Eve". Foto: Willy Sanjuan/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 0
Conhecida por: além do seu trabalho como atriz, tendo interpretado recentemente Camilla Parker Bowles em The Crown, também foi showrunner e principal roteirista da segunda temporada de Killing Eve.

Com pequenos papéis em filmes como Albert Nobbs (2011), Anna Karenina (2012) e A Garota Dinamarquesa (2015), Emerald Fennell também é autora, tendo publicado seu primeiro livro, a fantasia infantil Shiverton Hall, em 2013. Amiga de Phoebe Waller-Bridge, a quem conheceu no set de Albert Nobbs, foi escolhida para substituir a roteirista no comando da segunda temporada de Killing Eve em 2018, recebendo pelo trabalho uma indicação ao Emmy.

Um ano antes, Fennell já havia vendido a ideia de Bela Vingança para a LuckyChap Entertainment (produtora de Margot Robbie) e faria assim a sua estreia na direção de um longa-metragem. Grávida de sete meses durante as filmagens, a cineasta elaborou uma narrativa de vingança com camadas inesperadas, misturando gêneros para brincar com a percepção do espectador. Combinando um design de produção e figurinos cheios de personalidade com a atuação carismática de Carey Mulligan (indicada ao Oscar de Melhor Atriz), Fennell usa elementos de comédias românticas e dos suspenses de Alfred Hitchcock para chegar a um final tão surpreendente quanto controverso.