Como Bacurau pode ser o novo Cidade de Deus no Oscar 2021

Udo Kier em Bacurau. Foto: Divulgação / Vitrine Filmes

Por Thiago Romariz* — Ainda que existam dúvidas sobre as regras e até a data do Oscar 2021, uma coisa é fato: ele vai acontecer. Para os brasileiros, duas novidades saltam aos olhos: a possível presença de mais filmes exibidos em streaming, conforme nova regra anunciadas há semanas, e a crescente chance de Bacurau ser um dos destaques da premiação.

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Por ter estreado em 2019, o longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles não pode ser candidato à categoria de filme estrangeiro, mas pode figurar em outros prêmios, assim como o já clássico Cidade de Deus, que traçou a mesma jornada no início dos anos 2000.

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Assim como o filme de Meirelles, o conto nordestino do diretor de Aquarius não foi selecionado pelo Brasil para concorrer ao Oscar 2020 - a escolha foi por A Vida Invisível, outra obra excelente do nosso cinema. Desta forma, Bacurau não pode ficar entre os cinco estrangeiros, mas ganha força em categorias de grande impacto como roteiro, elenco e edição por simplesmente ser um dos filmes mais comentados na imprensa estadunidense desde o início de 2020.

A produção chegou aos cinemas de lá antes da pandemia e impressionou boa parte dos especialistas e críticos de cinema do país. Veículos como NYT, IndieWire e Vulture já o listaram mais de uma vez entre os melhores do ano e também como um dos candidatos ao Oscar do próximo ano.

Alguns quesitos jogam a favor da obra, além da sua excelência técnica. O tom combativo e provocador do roteiro de Mendonça combina com o momento questionador que o mundo vive diante de classes dominantes e problemas sociais endêmicos. O discurso político e contra o conservadorismo que se alastra pelo mundo também - Mendonça constantemente critica e não se omite em questões sobre Trump ou Bolsonaro, por exemplo.

Fato é que a roupa que esse discurso veste vem com referências ao clássico cinema de Hollywood; da violência e suspense de John Carpenter até as loucuras no deserto e os heróis caricatos e monossilábicos de George Miller. Isso sem falar nas inúmeras referências locais que as histórias da cidadezinha e seus habitantes trazem aos espectadores.

Bacurau é interiorano, mas com uma força para além de qualquer fronteira ou idioma, e isso representa cada vez mais a renovação procurada pelo Oscar, e que teve o ápice na vitória de Parasita este ano.

Existem pontos do filme a serem reforçados para chegar em 2021 com chances reais. O aproveitamento deste momento, ainda que no meio da pandemia, é essencial para que o longa não suma do radar dos votantes. E a forma de fazer isso não é tão diferente do que é feito há anos na indústria: lobby e marketing.

Para isso, Bacurau precisa ainda de uma campanha forte nas ruas e veículos de Los Angeles, assim que a temporada de premiações voltar à pauta. Como exemplo, podemos citar a própria equipe de Parasita, que não só esteve presente em quase todas as premiações como promoveu muitas exibições ao longo de 2019.

Ainda que tenha a dificuldade do tempo e da distância de seu lançamento - e de uma pandemia histórica - Bacurau tem chances de repetir o feito de Cidade de Deus e figurar em mais de uma categoria no Oscar. Qualidade ele tem de sobra para isso.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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