Oscar 2019: ausência de apresentador não livra cerimônia de mesmice e longa duração

Melissa McCarthy e Brian Tyree Henry apresentam o prêmio de melhor figurino (Imagem: Getty Images)

Como seria uma cerimônia do Oscar sem a figura do mestre de cerimônias, personagem normalmente responsável por conduzir a festa e que estaria ausente pela primeira vez depois de 30 anos? O evento da noite deste último domingo provou que a ausência do anfitrião não torna as coisas mais agéis e, pior ainda, deixa o evento sem personalidade.

Para substituir o monólogo de abertura, os organizadores escalaram ninguém menos que o Queen. A banda lançou mão de dois de seus principais hits, ‘We Will Rock You’ e ‘We Are The Champions’, mas o vocalista Adam Lambert só deixou o público mais saudoso ainda de Freddie Mercury. Pareceu um jeito estranho de começar uma festa sobre cinema, mesmo que ‘Bohemian Rhapsody’ tenha se revelado nas horas seguintes o filme mais premiado da noite, com quatro Oscars.

Do primeiro riff da guitarra de Brian May até o anúncio de ‘Green Book – O Guia’ como vencedor do prêmio de melhor filme, foram três horas e quinze minutos de cerimônia, estourando o objetivo do canal ABC, responsável pelos direitos de TV, que queria manter a transmissão em três horas.

Sem um apresentador para conduzir as coisas e encaixar uma brincadeira aqui, outra ali (como a selfie de Ellen DeGeneres em 2014 ou a invasão a um cinema vizinho comandada por Jimmy Kimmel no ano passado), a cerimônia do Oscar teve uma significativa redução de momentos marcantes.  Daqui alguns meses, é provável que a performance de Lady Gaga e Bradley Cooper, que levantaram das poltronas na plateia num plano-sequência e subiram ao palco para cantar uma versão impecável de ‘Shallow’, seja a única lembrança gravada na cabeça do público quando se lembrar desta edição.

As tentativas de humor tiveram resultados irregulares. O trio de comediantes femininas formado por Tina Fey, Amy Poehler e Maya Rudoplh mostrou que teria sido uma boa opção para o cargo de anfitriãs, quando entregou um dos prêmios. Melissa McCarthy e Brian Tyree Henry apareceram vestidos com os figurinos de ‘A Favorita’ e ‘O Retorno de Mary Poppins’ para revelar o vencedor da categoria, numa piada que só funcionou para quem assistiu aos filmes.

Quanto aos discursos, seguiram a cartilha dos últimos anos, com agradecimentos protocolares na maior parte do tempo, muitas vezes interrompidas pela música da orquestra, principalmente nas categorias mais técnicas ou específicas. O tom político anti-Trump também esteve presente. Spike Lee foi o mais incisivo, convocando todos a votarem “pelo amor e não pelo ódio” nas próximas eleições presidenciais dos EUA, em 2020.

Entre os principais premiados, Regina King, primeira vencedora da noite como atriz coadjuvante em ‘Se a Rua Beale Falasse’, e Olivia Colman (de ‘A Favorita’), que desbancou Glenn Close, foram as mais emocionadas na hora de subir ao palco. Mas mesmo suas falas estiveram longe da eloquência de Meryl Streep, Viola Davis ou Leonardo DiCaprio, alguns dos vencedores anteriores que deram discursos poderosos ao ganharem suas estatuetas.