Desfiles retornam à Semana de Moda de Londres

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Desfile de modelos com criações do designer turco residente em Londres Bora Aksu no primeiro dia da Semana de Moda de Londres, em 17 de setembro de 2021 (AFP/Tolga Akmen)

Após várias apresentações online devido à pandemia, os desfiles foram retomados nesta sexta-feira (17) na Semana de Moda de Londres, uma edição marcada pelo otimismo da indústria após o levantamento de grande parte das restrições contra o coronavírus.

A programação dos cinco dias inclui 28 desfiles de moda com estilistas consagrados como o britânico Edward Crutchley, a sérvia Roksanda e a irlandesa Simone Rocha, cuja marca celebra o seu décimo aniversário.

Há também duas ausências notáveis: a ex-Spice Girl que virou estilista Victoria Beckham e a casa de luxo britânica Burberry.

O designer de moda Saul Nash, de 28 anos, abriu o evento nesta sexta-feira com uma mostra de coleção de roupas esportivas explorando sua adolescência em Hackney, um bairro popular do nordeste de Londres.

Este criador, também bailarino e coreógrafo, coloca a liberdade de movimentos no centro das suas criações com peças fluidas com mangas e capuzes removíveis. Parte integrante do uniforme escolar britânico, a camisa de manga curta é reinventada com inserções em tecido respirável e zíper para um visual chique e casual.

Num estilo completamente diferente, os vestidos bufantes do estilista britânico Edward Crutchley, em verde anis ou com estampas florais, mostram o glamour da temporada primavera / verão 2022. Os tecidos brilham e o luxo é evidente.

- Talentos emergentes -

Enquanto alguns estilistas voltam às passarelas, outros preferem apresentar suas coleções apenas com hora marcada, como Emilia Wickstead e Molly Goddard, ou em vídeos, que podem ser vistos na plataforma Fashion Week, lançada em junho de 2020 para se adaptar à situação sanitária.

Michael Halpern, estilista americano de 32 anos, apresentou nesta sexta-feira um curta-metragem rodado na Royal Opera House com sua coleção de vestidos com lantejoulas, penas e drapeados, usados por bailarinos que, após uma ausência de mais de um ano, voltarão a receber o público no próximo mês.

Um total de 131 marcas estarão presentes nesta edição da Semana de Moda.

Em fevereiro, o evento foi realizado em formato 100% virtual, já que os desfiles com público foram proibidos com o país enfrentando seu terceiro confinamento.

Desta vez, “o evento internacional volta para marcar a tão esperada reabertura cultural de Londres”, afirma o British Fashion Council, que representa a indústria da moda e organiza o encontro.

Entre os talentos emergentes deste ano destaca-se a estilista albanesa residente em Londres Nensi Dojaka, fundadora da marca homônima, que apresenta seu primeiro desfile nesta sexta-feira.

Formada na prestigiosa escola de moda Central Saint Martins, em Londres, a estilista de 27 anos ganhou o prêmio LVMH 2021 para jovens talentos na semana passada. Seus vestidos pretos "nuisette" com detalhes gráficos conquistaram o júri.

O canadense Mark Fast, especialista em tricô, ocupou um estacionamento em Soho, no coração da capital, para um desfile em homenagem ao 'underground' londrino dos anos 1990. No desfile, destacaram-se vestidos ultracurtos e adornados com correntes.

Fã das cores neon, o estilista expandiu sua paleta para tons pastéis. As jaquetas jeans eram desbotadas ou pintadas à mão em estilo grafite.

A marca afirma ter vivenciado um "crescimento considerável" no último ano, abrindo lojas em Pequim, Chongqing e Hong Kong.

A indústria da moda britânica, que empregava cerca de 890.000 pessoas em 2019, espera se recuperar após a pandemia.

Segundo dados da Oxford Economics para a Federação das Indústrias Criativas e da Federação da Inglaterra Criativa, "com o investimento certo" o setor criativo pode se recuperar mais rápido do que a economia britânica como um todo.

O estudo prevê que o setor cresça mais de 26% até 2025 e contribua com 132 bilhões de libras (963,91 bilhões de reais) para a economia britânica, 28 bilhões de libras a mais que em 2020.

Em julho, a Burberry anunciou que suas vendas no primeiro trimestre haviam retornado aos níveis anteriores à pandemia.

No entanto, as vendas na Europa continuaram sofrendo devido à falta de turistas.

Em uma entrevista ao Financial Times publicada na semana passada, o designer de moda francês baseado em Londres Roland Mouret estimou que levaria "cinco anos" para sua marca se recuperar totalmente do impacto da covid-19.

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