De Keanu Reeves a William Shatner: os astros esquecidos na Comic Con de San Diego

Keanu Reeves fala em painel da Comic Con, na Califórnia, em 22 de julho de 2022. (Foto: REUTERS/Bing Guan)
Keanu Reeves em painel da Comic Con, na Califórnia, em 22 de julho de 2022. (Foto: REUTERS/Bing Guan)

A Comic Con de San Diego é um evento com mais de cinquenta anos de história. É a meca do entretenimento e responsável pela formação em cultura pop de uma legião de fãs. E muito desta experiência está em ver e conhecer seus ídolos, quadrinistas, diretores e atores em modestos estandes no chão da feira.

Em 2022, um ano de recomeço para o evento, essa sensação continuou e foi potencializada por vermos astros conhecidos como Keanu Reeves, de Matrix, e William Shatner, o Kirk de Star Trek, em painéis e sessões de autógrafos vazias ou quase esquecidas pelo público.

Não é como se isso fosse incomum. Grandes nomes dos quadrinhos como Todd MacFarlane, Mike Mignola e até a sensação da internet, o Bosslogic, estavam no chão da feira em suas cadeirinhas e mesas de plástico para atender ao público. As filas existiam, como sempre, mas estão longe de ser insuportáveis e basta um pouco de paciência para que encontre o estande deles vazio. O mesmo acontece desde sempre com astros de séries de TV como Power Rangers ou mesmo filmes clássicos dos anos 2000 como American Pie - boa parte do elenco está lá para cobrar algumas dezenas de dólares por uma foto, um autógrafo ou mesmo divulgar um livro novo, na esperança que alguém ache nostálgico suficiente falar com o Ranger Azul da geração X de Power Rangers dos EUA.

Isso tudo é comum, faz parte até da tradição do evento em não glamourizar tanto esses artistas, já que o público americano tem chance de vê-los todos os anos em momentos diversos - não é como no Brasil, por exemplo, que faria um evento só para receber alguns destes nomes. E não há nada de errado com ambos.

Por outro lado, a falta de organização e comunicação do evento faz com que nomes gigantescos sejam esquecidos no churrasco, como diria o outro. Estrela atual de filmes como John Wick e Matrix, Reeves fez um painel para pouco mais de 500 pessoas em um Hall H que cabiam mais de 7 mil. Shatner, por sua vez, teve um punhado de sessões de autógrafo, e uma homenagem especial… em um cinema a quase 1km de distância do pavilhão principal.

Não só a presença deles foi pouco alardeada, como sequer tinha uma comunicação pelo evento para lembrar o público do que e onde isso aconteceria. Online então, nem se fala. A Comic Con desconhece qualquer tipo de interação digital, aparentemente, a não ser pelo app que mostra, com algum esforço, a gigantesca programação. No fim do dia, para os que conseguiram ver, é uma oportunidade excelente; para os que sequer souberam da presença, certamente é uma decepção que poderia ter sido evitada.

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