Original, aterrorizante e hilário, 'Corra!' é um dos filmes imperdíveis do ano

(Imagem: divulgação Universal)

Nem só de continuações, remakes ou novos filmes preguiçosos para franquias alongadas vive o cinema de Hollywood. Ainda bem. ‘Corra!’, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira é “O” caso de sucesso na indústria norte-americana em 2017, uma produção que custou aproximadamente U$ 4,5 milhões e já rendeu mais de US$ 100 milhões nas bilheterias, apenas em seu país de origem. Uma prova de que apostar em uma ideia original ainda pode valer a pena.

A premissa do longa é simples: Chris (Daniel Kaluuya), um sujeito boa-praça, vai até o interior conhecer os pais da namorada, Rose (Allison Williams). Por ser negro e estar saindo com uma garota de família branca, ele teme que sua raça possa ser encarada como um problema. A moça garante que não.

Chegando lá, Chris é recebido de braços abertos. Com simpatia até demais, como logo percebe. Chama sua atenção também que os dois empregados da casa, ambos negros, apresentam comportamentos estranhos. O perigo está no ar, ainda que não se saiba direito como a ameaça irá se manifestar. Mais ou menos como o preconceito velado, aquele que “quase não existe”, mas dá as caras quando a coisa aperta.

A origem de humorista do cineasta estreante Jordan Peele, famoso pela série cômica ‘Key and Peele’, lhe dão o estofo necessário para fazer sua sátira de forma ácida. Ele ainda revela-se um ótimo diretor de suspense, ao segurar um clima de tensão perene sem sucumbir a sustos óbvios, mas apostando na criação de atmosfera, cheia de detalhes como o barulho de uma colher na xícara de uma das personagens, que aos poucos vai se tornando ameaçador.

‘Corra!’ ainda inverte deliciosamente alguns padrões pré-estabelecidos no imaginário predominante, como o começo quando um negro anda por um bairro branco rico e a região é ameaçadora – no padrão típico se mostra o contrário – ou com a chegada do carro de polícia no clímax, que, antes de representar a salvação, aponta para uma ameaça extra, um sentimento que muitos moradores da periferia conhecem bem.