A Olimpíada de Tóquio está questionado a sexualização feminina e o tabu sobre a saúde mental

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O time de ginástica feminino da Alemanha usou um uniforme diferente este ano, Simone Biles e Mayra Aguiar falam sobre vulnerabilidades (Foto: Reuters/Getty Images)
O time de ginástica feminino da Alemanha usou um uniforme diferente este ano, Simone Biles e Mayra Aguiar falam sobre vulnerabilidades (Foto: Reuters/Getty Images)

Os Jogos Olímpicos de Tóquio já começaram problemáticos. Por conta da pandemia de coronavírus, a Olimpíada foi adiada um ano e acontece agora, em 2021, no meio de uma alta de casos da doença no Japão, ainda bastante atrasado na vacinação. Mas, além disso, as competições têm trazido uma série de problematizações atuais e urgentes, que precisam ser discutidas, se queremos ver um futuro melhor. Pode parecer clichê, mas as mudanças de agora e a atenção dada ao que acontece agora é o que pode fazer a diferença mais para frente.

Collants na ginástica? Não, obrigada

A federação da Alemanha deu o que falar antes mesmo das competições de ginástica olímpica começarem durante os Jogos. Isso porque, ao contrário do que acontecia até então, as atletas usaram um tipo de collant que cobria as pernas até os tornozelos - a norma são essas atletas usarem maiôs de mangas longas, mas que deixam as pernas à mostra. O objetivo era, justamente, contestar a sexualização dos corpos femininos, algo muito comum na sociedade em geral e no esporte. Pode parecer uma escolha pequena, mas é um posicionamento e tanto quando se fala nas micro-violências que as mulheres sofrem diariamente. Usar um maiô revelador, enquanto os homens usam calças compridas e camiseta regata, com certeza diz muito sobre a maneira como vemos os corpos femininos.

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Quase como uma introdução a essa conversa, a equipe de handebol de praia feminino da Noruega virou notícia quando decidiu participar das finais do campeonato europeu, mais cedo este ano, usando top e shorts ao invés do tradicional biquíni. A escolha rendeu uma multa de quase mil reais para cada jogadora, já que a federação europeia do esporte considerou as roupas "inadequadas". O caso foi tão repercutido que até mesmo a cantora P!nk se ofereceu para pagar o valor em nome das jogadoras.

A sexualização resultante dos uniformes femininos não é algo novo, mas parece que, só agora, tem ganhado o destaque necessário para gerar conversas importantes. O fato da equipe alemã ter mudado completamente a roupa das ginastas para evitar expor os seus corpos sem necessidade - até chamando mais atenção do que o seu talento no tablado, é um passo nessa direção.

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Se pensarmos em outros esportes femininos, como o vôlei de praia, o uso de biquínis parece não só inadequado como antiquado. Antes, essa escolha poderia ter muitas justificativas, mas, hoje, passa apenas como mais uma forma de expor a forma feminina de forma a desmoralizar o seu talento e a sua capacidade intelectual.

Saúde Mental entre atletas

A atleta de ginástica artística dos EUA, Simone Biles (Foto: Wolfgang Rattay/Reuters)
A atleta de ginástica artística dos EUA, Simone Biles (Foto: Wolfgang Rattay/Reuters)

Essa semana, só se fala de Simone Biles, a ginasta norte-americana que desistiu das competições depois de participar de apenas uma prova. A justificativa? A sua saúde mental. Simone comentou em alguns momentos sobre a pressão que sente ao participar de competições desse porte, no entanto, deixou clara a necessidade de cuidar de si mesma e da sua saúde emocional - afinal, o efeito dessa saúde é direto na performance de atletas, assim como nas demais profissões. "Precisamos proteger nossas mentes e corpos e não apenas seguir e fazer o que o mundo quer que façamos", disse ela.

Por muito tempo, o esporte foi visto como entretenimento, e, talvez, ele siga sendo uma fonte de diversão e distração para muita gente, mas é um fato que, como profissão, o esporte pode ser extremamente estressante, tanto física quanto mentalmente.

Mayra Aguiar é medalhista de bronze no judô (Foto: FRANCK FIFE/AFP via Getty Images)
Mayra Aguiar é medalhista de bronze no judô (Foto: FRANCK FIFE/AFP via Getty Images)

Mayra Aguiar é outro exemplo. A judoca, que conseguiu o bronze para o Brasil na manhã de quinta-feira (29), passou por sete cirurgias nos ligamentos do joelho e passou quase 16 anos longe das lutas antes de voltar em um campeonato no mês passado - e acabou ficando de fora por não conseguir acompanhar o ritmo. Ao vencer, chorou e o choro era tanto pela alegria de vencer quanto pelo alívio emocional - depois de meses de medo, angústia, recuperações e novos procedimentos, o desgaste não era só no corpo, mas também na mente.

E, com a situação do mundo do jeito que está, deixar de falar em saúde mental é um desserviço, principalmente quando lidamos com profissionais que vivem sob pressão e que tem no próprio corpo a ferramenta de trabalho. Se mulheres como Simone e Mayra conseguem trazer a conversar um pouco mais para perto, esse é mais um motivo para aplaudi-las e, claro, prestar ainda mais atenção nelas.

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