"Ocupar o lugar de paciente é difícil", diz médica com câncer de mama

·3 min de leitura
Fernanda Barbosa, mastologista (especialista na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças da mama). Em julho, a médica foi diagnosticada com câncer de mama, aos 39 anos. Foto: Arquivo pessoal
Fernanda Barbosa, mastologista (especialista na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças da mama). Em julho, a médica foi diagnosticada com câncer de mama, aos 39 anos. Foto: Arquivo pessoal

Por Ava Freitas

"Ocupar o lugar de paciente é difícil. Não vou mentir. A gente está acostumado a ficar do outro lado", afirma Fernanda Barbosa, mastologista (especialista na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças da mama). Em julho, a médica foi diagnosticada com câncer de mama, aos 39 anos.

Sem casos na família, fatores de risco ou idade indicada para fazer o rastreamento de rotina com mamografia (exame que deve ser feito anualmente a partir dos 40 anos), Fernanda percebeu que havia algo errado ao apalpar o próprio seio.

Leia também

"Senti uma alteração na mama e fui fazer alguns exames, mas não imaginei que pudesse ser câncer de mama", conta a médica.

Apoio psicológico

Muito antes de saber que tinha a doença, Fernanda diz que já se preocupava com a parte psicológica que acompanha o mal, que afetará 66.280 mulheres em 2021, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

"É claro que o tratamento é o principal, mas a gente tem de vê-lo como um todo. Quem está sentado diante de você, no consultório ou na mesa de cirurgia, não é o câncer de mama, mas, sim, uma paciente. Então a gente precisa lidar com ela de uma forma completa. Lidar com os efeitos colaterais, com a parte psicológica, dar apoio. É uma atenção multidisciplinar", explica Fernanda.

De médica a paciente

Para a mastologista, estar ocupando a posição de paciente – e sentindo toda a angústia que a acompanha – deu a ela uma certeza. "Vai me ajudar a lidar com as pacientes ao longo da minha carreira."

Fernanda está no meio do seu tratamento, que combina sessões de quimioterapia com terapia alvo. "Tenho um tumor do tipo HER2 positivo, com mais de 2 centímetros de diâmetro. Ele não está avançado, mas eu só o senti por apalpação por causa do tamanho. Estou fazendo essas duas medicações porque elas são altamente eficazes para tratar esse tipo de tumor. Já fiz um exame de controle, onde praticamente não se vê o tumor. Depois que as sessões acabarem, vou fazer uma cirurgia."

Apoio na rotina

A médica conta que, assim como recomenda para suas pacientes, ela tem procurado manter a mesma rotina de antes do diagnóstico. "Continuo operando, atendendo no consultório, levando minhas filhas para a escola, praticando atividade física, procurando ter uma dieta saudável e aproveitando os finais de semana. Faço quimio todas as quintas-feiras. É o dia que tiro para cuidar de mim e, claro, que temos de respeitar os limites do corpo. Tem dias que não estou 100%. A gente tem de entender, dar uma parada. Fazer as minhas coisas tem me feito muito bem."

Para Fernanda, neste Outubro Rosa, é muito importante dizer que o câncer de mama tem cura. "Se diagnosticado precocemente, a cura chega até 95%. E como conseguimos isso? Fazendo a mamografia anualmente a partir dos 40 anos", afirma.

Além da mamografia, a médica também fala da importância de a mulher conhecer o próprio corpo. "A paciente deve examinar as próprias mamas. Mas, claro, que o autoexame não substitui a mamografia nem o exame clínico feito por um ginecologista ou mastologista. A paciente se conhecendo vai perceber qualquer alteração."

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos