O valor que a análise financeira pode agregar às suas aplicações

análise financeira

Apesar da chuva de propostas indecentes que inundaram o mercado financeiro do Brasil nos últimos tempos, não podemos deixar de reconhecer a grande evolução que estamos vivendo com uma grande movimentação de pessoas em busca de mais conhecimento e também de rentabilidades mais interessantes para seus investimentos. Sempre digo que sou muito otimista em relação à evolução do mercado brasileiro e reforço minha posição. O que acontece, no entanto, é que em meio a tanta informação disponível, existe um desafio muito grande em filtrar o que chega para nós, tanto levando em conta quantidade como, mais importante ainda, a qualidade do conteúdo que consumimos.

Partindo desse contexto, um tipo de serviço que tem ganhado muita relevância para quem lida com o mercado de capitais, especialmente para os iniciantes, é a análise financeira. Por meio dela, muitas informações que antes ficavam restritas aos grandes investidores ou mesmo aos profissionais que lidam diariamente com o mercado são democratizadas e conseguem chegar ao investidor individual, contribuindo para que ele alcance seus objetivos de forma muito mais rápida e eficaz.

Quando falamos em acelerar os ganhos e objetivos, no entanto, não estamos falando em propostas de retornos extraordinários. Longe disso. Como serviço que se propõe independente, o correto é que exista um cuidado muito grande das casas de análise com a propaganda que fazem. Ela precisa ser muito mais responsável do que o marketing agressivo que nos deparamos por aí.

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O papel de uma consultoria financeira é o de facilitar a vida do investidor por meio de informação de qualidade, não de colocá-lo em uma situação de alto risco ou de grande expectativa de lucros. Um dos papéis que deveria ser do analista, inclusive, é o de educar o investidor sobre a cultura de longo prazo para construção de patrimônio, ao contrário da ideia que muitos vendem, de se enriquecer rapidamente. 

Da mesma forma que a internet contribuiu com a disseminação das notícias em tempo real, também foi uma das ferramentas mais importantes para difundir a cultura da análise de investimentos, seja por meio das redes sociais, canais do YouTube, e outros meios de comunicação. No entanto, assim como o noticiário foi tomado pelas “fake news”, também é preciso cuidado na hora de escolher uma empresa que auxilie nos investimentos.

Em meio a tantas promessas não cumpridas e uma cultura de desconfiança, é natural que exista uma resistência do investidor em delegar qualquer função que tenha relação com seu dinheiro. A questão é que, ao se deparar com o mercado financeiro, muitas pessoas se veem despreparadas e acabam entrando em ciladas ou fazendo uma alocação equivocada de seus ativos. Outro problema desse cenário está na contratação de profissionais que se dizem analistas, mas que, na verdade, estão por trás de instituições que possuem conflito direto com o serviço, com remuneração atrelada aos produtos que os próprios recomendam. 

Por essas e outras que vejo a regulamentação como uma necessidade constante. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem atuado de forma insistente para coibir esse tipo de comportamento nocivo ao mercado. Para atuar como analista financeiro, o profissional de análise precisa ser independente e ter alinhamento de interesses com seus clientes. É necessário ter certificação dada pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Para consegui-la, os candidatos a analista devem ter curso superior e serem aprovados em exame do órgão.

Quando um negócio é criado com o objetivo totalmente focado no cliente, não há como aceitar qualquer tipo de conflito que leve o mesmo a agir em benefício de outras instituições. No caso das análises financeiras, o modelo de negócio não pode estar atrelado a produtos financeiros e qualquer operação é realizada pelo cliente. Ou seja, a casa de análise atua apenas como fonte de informações, o que garante total separação dos interesses.

Vejo muito valor nesse serviço quando levado de forma séria. Afinal de contas, se pararmos para pensar, qual empresa possui a vantagem competitiva de poder falar de peito aberto sobre tudo que envolve mercado financeiro e investimentos? Vejo muito pouco espaço ai. A missão é desafiadora, mas só por meio do conhecimento independente podemos fazer crescer o mercado de capitais de forma saudável e ter cada dia mais investidores no Brasil.