Camgirls impulsionam mercado e ganhos chegam até R$ 200 mil

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Ex-BBB Clara Aguiar trabalha há 10 anos no universo das camgirls (Foto: Divulgação)
Ex-BBB Clara Aguiar trabalha há 10 anos no universo das camgirls (Foto: Divulgação)

Por Gisele Rodrigues

Crescendo a cada ano e principalmente durante a pandemia, o serviço de strippers virtuais desperta ainda a curiosidade de muitos, e faz com que a indústria pornográfica ganhe cada vez mais adeptos. São milhões de usuários que acessam plataformas de conteúdo privados, e vem também criando novas fontes de renda para muitas pessoas que se dedicam a esse serviço.

As chamadas “camgirls”, mulheres que ganham dinheiro tirando a roupa em frente a uma câmera de vídeo pela internet, são as grandes protagonistas desse mercado de desejos. O faturamento desse trabalho pode chegar até mesmo R$ 300 mil reais, dependendo da base de fãs da modelo. 

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É o caso da ex-BBB e youtuber Clara Aguilar que chegou a faturar mais de R$ 100 mil em apenas um mês de transmissões nas plataformas privadas, como a Câmera Privê. “Já trabalho há mais de 10 anos com isso, comecei aos 18 anos, então tenho uma base de seguidores que fazem com que minha renda oscile mês a mês. O meu maior faturamento em um mês chegou a mais de R$ 100 mil, mas conheço gente que ganha mensalmente cerca de R$100 a 200 mil ao mês, dá para ganhar dinheiro sim, mas tem que produzir conteúdo diariamente”.

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Ela afirma que o maior medo quando iniciou a carreira era a exposição, e que hoje a maior dificuldade é o preconceito que ainda existe. “Sempre fui independente e desinibida. Mas já sofri preconceito, já tomei várias pauladas logo no começo bem jovem quando vazaram vários conteúdos meus. Porém, isso me tornou mais forte, e desde o momento que cai na internet é difícil você segurar o conteúdo, sempre falo para todas que começam na carreira para ter a consciência que uma hora vai vazar, mas hoje não me afeta mais”.

Mercado aquecido

O confinamento acabou impulsionando o mercado de strippers, e fazendo com que novas modelos também entrassem no mercado. “No começo da pandemia melhorou muito, deu um salto muito grande no meu salário, principalmente nos primeiros quatro meses. Agora, várias meninas começaram a vender conteúdo porque perderam o emprego”, conclui Clara.

Início de carreira

Assim como qualquer outra profissão, o começo não é tão fácil como pode parecer. Enquanto ainda existe o confinamento, muitas garotas vêm como oportunidade para descobrir que isso pode ser uma segunda fonte de renda.

É o caso da Bianca Dofus, que apesar de ter uma rotina normal como assistente administrativa, ela descobriu que poderia ganhar mais dinheiro criando a sua conta na plataforma da “OnlyFans” e vendendo sua rotina como uma modelo sex “soft” – uma nomenclatura para camgirls mais “fofas” e sem muito apelo sexual explícito. 

“Esse trabalho me proporciona uma renda maior até mesmo que o trabalho normal. Algumas pessoas mais próximas sabem dessa minha vida pelo Instagram, mas quando entrei nessa não pensei no julgamento das pessoas. A maioria não vê com bons olhos até porque eu moro com meus pais, e eles não sabem sobre isso”, conta a estudante.

Porém, quando chega em casa, e entre quadro paredes, ela deixa de ser a universitária que cursa enfermagem para dar lugar a uma personagem de cosplay e fazer não só strippers virtuais, mas também compartilhar a sua vida pessoal para fãs e clientes. 

“Os meus fãs pagam mensalmente R$30 para a plataforma para me verem dançar, ver fotos, mas não é só o meu corpo, querem saber sobre a minha vida, eu dedico realmente o meu tempo e a minha atenção. Mas ganho mais dinheiro quando eles pedem algum serviço no privado do Whatsapp”. O seu sonho é seguir uma faculdade de medicina e o dinheiro acaba ajudando a construir esse sonho. Mas admite que a maior parte do seu público é de homens. “Muitos casados e até mesmo casal, e tem mulheres também que pedem. Hoje, as pessoas me pedem até mesmo videochamadas de até 10 minutos para sexo virtual”.

Relacionamentos

Já a sex influencer e também youtuber Rangel Carlos, 27, Miss Bumbum SC 2017 e capa de algumas edições da revista "Sexy" conta como mantém um relacionamento junto com o trabalho. Há nove anos ela é casada com o empresário, Elquer Carlos.

“Temos um relacionamento aberto e não escondemos isso de ninguém, então o medo é menor. E nessa pandemia o consumo de conteúdo pago aumentou muito então ela não parou de trabalhar”, afirma o empresário.

Rangel assegura que os valores dos trabalhos estão casa vez maiores. “Hoje, literalmente o céu é o limite. Mesmo não me dedicando 100% do tempo consigo ganhar muito acima da média do trabalhador brasileiro. E é comum ganhar entre R$ 10 a 30 mil por mês só com receita online. Mas têm casos de até R$ 200 mil em um mês”.

A rotina de criação de conteúdo é grande, então é preciso manter a constância nas redes sociais e plataformas privadas. “Quando se trabalha para si mesmo, não tendo muito um guia acabamos reféns da nossa criatividade e isso acaba sendo a maior pedra no caminho. Outro ponto é a divulgação, como chegar no cliente final e com a concorrência aumentando isso está cada vez mais difícil”. 

Admite ainda que o seu conteúdo é 100% sensual e nu, mas acaba evitando propostas de sexo virtual por dar muito mais trabalho, mas é uma das mais pedidas.

Fantasias inusitadas

"Como criadora de conteúdo digital as coisas mais estranhas para mim é quando pedem para me ver dormindo. Como acompanhante acho que foi um pedido de sufocamento, em que um cliente pediu para afogar ele na banheira”, conta Rangel.

O mesmo aconteceu com a ex-BBB Clara que recebeu um pedido para que ela fosse paga apenas para dormir. Porém, o atrevimento foi ainda maior para a modelo Bianca.

“Geralmente me pedem vídeos tirando a roupa, dançando ou vestindo determinada roupa e sensualizando. A mais estranha foi ter pedido fazer um vídeo eu fazendo xixi, mas não aceitei, achei muito bizarro”, conta a modelo.

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