'Escola Base': o que Valmir Salaro sentiu ao enfrentar injustiçada

Valmir Salaro em
Valmir Salaro em "Escola Base - Um Repórter Enfrenta o Passado". Foto: Divulgação/Globoplay

Resumo da notícia:

  • Valmir Salaro revelou ao Yahoo o que sentiu ao ouvir injustiçada de perto

  • Jornalista da Globo revisita erros de caso Escola Base, de 1994

  • Documentário mostra repórter frente a frente com acusada

Valmir Salaro encara os próprios erros 28 anos depois em "Escola Base - Um Repórter Enfrenta o Passado" e assume a importância de dar voz a quem é injustiçado. No documentário, o jornalista da Globo revisita a investigação errônea das acusações falsas de abuso sexual infantil contra quatro donos de uma escola infantil paulistana.

Em entrevista ao Yahoo, o repórter revela como foi estar de frente com Paula Alvarenga, uma das injustiçadas do caso, e "dar a cara a tapa" como nunca havia feito. "Eu não via a Paula desde o caso. É uma emoção reencontrá-la e saber que ela está tentando recuperar a vida dela. Foi injustiçada, porque até agora não conseguiu receber a indenização que ela tem direito", reflete.

Na sequência, Salaro conta o que sentiu ao receber o perdão de quem mais sofreu com o ocorrido. "É um conforto. Quando a gente se abraça, eu me sinto confortado por ela. Ela fez questão de dizer que em nenhum momento eu a vi apanhando e isso, para mim, é muito importante”, declara ao mencionar o fato de Paula e os outros três acusados terem sido torturados pela polícia.

Questionado sobre a tentativa de tirar o peso de justiceiro de um jornalista, Salaro ressalta a necessidade de reconhecer equívocos. “Nunca me senti um justiceiro. Embora, em alguns momentos pareça que eu sou um justiceiro, com informações duras e de uma certa forma acusando o casal com base nas informações que a polícia deu, que a justiça deu", afirma.

"Acho que é importante mostrar que quando você erra, você tem que reconhecer o erro e dar o mesmo espaço e até um espaço maior para as pessoas que foram acusadas injustamente”, acrescenta.

Ele ainda confessa o desejo de que os demais envolvidos no caso também assumissem a culpa pelo desdobramento estrondoso. “Gostaria que os policiais fizessem isso, o juíz fizesse isso, os legistas, que, nesse caso, atuaram, também reconhecessem os erros que foram cometidos e prejudicaram essas seis pessoas”, conclui.

O caso Escola Base

Em 1994, os quatro donos de uma escola particular infantil da capital paulista foram acusados injustamente de abuso sexual contra crianças da instituição. Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, Paula Alvarenga e Maurício Alvarenga viraram alvo de condenação pública a partir de uma reportagem de Valmir Salaro no "Jornal Nacional". Na matéria, ele foi precursor na exposição da denúncia de duas mães de alunos contra os mantenedores.

Investigações inconclusivas, laudo equivocado e falsos testemunhos ganharam visibilidade midiática e os acusados foram condenados de forma incontrolável na opinião pública. Eles chegaram a ser tratados como criminosos e torturados pela polícia.

No entanto, o caso foi arquivado por falta de provas e os acusados foram inocentados, mas sofreram drásticas consequências financeiras e mentais pelo trauma. Icusiro, Maria e Maurício chegaram a ser indenizados por veículos de comunicação e pelo governo do Estado de São Paulo. Apenas Paula, por problemas com advogados, nunca recebeu esse dinheiro. Ela busca justiça até hoje.