O que os casamentos de Fernanda Souza e Leonardo ensinam para nós?

Fernanda Souza e Thiaguinho (Foto: Instagram / Fernanda Souza)

Até que ponto estamos dispostos a falar o que acontece de verdade uns com os outros? E o quanto queremos fazer isso pela internet? Esta semana, Poliana Rocha, esposa do cantor Leonardo, comemorou os 23 anos de casamento com um vídeo no Instagram - mas o que chamou a atenção mesmo foi a legenda.

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"Hoje completamos 23 anos de casados entre idas e vindas… passei por decepções, traições, felicidades… mas, enfim, consegui com muitas lutas segurar minha família", escreveu ela. "Que hoje, para a glória do senhor está unida e feliz! Obrigada meu @leonardo por ter me ensinado a ser uma mulher forte, guerreira… que persevera e crê nos propósitos de Deus. Eu amo você".

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Temos uma ideia bastante firmada que nas redes sociais - pelo menos, quando o assunto é o Instagram -, entram apenas as coisas boas, um recorte da vida que mostra só o quanto a rotina das pessoas é aparentemente perfeita. Pois bem, sabemos que não é tanto assim, e o que comentário de Poliana evidencia é, justamente, que muitas vezes olhamos por uma janela na crença de que ela representa a vida como um todo.

Um caso que também demonstrou essa quebra aconteceu no começo da semana, quando a apresentadora Fernanda Souza anunciou o término do casamento com o cantor Thiaguinho, alegando que a relação dos dois se tornou uma "linda amizade". Pelo Twitter, o que mais se via eram comentários de pessoas que lamentavam o fim da relação dos dois, tanto porque viam ali um ideal de casamento perfeito quanto pelo tanto que os dois participavam, tão ativamente das redes e do trabalho um do outro.

Distorção da realidade

Existem estudos que já comprovam como a visão das pessoas a respeito dos relacionamentos é distorcida - e isso fica comprovado pelas redes sociais. Segundo a pesquisa feita pela Relate, mais de 50% da geração millennial (que hoje tem entre 25 e 35 anos), acredita que os seus relacionamentos parecem mais felizes nas redes sociais do que são na realidade - e 42% fazem uso dessas ferramentas para tentar mostrar que elas são perfeitas.

A vida real, porém, conta outra história. Não é que os relacionamentos fora da internet são horríveis, mas toda relação tem os seus altos e baixos e os seus conflitos, que, de alguma forma precisam ser resolvidos para que continue saudável.

O que nos leva a outro ponto importante. Por mais que o Instagram seja a rede da perfeição fabricada, as pessoas estão casadas desse ideal imaginário e tem se beneficiado de comentários como o de Poliana e a sinceridade de Fernanda: a própria Relate explica que 92% das pessoas acreditam que seriam muito mais beneficiadas se fossem honestas umas com as outras sobre os seus relacionamentos.

É por isso, inclusive, que influenciadores que tem falado a verdade sobre o que sentem, e tirado um pouco o ar de glamour da vida que levam, tem ganhado tanto destaque na rede - apenas mais um reforço de como a população mundial, por mais que uma parcela dela pareça feliz nas redes, está doente. É um reflexo crescimento dos casos de depressão no mundo, que já atinge 322 milhões de pessoas.

Os seres humanos são a única espécie capaz de comparação, e as redes sociais são o veículo perfeito para isso. Ali, cada um posta o que acredita que vive de melhor, na espera por mais likes ou comentários, e esquece que todo mundo passa por complicações no dia a dia e sentem coisas semelhantes, em especial, a frustração por não ter uma vida que, offline, é de fato perfeita.

Sair disso leva tempo, mas, principalmente, empatia e autoconhecimento. Ter consciência de que a internet é só um meio, não um fim, e usá-la como uma forma de compartilhar o que você sente que faz bem para você e para os outros pode ser uma maneira de rever a toxicidade colocada ali. No mais, vale o conselho: buscar ser sincero e ouvir. Afinal, vida perfeita é aquela que você vive em conforto consigo mesmo e, até lá, o caminho exige conversa, acertos e erros, e nem sempre é tudo um mar de rosas.