O que o caso Marcos Mion nos ensina sobre traição

Marcela De Mingo
Marcos Mion com a esposa, Suzana Gullo (Foto: Instagram)
Marcos Mion com a esposa, Suzana Gullo (Foto: Instagram)

Com um casamento no estilo família margarina, Marcos Mion caiu na boca do povo nesta semana depois que a modelo Ana Carolina Jorge publicou na internet prints de uma suposta conversa com o apresentador, casado há 14 anos com Suzana Gullo.

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Siga a gente!

Segundo sua assessoria de imprensa, Marcos disse "estar perplexo" com a publicação de uma conversa privada e a sua repercussão, e disse ainda que a troca de mensagens aconteceu em 2018 e "nunca teve desdobramentos".

Apesar de comentários, comunicados e até tuítes subliminares, é fato que quando a notícia veio a público, levantou-se na internet toda uma discussão a respeito da traição nos relacionamentos - o que ela gera para as partes envolvidas.

Leia também

Segundo o psicólogo especialista em sexualidade e relacionamento Oswaldo M. Rodrigues Júnior, a traição é a quebra de um contrato pressuposto.

"O relacionamento entre duas pessoas implica num acordo feito, tal qual um contrato social de uma empresa", explica. "No entanto, salvo raras exceções, o que ocorre é que esse acordo é pressuposto e que seria igual a todas as pessoas numa sociedade. Assim, ao estabelecermos um relacionamento afetivo, romântico, o que fazemos é notar alguns aspectos de importância para nós, a exemplo de gostarmos da outra pessoa e ser gostado de volta. E não verificamos se ambos temos os mesmos objetivos e os mesmos caminhos a serem percorridos."

Em outras palavras, o psicólogo diz que, via de regra, as pessoas não têm o costume de confirmarem que esperam em um relacionamento e quais são as regras dessa relação. Por isso, na falta de um alinhamento, a traição aparece como um escancaramento dessa falta de clareza sobre o que foi combinado.

"Em nossa cultura, quando um casal se forma, o pressuposto é que ambos tenham dedicação exclusiva, sem dedicação a outras pessoas. A traição será ter um outro relacionamento paralelo", continua ele.

Antes a definição fosse tão simples assim. Para o psicólogo, entra nesse meio mais uma questão: o gênero. Segundo ele, homens e mulheres têm regras diferentes quando o assunto são relacionamentos: "Um homem suporta ser traído romanticamente, mas não sexualmente. Uma mulher suporta ser traída sexualmente, mas não romanticamente", diz.

Existem ainda os pormenores. Para algumas pessoas, mensagens de texto podem caracterizar uma traição. Para outras, a traição só acontece quando o parceiro ou parceira transam com outra pessoa.

Por que as pessoas traem?

Oswaldo explica que toda traição tem como base um fator individual. Isso significa que, dentro de um relacionamento, os pressupostos não ficaram claros para uma das partes quando a relação começou.

"Para algumas pessoas, o trair será uma tentativa de compreender como as coisas funcionam, e quais as consequências que virão da quebra dos pressupostos do relacionamento", explica ele. "Em adolescentes, este tipo de traição pode ser mais comum, pois os namoros são experimentais e visam compreender como funcionam as possibilidades de relacionamentos afetivo-sexuais."

Normalmente, quando um adolescente aprende que a traição não gera consequências negativas graves para as suas relações, é provável que continue repetindo esse padrão de comportamento também na vida adulta. "Este comportamento passa a fazer parte da moral dessa pessoa, e ela não sabe fazer diferente", continua o psicólogo. "É costume destas pessoas fornecerem 'explicações', como 'com ela não tinha o sexo que eu precisava', 'ele é irritante, eu queria sossego' ... Falsas justificativas que são tomadas como explicações plausíveis e raramente discutidas enquanto uma característica desenvolvida pela pessoa."

Existem também as pessoas que vão olhar para a traição como uma maneira de agredir a outra pessoa, inclusive responsabilizando a pessoa traída pela sua própria ação de trair.

"Mas um aspecto será comum: incapacidade de administrar a frustração pela falta de alguma satisfação que compreenda ser necessária para viver", diz. "O problema nunca será o outro."

Relacionamento pós-traição… existe?

Lidar com uma traição pode ser complicado. Principalmente se os termos do relacionamento não ficaram claros desde o começo. Para Oswaldo, porém, na cultura em que vivemos hoje é comum os relacionamentos continuarem mesmo diante de uma traição, porque a relação ficou estabelecida em cima de outras necessidades e bases que vão além dessa "quebra de contrato".

Mesmo que haja uma separação, ele explica que é comum casais que lidaram com uma situação como essa retomarem as dinâmicas - o que não necessariamente significa algo positivo. "Socialmente se apresenta o perdão, e fazem de conta que tudo será como antes", diz.

Pensar em manter um relacionamento pós-traição exige clareza e, principalmente diálogo. Já vimos casos como esses por aí, que resultaram em uma relação ainda mais forte e estabelecida - Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank são um exemplo -, mas não há dúvidas que manter a vida a dois saudável exige muita conversa, sinceridade e, claro, acordos claros.