"O Que Ficou pra Trás": o terror escondido na Netflix que você precisa assistir

Thiago Romariz
·2 minuto de leitura
(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Em tempos em que a política toma conta não só das redes sociais, mas também do cinema, tv e qualquer outra manifestação artística, nada mais comum do que ver gêneros se alterando para representar nossos tempos. Filmes de terror demoraram a embarcar nessa, mas aos poucos se mostram os mais eficientes em ilustrar os nossos dias sombrios. O Que Ficou Pra Trás, novo filme da Netflix, aponta para o drama dos refugiados para traçar um conto de horror moderno, mais assustador do que qualquer história de monstro ou fantasma.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

O roteiro filmado por Remi Weekes mostra a história de um casal que começa uma nova vida na periferia de Londres. Dentro da casa recém-adquirida a dupla encontra assombrações que suscitam o medo de um novo lar e os traumas de uma vida engolida pelas dores da guerra e segregação. Não existe nenhum pudor em "O Que Ficou pra Trás" quando o assunto é falar sobre preconceito, a começar pela atuação com ar de pavor dos olhares da dupla Sope Dirisu e Wunmi Mosaku, ambos perfeitos em cena.

A transformação deles, que passa por tornar o olhar triste em confronto, é o cerne do filme que não sente vergonha em expor seus fantasmas desde o primeiro momento. Momento este que não causa impacto como um tradicional terror, mas ganha proporções diferentes na hora em que o espectador descobre a origem daquelas dores. A coragem de expôr criaturas em tela distancia o longa de outros do gênero que, por medo de soar cafona, deixam a subjetividade tomar conta.

O Que Ficou Pra Trás mostra tudo, expõe o horror e assusta pelos horrores da vida real. Ele vai além da matança descontrolada, da violência doentia que permeia comunidades rasgadas por histórias de rivalidade. O filme não se contenta em discutir o racismo inerente em toda e qualquer camada da sociedade - todos trazem o preconceito consigo. O assustador aqui é notar que algumas vítimas são movidas pelo desespero, e no desespero encontram a desumanidade, e na desumanidade eternizam fantasmas. Lutar contra esse legado é a tarefa dos protagonistas, e é eterna para muitos povos que carregam fantasmas além da compreensão. Eles apenas sofrem, choram, perdem e lutam, tentando não deixar pra trás aquilo que os fizeram sofrer tanto.

———

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube