O que fazer para evitar sofrer com as picadas de insetos?

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Prepare-se! Com o início do calor, o número de insetos aumenta significativamente. E o zumbido chato no ouvido é apenas um dos problemas (talvez o menor deles). Além de provocar coceiras intensas, uma simples picada é capaz de transmitir doenças que podem levar até a morte. (E isso não é exagero).

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Segundo o Ministério da Saúde, de 1º de julho de 2017 a 30 de junho de 2018, foram confirmados 1.376 casos de febre amarela silvestre no país e 483 óbitos. Mas, como aponta o infectologista Jessé Reis Alves, esse não é o único vírus que pode ser transmitido a partir da picada de um mosquito. “Entre os mais comuns no Brasil, estão também a dengue, a zika e a chikungunya.”

Sem contar no risco da transmissão de parasitas, tais como a malária e leishmaniose. “Há cerca de 120 a 150 mil casos de malária no país por ano. É mais comum na região amazônica, mas há também ocorrências na região da Mata Atlântica (do Espírito Santo ao norte do Paraná)”, aponta Alves, que diz que a leishmaniose está mais dissipada. “Era mais comum em áreas silvestres, mas está cada vez mais próxima das cidades.”

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“A prevenção depende muito de você, mas, infelizmente, não basta para garantir o controle. Isso porque a proliferação de muitos desses mosquitos está associada ao acumulo de lixo e de água parada. Portanto, depende de nós cuidarmos do nosso espaço, mas também depende do vizinho, do poder público (…)”, explica o infectologista Alexandre Naime Barbosa, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Invista na prevenção

É não é que a crendice popular de que há pessoas que atraem mais mosquitos do que outras é verdadeira. Não é que essa pessoa tenha sangue doce, como muitos costumam brincar. Como explica Barbosa, a atração está relacionada a questões hormonais. Não à toa as mulheres são mais atraentes que os homens aos olhos dos mosquitos. “O uso de roupas escuras também é um chamariz, já que os insetos buscam se camuflar como forma de proteção.”

Ainda assim não dá para contar com a sorte, já que todos estão sujeitos a picadas de insetos infectados ou não. A recomendação, portanto, é o uso de repelente, roupas compridas (principalmente em regiões de matas), mosquiteiros ou telas.

“Há diversas opções de repelente no mercado. O recomendado é sempre checar no rótulo o tempo de duração do produto escolhido e renovar a aplicação no período indicado. Caso você tenha transpirado muito, é importante fazer a reaplicação em intervalos menores”, alerta Alves, que indica que o repelente seja passado em todas as áreas expostas do corpo. Portanto, não há nenhuma comprovação científica de que o uso de citronela –planta com poder repelente– no braço ou na cabeça seja capaz de te proteger de uma picada no pé, por exemplo.

No caso da febre amarela, a vacina é o método mais eficaz de prevenção, segundo os especialistas. É oferecida gratuitamente pelo sistema público de saúde. Atualmente, grande parte do território nacional –exceto alguns estados do Nordeste– é considera área de recomendação para a vacinação. O Ministério da Saúde pretende até abril levar essa recomendação a todo o país.

Como se livrar da coceira?

Mas se mesmo depois de adotar todos os métodos preventivos você for picado, o jeito é lidar com a coceira e ficar atento a possíveis sintomas de uma infecção.

Segundo Barbosa, a saliva dos mosquitos é composta por um coquetel de proteínas –anticoagulante, vasodilatador, antiplaquetário– que facilita a absorção do sangue, mas acaba provocando uma reação alérgica no alvo. Uma alergia que varia de pessoa para pessoa. Enquanto alguns não sentem nada, outros apresentam coceiras intensas, vermelhidão e até inchaços no local da picada.

Em casos mais graves, que são bem mais raros, é possível ainda que a picada cause um choque anafilático, uma reação alérgica que dificulta a respiração, causa náuseas, vômito, tontura, sensação de desmaio, suores intensos e aumento dos batimentos cardíacos.

Pode parecer uma missão impossível, mas a recomendação é não coçar para evitar irritações maiores na pele, bem como feridas que podem acabar gerando infecções secundárias.

A dica é recorrer às compressas de gelo e às pomadas a base de antialérgicos. Receitas caseiras indicam ainda o uso de cânfora, limão, aveia, vinagre, mel e até amaciante de carne para aliviar a coceiras. Mas não há nenhum estudo que comprovem que esses métodos alternativos realmente funcionem.

É importante ainda ficar atento e, em caso de febre, dor no corpo, nas articulações, náuseas e vômitos, procurar um atendimento médico que vai investigar a possibilidade de uma infecção viral ou parasitária (uma das citadas acima). “Tanto a dengue como a febre amarela e a malária matam, mas se diagnosticadas precocemente podem ser facilmente controlada”, destaca Barbosa.