O que é síndrome do pânico?

Fernanda Lopes
·3 minuto de leitura

A sensação de medo existe desde os seres humanos mais pré-históricos, para que pudessem pressentir quando alguma ameaça se aproximava e fossem capazes de se defender e sobreviver. Mas, quando sensações excessivas de medo se manifestam em seres humanos do mundo contemporâneo, sem que haja uma ameaça real por perto, isso pode se encaminhar para uma síndrome bastante assustadora por si só.

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A síndrome do pânico é um transtorno derivado do quadro de ansiedade, em que a pessoa se sente amedrontada, preocupada e vulnerável demais em relação a alguma situação ou à vida em geral.

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“Esses eventos ocorrem porque o nosso sistema nervoso, mais especificamente nossa amígdala cerebral, recebe estímulos de medo e de ameaça. Em segundos, nosso cérebro entende que o indivíduo precisa reagir para sobreviver, pois está em perigo eminente. O cérebro é responsável pela nossa sobrevivência também, pois assim protegemos nossas vidas de eventos, como por exemplo: um ladrão vindo nos atacar, um animal selvagem se aproximando.

Logo, nosso cérebro envia os estímulos para fuga ou o enfrentamento para a tal situação de ameaça. O que ocorre na síndrome do pânico é que o nosso cérebro entra em alerta sem eventos reais de perigo, o que chamamos de ‘sequestro da amígdala’. Os estímulos de medo se iniciam sem uma situação de perigo real”, explica a psicóloga especializada em neurociência do comportamento, Katherine Avellar.

Não há uma situação ou gatilho específico que desencadeie síndrome do pânico numa pessoa, uma vez que o cérebro pode interpretar qualquer evento ou momento como um episódio de perigo extremo. Um trauma relacionado a violência, todo o contexto socioeconômico e patológico envolvendo a pandemia de Covid-19 ou uma situação de pressão ou desconforto no trabalho podem mexer com a saúde mental, por exemplo. Em momentos em que a reação passa a ser desproporcional, o paciente tem sintomas físicos intensos também.

“Como a pessoa compreende que está em perigo real, o quadro se assemelha com ataque cardíaco. O paciente apresenta taquicardia, respiração ofegante, sentidos como visão e audição mais aguçados. Muitos pacientes realmente chegam a ir para o hospital com a certeza que estão sob efeito de um possível ataque cardíaco”, diz a profissional.

É importante ressaltar que existem a síndrome do pânico e a crise de pânico, que é um episódio pontual com sintomas como os descritos acima. Um episódio isolado de crise de pânico pode ser tratado logo de início, para prevenir que a doença avance e deixe o paciente num estado pior.

“A pessoa começa a antecipar, a cada episódio vivido, o medo de um novo ataque. Isso se chama manutenção da doença, pois antecipamos a situação e contamos para o nosso cérebro: se prepara, vai acontecer novamente, estou em perigo. Pronto, você irá viver novamente o ataque, pois o seu cérebro entendeu o contexto de ameaça. Por esse motivo, no primeiro evento de pânico, procure um psicólogo e um psiquiatra para auxiliar com um tratamento, visando cessar esses ataques”, indica Katherine.

Ela ressalta que é muito importante buscar auxílio de profissionais de saúde mental antes de se automedicar. O tratamento psicológico busca a compreensão do problema desde a raiz, para que a pessoa entenda por que se sente assim e para que possa aprender manejos emocionais e técnicos para lidar com seu caso.

“Havendo necessidade de medicação, visto que temos alterações químicas cerebrais nesse contexto do pânico, encaminhamos para o psiquiatra e fazemos um trabalham multiprofissional. Síndrome do pânico tem cura, não é permanente, desde que seja tratada junto aos especialistas. Quanto mais cedo o paciente buscar ajuda, melhor será na condução”, aconselha a psicóloga.