O que é parentalidade positiva?

Na hora de escolher a melhor maneira de criar os filhos, a lista de métodos parentais e expressões da moda é quilométrica. Você se identifica como uma "mãe leoa"? Gosta mais da "parentalidade apegada"? Ou, entre todos os tipos de métodos parentais, você prefere uma abordagem que leve em consideração os sentimentos da criança?

Robert Johnson, de Connecticut, nos EUA, conta que, para estabelecer limites, lidar com maus comportamentos e ensinar as crianças usando métodos de disciplina positiva, ele escolheu o caminho da "parentalidade positiva". Ele afirma que esse estilo parental, que busca promover as qualidades que você quer ver na criança por meio da compaixão e da definição de limites consistentes, foi uma boa ferramenta para melhorar como pai.

"A dinâmica familiar fica mais saudável e empática", disse Johnson ao Yahoo Vida e Estilo, acrescentando que a prática também reduz a tensão e o ressentimento entre crianças e cuidadores. "Com esse método os pais e mães estabelecem limites firmes para que os filhos se sintam seguros e protegidos, mas também dão espaço para as crianças expressarem seus pensamentos, desejos e necessidades".

"As famílias também podem se ajustar, escolhendo comportamentos e regras que sejam benéficos para todos", diz Johnson. "A capacidade de adaptação é um talento essencial para adquirir na infância, pois ser capaz de se adequar às mudanças é fundamental para passar pelos altos e baixos da vida".

O que é parentalidade positiva?

"A parentalidade positiva é um estilo de educação que incentiva o relacionamento familiar com base nos desejos e nas escolhas das crianças, e não nas expectativas e regras impostas pelos pais", diz Shauna Hatcher, nutricionista certificada e redatora especializada da National Wellness and Public Health Network. "Com ênfase no otimismo e na paciência em vez de medo e punições, esse método ensina as crianças a fazer a coisa certa".

Hatcher diz que os pais que praticam a parentalidade positiva ensinam e tratam os filhos como pequenos adultos: os sentimentos das crianças são ouvidos e respeitados, e a disciplina vem na forma de consequências na vida real, em vez de punições impostas pelos adultos.

O método em ação

Mas em qual situação da vida real a parentalidade positiva entra em ação? Imagine que você pede para o seu filho esperar por você antes de andar pela sala com um copo cheio de leite. Em vez de obedecer, a criança atravessa a sala correndo, derrama o leite, fica claramente frustrada com o acidente e faz birra.

Seguindo as orientações do método gritar com a criança não é uma opção. Em vez disso, a reação correta seria abaixar para ficar na altura dos olhos dela e ajudá-la a controlar as emoções, expressando compreensão pela frustração e reforçando que você pediu para ela esperar justamente para evitar acidentes e garantir a segurança dela.

Em vez de punições como ir para um cantinho ou ficar sem o brinquedo favorito, que algumas pessoas consideram "castigos tradicionais", a opção seria pedir para a criança ajudar a limpar a bagunça que fez: uma consequência do mundo real por ter derramado o leite.

"A parentalidade positiva defende o esforço de toda a família para ensinar os filhos a expressar suas emoções de uma forma socialmente aceitável e adequada para a idade", disse Hatcher. "É uma boa maneira de criar crianças alegres, autônomas e autoconfiantes".

Como aplicar à vida real?

Mo Mulla, fundador do site Parental Questions, especialista e adepto da parentalidade positiva, diz que, para garantir que a prática seja adequada para a família, é importante que pais e mães façam algumas pesquisas antes de começar a aplicar esse estilo de educação.

Mulla recomenda procurar livros, blogs e até algumas aulas de parentalidade positiva antes de entrar de cabeça na prática, mas oferece algumas dicas para os pais e mães que estão se perguntando como começar com essa abordagem.

Primeiro, diga para a criança que ela tem voz e deve usá-la. Segundo Mulla, ao permitir que a criança participe das decisões, é mais provável que ela se sinta respeitada e ouvida.

Ele sugere entender o que acalma cada um dos seus filhos quando eles estão chateados, pois o que funciona para uma criança pode não funcionar para outra. Além disso, o especialista diz que é bom evitar começar qualquer frase com "porque eu mandei", já que isso impede a criança de compreender a situação e aprender com ela.

É um esforço tanto individual quanto coletivo.

"Quem tem vários filhos deve procurar passar um tempo sozinho com cada um, mesmo que seja apenas por alguns minutos, uma ou duas vezes por dia", acrescenta Mulla. "As crianças precisam saber que são amadas e não precisam competir pelo tempo dos pais".

A disciplina na parentalidade positiva

Marcela Collier, especialista em parentalidade positiva que compartilha conhecimentos, dicas e exemplos da vida real da própria família nas redes sociais, gosta de ajudar mães e pais do mundo todo a adotar esse método.

"Prefiro chamar esse estilo de criação de 'parentalidade com compreensão', porque as reações gentis não são suficientes para corrigir o comportamento", diz Collier. "É preciso compreender as necessidades que as crianças comunicam através dos comportamentos. Todo comportamento é a comunicação de uma necessidade".

Collier descreve a parentalidade com compreensão como a ênfase em ensinar as habilidades de que as crianças precisam para comunicar suas necessidades de forma eficaz e explica que a criação tradicional se concentra em punições por "mau" comportamento sem ensinar habilidades de comunicação. Segundo ela, com uma abordagem tradicional, as crianças acabam se sentindo envergonhadas e desanimadas.

De acordo com Collier, um grande equívoco sobre a parentalidade positiva, especialmente em comunidades online, é achar que o método dá total liberdade de ação para a criança, sem limites nem disciplina. Ela diz que essa percepção é completamente errada.

"A principal diferença entre disciplina e punição é que a punição é o que você faz com a criança, e disciplina é o que você faz para a criança", diz ela. "Comportamento é comunicação: a criança está claramente comunicando alguma coisa, mesmo que não seja de forma respeitosa".

Segundo ela, o objetivo da parentalidade positiva é ajudar as crianças a descobrir maneiras positivas de comunicar suas necessidades, tirando o foco das punições por ações impulsivas.

Nem tudo são rosas

Existem desvantagens na parentalidade positiva? Depende do ponto de vista. Mulla, por exemplo, diz que não vê "desvantagens significativas" na abordagem.

Já Hatcher adverte que a estratégia requer muito empenho dos pais e mães e "é um grande desafio"."Esse método exige muito autocontrole", diz ela. "É preciso agir de forma proativa e não reativa, tomar decisões deliberadas e servir como modelo de empatia, compreensão, respeito e comunicação".

Johnson diz que, apesar do trabalho árduo, valeu a pena para sua família. Para descrever a abordagem, ele usa um ditado popular em muitas religiões e culturas."Na parentalidade positiva, também vale a máxima de qualquer relação: trate os outros como você gostaria de ser tratado".