O que é libido? 7 coisas que você precisa saber

Achou que libido era só sexo? Pense de novo (Foto: Getty Images)

Na última semana, o Google liberou a sua lista com os assuntos mais pesquisados do ano, e qual foi a nossa surpresa ao saber que a pergunta 'O que é libido?’ está entre as primeiras colocadas? 

Por isso, conversamos com Marcos Santos, sexólogo especialista em sexualidade humana da plataforma Sexo Sem Dúvida para tirar as principais dúvidas sobre o assunto. Importante dizer, logo de cara, que a libido é um fator importantíssimo na saúde das pessoas, e a sua variação ajuda, até mesmo, no diagnóstico de doenças como a depressão.  

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1.Afinal, o que é libido?

A libido é entendida como o desejo sexual que sentimos a partir de estímulos sensoriais (visuais, táteis, auditivos ou olfativos). 

Para explicar melhor como ele funciona, Marcos compara o corpo humano com uma grande bateria, em que a libido é a energia "que abastece essa bateria de sentido e vida". Ele se manifesta de formas diferentes em homens e mulheres, mas está sempre presente. "Entendendo a libido como uma manifestação da vida psíquica que ocorre em fases distintas e por razões diversas ao longo da vida e por todo o corpo, vale muito a pena tratarmos do assunto também como uma forma de autoconhecimento". 

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2.Não é só hormônios em ação

Ao contrário do que se pensa, a libido não está ligada apenas à questão hormonal, mas pode ser estimulada e também agir de forma espontânea ao longo da vida. Por isso, a ação do ambiente e a forma como as pessoas se relacionam têm um impacto direto na libido de alguém. Isso fica claro, particularmente, no caso das mulheres. 

"A testosterona é um dos hormônios que influenciam seu aumento e diminuição do ponto de vista fisiológico, mas precisamos também relacioná-la à vida psicossocial, principalmente nas mulheres", diz Marcos. "O estímulo biológico (causado por hormônios) não é o suficiente para provocar na mulher o desejo sexual. Além disso, a libido será impactada principalmente pela função que o sexo ocupa na vida dela. Por exemplo, se a mulher está com um problema com quem ela costuma ter relações sexuais, a tendência é a libido diminuir". 

Outro ponto importante é lembrar que o uso de alguns medicamentos, como os antidepressivos, também podem influenciar na libido de alguém, sendo um efeito colateral comum no tratamento da depressão, por exemplo.

3.Libido não é só sexo

Um equívoco comum é achar que a libido se restringe apenas ao ato sexual. Não é isso. "Ter libido deve ser entendido como ter 'tesão' também por outras coisas na vida, tais como: motivação para o trabalho, lazer, vida em família, social, atividades espontâneas, ações voluntárias", diz o especialista. "Perceber então em primeiro lugar para onde aponta sua libido no sentido interesse e vontade pode ser tão relevante quanto a libido analisada restritamente como uma energia que nos move para o sexo."

4.A libido pode, sim, diminuir com o tempo 

É verdade o que dizem sobre a libido diminuir com o tempo. Porém, a motivação sexual, tanto masculina quanto feminina, não necessariamente acaba. "Ela pode se estender por toda a vida, não havendo contraindicações para que continuem a amar, sentir desejo, despertar fantasias, viver paixões e buscar novos significados para a própria existência", explica.

5.Tem relação com doenças mentais

A falta de desejo sexual, ou de libido, pode ser causada por muitos motivos. Porém, ela pode, sim, estar associada tanto a doenças do tipo psicossomáticas, como a transtornos mentais e emocionais. 

Em qualquer um dos casos, a busca por um tratamento adequado, especialmente de ordem psíquica, é essencial. E vale sempre a investigação: o que gerou o quê? A depressão causou a queda na libido, ou a depressão se instalou por causa da baixa libido, entendida aqui como motivação pessoal? "A ideia de uma vida equilibrada, com a saúde física, mental e afetiva sexual andando juntas, nos permite confrontar as causas para queda na libido como também os sintomas derivados desta", diz Marcos.

6.Excesso de libido nem sempre é bom

A fantasia de uma vida sexual super ativa, nos moldes do que os homens costumam ver no pornô parece o ideal, mas nem sempre condiz com a realidade. Na verdade, assim como uma quebra brusca na libido é sinal de alerta, o seu excesso também. " Se a libido é um instinto que evoluiu com aspectos emocionais e hoje pode ser racionalizada para uma potência humana, não podemos ignorar seu excesso principalmente quando perceptível, quer seja na liberação das pessoas para o sexo livre de coleiras do ego, quer seja nas dinâmicas sexuais de risco (estas últimas podendo derivar e ou culminar em transtornos sexuais)", atenta o sexólogo. 

7.Não existe um nível ideal de libido

Pensando em excessos e faltas, paramos para pensar: existe um nível considerado ideal de libido no corpo humano? A verdade, segundo o especialista, é que não há um "libidômetro" para mensurar ou quantificar essa energia. Isso depende, de verdade, de cada pessoa observar a si mesma para entender a quantas anda a sua própria libido. 

"Se fôssemos idealizá-la seria através da busca individual de uma vida afetiva sexual madura, ativa e saudável. Não diz respeito a um tipo de relacionamento, mas a qualidade das relações. Não diz respeito a um modelo ou convenção social, mas ao bom senso em sociedade. Não diz respeito a um único sentimento, mas a uma gama de sensações e percepções ao longo da vida", reflete o profissional. "Arrisco dizer, então, que o nível de libido ideal será aquele que se mostra gradual e alinhado às demais demandas da vida humana. Sexo é necessidade, mas precisa ser entendido, tratado e praticado como lazer e saúde. Libido é o ponto de partida que nos coloca na rota de desejos. Precisamos descobrir para onde aponta nossa libido e quais são os nossos desejos antes de idealizarmos níveis desta energia para uma vida mais feliz."