O que é capacitismo? Influenciadores nos ensinam a acabar com esse preconceito

Lucas Pasin
·6 minuto de leitura
Influenciadores definem o que é capacitismo e falam como combater
Influenciadores definem o que é capacitismo e falam como combater

Diminuir alguém, achar que a pessoa não é capaz e tratar o outro com diferença. Nada disso cabe no nosso dia a dia e precisa ser cada vez mais combatido. Tais atitudes, quando praticadas com pessoas com deficiência (PCDs) - que representam 24% da população brasileira (45,6 milhões) - ganham o nome de 'Capacitismo', um preconceito e opressão que precisa ser cada vez mais discutido.

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Por isso, o Yahoo!, neste domingo (11), Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física, resolveu dar voz a quem sente o capacitismo na pele. Influenciadores, como Pequena Lo, com 1,5 milhão de seguidores no Instagram, definem 'o que é capacitismo e como combater'.

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Vale lembrar que acabamos de sair do 'Setembro Verde' - que reforça importância da acessibilidade e inclusão social das Pessoas com Deficiência - e que no dia 21 de setembro também celebramos o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

O tema é cada vez mais atual e a necessidade de se combater o preconceito é cada vez mais presente!

Pequena Lo:

“Capacitismo é um preconceito, é opressão, é uma discriminação contra a pessoa com deficiência. É a ideia equivocada de que as pessoas têm de achar que a pessoa com deficiência é inferior, é incapaz de realizar alguma situação ou trabalho. Defino ele com essas palavras. Falta informação e através dos meus vídeos eu levo humor e representatividades”.

“Podemos frequentar todos os lugares apesar das limitações. Precisamos quebrar esse tabu, mudar a visão das pessoas em relação a nós. Muitas pessoas com deficiência, que fogem do padrão que a sociedade impõe, estão conseguindo se mostrar pela internet e comprovar que podemos tudo, que temos direito. Podemos ser quem nós queremos ser, conquistar nossos sonhos. Aos poucos eu tenho certeza que vamos eliminar esse capacitismo, já vejo uma evolução. Estamos a passos lentos, mas a evolução pode vir sim.”

Ivan Baron:

“Capacitismo é aquela velha ideologia que apenas corpos e mentes perfeitas são funcionais, e quem não preencher esses requisitos estarão excluídos, isso vale para as Pessoas com Deficiência.”

“A melhor forma de combater é a desconstrução, criando novas narrativas aonde essas pessoas sejam protagonistas e não estejam mais em papéis de “Especiais” ou “Desumanos”.

Maria Paula Vieira:

“Capacitismo é a discriminação, opressão ou abuso à pessoa com deficiência. Um conjunto de situações que passamos ao longo da nossa vida que afetam desde a nossa autoestima até nossas oportunidades dentro de uma sociedade! Essas situações são extremamente claras, como ofensas, termos pejorativos como “retardado”, “aleijado”, lugares sem acessibilidade, empresas e escolas que não querem dar acesso a nós, mas também têm algumas situações que podem ser por falta de informação das pessoas como elogios “tão linda, nem parece deficiente” ou “você é um exemplo de superação” entre outros”.

“O capacitismo, como todo preconceito, é estrutural, vem de uma base cultural e histórica da sociedade, por isso o combate a ele precisa ser através da informação! Só que é necessário que para que a informação chegue, seja consumido mais conteúdo de influenciadores com deficiência, os espaços estejam abertos a ouvir as pessoas com deficiência, e as pessoas se proponham a compreender e desconstruir o que é dito. Também é necessário trazer a inclusão e conversa sobre isso em ambiente escolar, que é nosso primeiro contato com a sociedade, são as novas gerações que vão desconstruir ainda mais essa estrutura.”

Mari Fuso:

“Capacitismo é toda e qualquer forma de preconceito que pessoas com deficiência sofrem apenas por serem uma pessoa com deficiência. Inclusive este é termo correto de nos chamar: PCD - Pessoa Com Deficiência. Sim, isso existe, da mesma forma que existe o racismo para pessoas negras, no entanto, o que ocorre é que não se aborda tanto o tema, ele ainda não é tão discutido e conhecido como tantas outras pautas de minorias. A luta PCD ainda é uma luta invisível! Por isso torna-se tão importante falar sobre este assunto atualmente!”

A palavra “capacitismo” vem de capacidade. As pessoas duvidam a todo tempo da nossa capacidade de fazer qualquer coisa. Também temos Capacitismo na maneira de tratamento. Eu, com meus 26 anos, muitas vezes sou tratada como criança apenas por estar na cadeira de rodas. É a tal da infantilização! Quantos beijos na cabeça eu já recebi? Quantas vezes em um bar já me ofereceram água? Por que é tão difícil me relacionar romanticamente com alguém? Por culpa do Capacitismo!”

“Inicialmente o Capacitismo precisa ser conhecido para ser combatido. Pessoas com deficiência existem. Uma boa maneira de dissolvê-lo é inicialmente entender que somos pessoas como qualquer outra.
Quando as pessoas conseguirem entender e associar que ser PCD não anula o fato de ser uma pessoa comum, quando entenderem que temos sonhos, vontades, capacidades, e que você pode e deve perguntar meu nome para mim mesma e não para a pessoa que está comigo...Acho que quando essas simples atitudes começarem a acontecer com a naturalidade que ela requer, então vamos começar a ter uma sociedade menos Capacitistas.”

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Esses dias vi uma pergunta em um desses grupos de facebook: a sua autoestima está atrelada à que?⁣ Alguns diziam que era inteligência, beleza, outros insuficiência, inseguranças. Eu já sabia o que responder. Minha autoestima sempre esteve ligada ao meu corpo, não porque queria seguir um padrão. Minha autoestima sempre esteve ligada ao meu corpo porque eu tenho uma deficiência. Isso é o suficiente pra começar a explicar qualquer coisa. ⁣ ⁣ Não é só a minha barriga maior ou menor dependendo do quanto eu como. É o jeito de sentar torta na cadeira, mexer a boca quando os músculos do rosto estão cansados, apoiar minha cabeça no ombro, segurar as coisas com as duas mãos. É o jeito que eu arrumo meu cabelo. É assim, igual no vídeo. Eu faço isso em qualquer lugar, em festa, em casa, com alguém. A maneira que eu abro a boca ao fazer força, apoio meu braço no outro e abaixo a cabeça - porque mesmo com tudo isso, meu braço não chega muito além. É o jeito que eu adaptei algo tão simples. ⁣ ⁣ Minha autoestima não tem como não estar ligada a isso. As pessoas me olham. Elas acham estranho. Eu consigo ver. Mas eu não vou deixar de arrumar meu cabelo por isso, tá doida? Aprendi que esse é o preço que se paga por ser tão diferente. Talvez arrumar meu cabelo no meio de uma balada seja um gesto de luta. Ou, talvez, eu só queria passar a mão pra conferir que to gata enquanto chamo atenção. Eu sempre vou chamar atenção - e isso não é algo que eu gosto. Mas aprendi também, que eu posso, levantar a cabeça, sabendo que meu cabelo tá perfeito (pq eu arrumei rs) e olhar com essa carinha de quem não entendeu os olhares. ⁣ ⁣ Certeza que é porque hidratei ele hoje. É isso, né? #AME #disabilitypride #bodypositive #disabledbodiesmatters #corposcomdeficiência #nãomeapague #cadeirante #wheelchairlife #wheelchairgirl #lovedisabledbodies #representatividade #meucorpoéreal #corporeal #pcd #representationmatters #wheelchairfashion #acessibility #inclusionmatters

Uma publicação compartilhada por Ana Clara Moniz (@_anaclarabm) em

Ana Clara Moniz:

"Falar de capacitismo é falar contra preconceito. O capacitismo é muito amplo e muito intriseco na nossa sociedade. É difícil até definir o que a gente passa. É uma forma de excluir e apagar pessoas com deficiência da sociedade. Muitas vezes nem é por mal, é por falta de informação."

"Preconceito é ignorância, falta de conhecimento. Para combater o capacitismo precisamos entender o que as pessoas com deficiência passam. Precisamos escutar e entender. E, a partir disso, pensar em como podemos ser melhores com isso. Todos podem ser capacitistas, inclusive pessoas com deficiência. É preciso espalhar informação e conhecimento para que todos entendam que isso acontece e o quanto pode ser violento."

Jéssica Teixeira:

“Falar de capacitismo é falar de um olhar comum que as outras pessoas têm sobre os nossos corpos. Este não é o mesmo olhar que nós temos dos nossos corpos diante das nossas experiências de vida. Atrelam os nossos corpos a sofrimento, a algo negativo. Nos tratam como invisíveis. Não somos. Capacitismo é estruturante. Se eu não colocar a minha voz vão falar por mim e vão falar o que acreditam o que é melhor pra mim. Aos olhos dos capacitistas nós somos invisíveis. Não nos percebem e nós existimos.”

“O grande combate de fato acontece quando as pessoas reconhecerem que não são donas da verdade e que seu olhar não é soberano. Combater o capacitismo é fazer uma autoconsciência. Se todo mundo tiver uma consciência de que as pessoas não sabem nem o melhor pra elas mesmas, imagina pro outro, já conseguiríamos começar a combater. Não somos incapazes. A palavra capacitismo vem disso, de capacidade!”.