O que aconteceu quando fiquei 10 dias sem tomar café

Crédito da imagem: Getty

Por Stephanie Eckelkamp For Prevention Harper’s Bazaar

Jennifer Lopez revelou recentemente que limita sua ingestão de cafeína e álcool, uma escolha que ela considera fundamental para ter um corpo e uma mente saudáveis, aos 49 anos de idade.

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Posando quase nua para a revista InStyle, ela disse: “Tenho cuidado de mim, e isso se reflete na minha aparência”.

Nós desafiamos uma amante do café a abandonar temporariamente esta fonte artificial diária de energia. Saiba o que aconteceu.



Meu amor pelo café começou no ensino médio com “cappuccinos” fracos e açucarados. Depois, na faculdade, comecei a tomar Nescafé, Starbucks, e marcas hipster sofisticadas.

Em algum ponto deste caminho, no entanto, esta bebida gloriosa se transformou mais em uma necessidade do que em um prazer. Nas manhãs atarefadas quando eu tinha que escolher entre fazer um café e tomar banho, eu acabava indo para o trabalho desarrumada, sem maquiagem, mas totalmente energizada.

Quando eu viajava a trabalho, não hesitava em tomar aquele café gratuito oferecido pelo hotel – que tem um sabor químico – para conseguir manter um nível básico de funcionamento humano.

Por 10 anos fui escrava desta bebida, tomando pelo menos duas xícaras por dia, e com frequência três ou quatro. No entanto, no mês passado, eu decidi que precisava parar de depender tanto dela.

Eu não acho que o café me faz mal (na verdade, ele foi associado a diversos benefícios para a saúde), mas eu queria saber como a vida seria sem ele. Será que eu realmente precisava dele, ou poderia sobreviver, e até prosperar, sem a sua ajuda?

A seguir, conto o que aconteceu quando decidi cortar completamente o café e a cafeína por 10 dias.

Eu descobri que as ressacas não são causadas pelo álcool

Pergunte a qualquer especialista e ele provavelmente vai lhe aconselhar a diminuir a ingestão de cafeína substituindo uma de suas xícaras diárias de café por uma versão descafeinada ou um chá de ervas, até conseguir eliminá-la por completo.

Dessa forma, você reduz a probabilidade de sentir dores de cabeça decorrentes da abstinência, capazes de rivalizar com a sua pior ressaca. O problema de fazer essa mudança do dia para a noite, conforme eu aprendi no segundo dia, é que seu cérebro não tem tempo para se adaptar.

Aqui vai uma pequena aula de biologia: a cafeína é similar, estruturalmente, à adenosina, uma substância química que costuma se prender a receptores no cérebro para nos fazer sentir cansados. No entanto, quando tomamos bebidas como chá e café, a cafeína se prende a estes receptores e bloqueia a adenosina, mantendo-nos alertas.

Quanto mais café você toma, mais receptores de adenosina seu cérebro cria, fazendo com que mais cafeína seja necessária para mantê-lo alerta.

Nós nos sentimos mal quando cortamos a cafeína porque uma quantidade de adenosina muito maior do que a normal inunda o cérebro, já que há um número mais alto de receptores que a cafeína não está mais bloqueando. Isso não apenas nos deixa muito cansados, mas também dilata os vasos sanguíneos, provocando dores de cabeça.

A boa notícia: se você continuar se abstendo do café, ou se ingerir apenas uma xícara ou duas por dia, o número de receptores vai diminuir até chegar a um nível normal, e você vai parar de se sentir tão mal.

Minha produtividade acabou

Um conselho: se você pretende cortar a cafeína, não faça isso no começo de uma semana de trabalho. Eu fiz meu experimento durante uma semana de férias, e sou muito grata por isso, já que o número de sonecas que tirei, teria sido impossível no escritório.

Eu me saí relativamente bem fazendo tarefas domésticas, indo ao supermercado e resolvendo outras pendências que me mantiveram em movimento, mas quando tentava me sentar e fazer algo um pouco mais exigente mentalmente, parecia que eu tinha tomado um sedativo.

Então, se você vai fazer isso, recomendo começar na sexta-feira para que os seus dois piores dias (o segundo e o terceiro) caiam no final de semana, quando eu espero que você não esteja preso a uma cadeira no escritório e não tenha que tomar decisões importantes.

A vontade de comer açúcar disparou, pelo menos inicialmente

Um efeito colateral que eu não esperava foi a vontade maior de comer certas coisas. A queda no meu nível de energia me deixou faminta por qualquer alimento que pudesse me proporcionar um impulso instantâneo, ou seja, qualquer coisa doce. Felizmente, esta sensação foi embora depois dos primeiros três dias.

Ainda assim, não foi fácil lidar com ela. Recomendo ter muitas frutas em casa para lidar com a vontade de comer doce de uma maneira saudável, mas abra uma exceção para comer o que você realmente quer – você merece.

O chá de ervas foi um bom substituto

Parte da razão pela qual eu aprecio tanto o meu café matinal não tem nada a ver com a cafeína, e sim com o ritual de dedicar um tempo para tomar algo quente e reconfortante enquanto eu me preparo mentalmente para o dia atarefado que está prestes a começar.

Por isso, tomar xícara atrás de xícara de chá de ervas (maçã com canela, gengibre e limão, hortelã, entre outros) foi uma forma deliciosa de atenuar o desconforto inicial do meu novo estilo de vida – sem cafeína. Daqui em diante, pretendo manter esse hábito – pelo menos no lugar da minha segunda xícara de café.

Crédito da imagem: Unsplash: Dominik Moron

Comecei a ir dormir mais cedo e a acordar mais cedo

Agora, vamos falar sobre alguns dos efeitos colaterais positivos desse experimento. Considerando minha exaustão, eu era forçada a ir para a cama em um horário razoável, por volta das 22h ou 22h30 na maioria das noites – algo que eu vinha tentando fazer há anos.

Depois de alguns dias dormindo mais cedo, fiquei chocada ao perceber que eu era capaz de acordar as 5h30 da manhã me sentindo renovada, sem apertar o botão de soneca do despertador.

Percebi que tomar a minha última xícara de café por volta das 14h ou 15h sabotava a minha habilidade de ir dormir mais cedo, e consequentemente fazia com que eu sentisse que precisava de mais café pela manhã.

Finalmente, eu me senti muito bem

Comecei a me sentir melhor no quarto dia, mas entre o sétimo e o décimo, a mudança foi incrível. Minhas dores de cabeça desapareceram completamente, eu me senti bem descansada sem café, pela primeira vez em anos, e meus níveis de energia se igualaram aos de quando eu consumia duas ou três xícaras por dia.

Isso me ensinou que muitas pessoas que pensam que precisam do café para funcionar estão equivocadas. Se nós dermos ao nosso corpo um tempo para se adaptar e funcionar sem cafeína (ou com uma quantidade mínima da mesma) vamos conseguir nos sentir igualmente energizados, mas de uma forma mais sustentável que provavelmente não faz parte do nosso dia a dia há anos.

Vou voltar a tomar café?

Sim, parcialmente porque eu simplesmente amo o sabor de uma boa xícara de café. No entanto, definitivamente, não vou beber tanto quanto bebia. Eu planejo consumi-lo estrategicamente e com moderação, ou em ocasiões especiais, para que não me torne imune aos seus efeitos energizantes e possa obter aquela dose extra de motivação quando realmente precisar dela.

No geral, este foi um fantástico (embora doloroso) alerta sobre o quanto eu dependia do café, mas também foi positivo perceber a incrível capacidade que meu corpo tem de se adaptar às mudanças.