O que acontece com seu corpo durante o voo (e como lidar)

Homem sofre com dor de ouvido durante voo (Foto: Getty Images)

Por Kelisson Rodrigues (@Kelisson)

Definitivamente, não nascemos para voar. Prova disso são as reações do nosso corpo após passar muitas horas no avião, algo que incomoda tanto quanto qualquer turbulência.

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De acordo com o André Mansano, médico especialista no tratamento de dores crônicas da Universidade Estadual de Londrina, a quantidade de oxigênio dentro da aeronave é menor do que estamos acostumados, e isso pode gerar uma sensação de fraqueza, de inchaço, alterações no paladar e outras sensações e modificações corporais. Confira:

Desidratação

Uma das reações mais frequentes é a desidratação, que ocorre basicamente por dois motivos. O primeiro é que a maioria dos passageiros ingere pouco líquido, principalmente porque ir ao banheiro costuma ser uma experiência desconfortável em aviões.

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Depois, a umidade relativa do ar dentro da aeronave varia de 5 a 35%, um nível comparável a alguns desertos. Por isso, beber bastante líquido é fundamental para reduzir esses sintomas.

Embriaguez acelerada

Falando em líquido, o Dr. André diz não haver problemas em consumir pequenas quantidades de bebidas alcoólicas durante o voo. “Só tome cuidado para não se embriagar e gerar comportamentos inadequados, colocando em risco a segurança de toda a tripulação e passageiros”, alerta.

Dor de cabeça…

Há mais de 150 tipos de dores de cabeça, e um delas surge somente na hora do voo. As principais características desse tipo de cefaleia são forte intensidade, duração de 30 minutos e dor em um só lado da cabeça, geralmente na região frontal.

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Os mecanismos desse tipo de dor de cabeça não são conhecidos, mas acredita-se que as alterações de pressão durante a decolagem tenham papel importante.

A ansiedade durante o voo também é muito frequente entre pessoas que apresentam esse problema, que afeta mulheres e homens na mesma proporção.

Recomenda-se tomar analgésicos (desde que orientados pelo seu médico) de 30 a 60 minutos antes de decolar.

…E de ouvido

As dores de ouvido também são muito comuns nas alturas. Isso ocorre porque o nosso ouvido não consegue equilibrar as bruscas alterações de pressão causadas por pousos e decolagens. Fazer um “bocejo forçado” auxilia significativamente no equilíbrio dessas pressões.

Pernas inchadas

É muito difícil afirmar exatamente em quanto tempo a circulação ou se será afetada, já que a condição circulatória varia de cada pessoa. Por isso algumas pessoas sentem a perna inchar e ficar pesada.

O risco de trombose venosa aumenta bastante após 8 horas de viagem, mas medidas simples podem reduzir ou até eliminar esse problema.

As principais são caminhar durante o voo, ao menos a cada hora, e usar meias de compressão. Fazer pequenos exercícios durante a viagem, mesmo sentado (movimentos com os pés para ativar a musculatura da panturrilha), e manter-se hidratado também pode ajudar.

Outro ponto importante é a redução da circulação, mais especificamente a quantidade de sangue que volta das pernas para o coração, justamente por ficar tempo demais sentado, na mesma posição. Novamente, levantar e caminhar a cada hora, em períodos permitidos do voo, minimizam muito esse problema, e o uso de meias elásticas compressivas  também são bastante úteis.

O temido jet lag

Isso acontece quando mudamos repentinamente de fuso horário. Quanto maior essa modificação de tempo, maiores seus efeitos. Entre eles, estão cansaço, sonolência, insônia, irritabilidade, náusea, dor de cabeça e mal-estar. Essa alteração brusca no ciclo do organismo pode causar até mudanças hormonais. 

As forma mais eficaz de reduzir esses efeitos é descansar adequadamente antes da viagem e simular o ambiente para onde irá. Se viajará para um local cujo fuso horário é menor, experimente dormir uma ou duas horas mais cedo do que o habitual nos dias anteriores, por exemplo.