“O maior presente que eu poderia dar a ela”, diz mãe que foi barriga solidária da filha

Nivalda com a filha Gleice e o neto Arthur (Foto: Arquivo pessoal)

Por: Mirella Mentone

Foi em um exame de rotina, quando tinha 16 anos, que Gleice Raupp da Cunha, hoje com 33 anos, descobriu que não tinha útero e que não poderia engravidar. “O médico disse que só haviam duas maneiras de eu ter filhos, adotando ou com uma barriga solidária”, conta.

A catarinense Nivalda Maria Candioto, mãe de Gleice, de 58 anos, que acompanhava a filha no exame e já passou pela mesma situação – quando o médico disse que não poderia ter filhos e, depois de adotar a primeira, teve duas biológicas –, se ofereceu na mesma hora para ser sua barriga solidária. “Foi um gesto de amor, mãe é para essas coisas”, diz Nivalda.

A inseminação artificial, com um óvulo fecundado a partir do material genético da filha e do genro, foi feita em 2014 e, 17 dias depois, a avó, que mora em Criciúma (SC), recebeu a notícia da filha, que vive em Taubaté (SP), de que havia dado certo e que estava grávida. “A Gleice viu o resultado na internet e me ligou. A emoção foi grande”, se recorda Nivalda

A família completa com a vovó Nivalda (Foto: Nando e Laura Fotografia)

Durante os nove meses de gestação do neto Arthur, a avó, que na época tinha 55 anos e engravidou com um intervalo de 28 anos de sua última filha, ganhou 10kg e manteve os cuidados com a saúde e alimentação. “Fizemos todos os exames e foi constatado que eu teria condições de ter a criança.”

Hoje, com dois anos de idade, Arthur vive com a mãe, Gleice, no interior de São Paulo, mas, sempre que pode, Nivalda vai visitar a filha e os dois netos. “Assim como eu, antes de ter o Arthur, a Gleice também adotou uma menina, a Júlia, que vai fazer 7 anos. Estamos a mais de mil quilômetros de distância, mas a cada dois meses eu sempre dou um jeito de ir visitá-los.”
Segundo Nivalda, a relação com o neto é muito forte. “Eu e a minha filha falamos que é o nosso bebê. O Arthur já está falando e quando perguntamos de onde ele veio, ele diz que saiu da barriga da vovó”, conta.

Este Dia das Mães será ainda mais especial para Nivalda. Sua filha mais velha, Daiane, está grávida de uma menina, que deve nascer na data que representa todo esse afeto. “Eu me sinto realizada. Para quem não poderia ter filhos, tenho três meninas lindas, Daiane, Gleice e Laize, e ainda cedi meu útero para meu neto. Foi um milagre, uma coisa que nunca vou esquecer. Se tivesse que fazer, faria tudo de novo”, diz.