'O Método Kominsky' se despede sem perder a alquimia na reta final

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FOLHAPRESS - "O Método Kominsky" está para as séries de TV assim com o filme de 1968 "O Estranho Casal" está para o cinema. Centrado no relacionamento de dois personagens masculinos adultos, tem muitas de suas piadas tiradas do mau humor dos protagonistas e da impaciência que um tem para os problemas do outro.

No filme original, a dupla central era interpretada por Jack Lemmon, então com 43 anos, e Walter Matthau, na época com 48. Na série de TV os dois amigos são bem mais velhos. Michael Douglas, que interpreta Sandy Kominsky, o protagonista, já estava com 74 anos na primeira temporada, que estreou em 2018. Alan Arkin, que vive o seu melhor amigo Norman Newlander, tinha 84.

Nesta minitemporada final, com apenas seis episódios de mais ou menos 25 minutos cada um, o professor de atuação Sandy Kominsky precisa lidar com a perda de seu melhor amigo, o agente de talentos Norman, morto no último capítulo da segunda temporada, apresentada em 2019.

Havia um risco enorme de a série perder toda a alquimia que tinha, completamente embasada no relacionamento entre os dois. Mas eis que uma outra pessoa ocupa o lugar de Norman na vida de Sandy, e a nova dupla é quase tão interessante e cativante quanto a original. A personagem já tinha aparecido antes, é a ex-mulher de Sandy, Roz, interpretada por Kathleen Turner. Mas, até esses últimos episódios, a graça dos diálogos entre Sandy e Roz era o ódio e o rancor que um tinha pelo outro.

Outros personagens secundários também têm mais espaço nesses episódios finais. A filha drogada de Norman, Phoebe, personagem de Lisa Edelstein, e seu neto cientologista Robby, interpretado por Haley Joel Osment, passam a atormentar a vida de Sandy, escolhido por Norman em seu testamento como o responsável pelo seu espólio. Norman era muito mais rico do que todos imaginavam, e, depois de sua morte, sua filha e seu neto tentam todas as manobras que conseguem bolar para botar as mãos no dinheiro.

Mindy, papel de Sarah Baker, a filha de Sandy e Roz, e seu namorado "riponga" e mais velho Martin, interpretado por Paul Reiser, são outros que viram quase protagonistas nos últimos capítulos. Sem dar muitos spoilers, dá para dizer que eles planejam se casar, projeto que faz a mãe ficar muito mais entusiasmada do que o pai.

Entre os alunos de Sandy na sua escola de atuação, em que ele ensina o tal "método Kominsky" que dá nome à série, o sucesso de uma das estudantes mexe com o ego de todos os outros. E, de quebra, traz Morgan Freeman para o elenco -interpretando uma versão dele talvez um pouco mais virulenta do que a real.

Outra participação especial é a de Barry Levinson, diretor de clássicos como "Bom Dia, Vietnã", de 1987, "Rain Man", de 1988 -pelo qual ganhou um Oscar- e "Bugsy", de 1990, entre muitos outros. Mas não dá para contar o que ele faz nesta série sem revelar a maior das surpresas da temporada final.

Criada por Chuck Lorre, o nome por trás dos sucessos "Two and a Half Men" e "The Big Bang Theory", entre outros, "O Método Kominsky" é, desde o princípio, bem ousada em termos de piadas nada politicamente corretas, e no linguajar antiquado de que fazem uso os personagens mais velhos sem a menor cerimônia.

Cenas de sexo que beiram o constrangedor também são frequentes, e não ficam fora desses últimos episódios, além de muitas piadas internas do mundo da TV e do cinema, de que Norman faz parte e com a qual Sandy tem uma relação de amor e ódio.

Mas o tema mais provocador do programa é o jeito cômico e realista com que trata os dramas do envelhecimento, em um produto que tem como cenário as beiradas de Hollywood, uma indústria que notoriamente despreza os idosos. Não que outras não façam isso, mas o meio do entretenimento o faz na cara de todo mundo, não tem como esconder.

Os seis capítulos desta temporada tratam de temas como amizade, luto, perdas e ganhos com humor e sensibilidade e dão, para quem acompanhou a série desde o início, o final que o programa fez por merecer.

O MÉTODO KOMINSKY (3ª TEMPORADA)

Avaliação Muito bom

Onde Netflix

Classificação 16 anos

Elenco Michael Douglas, Alan Arkin, Sarah Baker

Produção EUA, 2021

Criador Chuck Lorre

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