"O Lendário Cão Guerreiro" aposta no bom humor ao abordar questões sociais

Pôster oficial da animação
Pôster oficial da animação "O Lendário Cão Guerreiro". (Foto: Divulgação/Paramount Pictures)

Usando metáforas das brigas de cães e gatos, "O Lendário Cão Guerreiro" discute preconceitos sociais enraizados na sociedade com bom humor e de uma forma que prende a atenção de todos os públicos.

Ao apresentar uma sociedade segregada, a animação acontece em Kakamucho, onde cães são proibidos de entrar. A pequena cidade está prestes a ser dizimada pelo vilão Ika Chu e seu capanga Ohga, para tornar o local "agradável aos olhos". Para não sujar as mãos, ele decide criar um conflito entre os próprios moradores ao enviar Hank para proteger o local. No entanto, além dele ser um cachorro, o protagonista também nunca recebeu o devido treinamento para ser um guerreiro.

Disposto a realizar o grande sonho, Hank convence Jimbo, um antigo samurai aposentado, a treiná-lo enquanto recupera o respeito que tinha dos moradores. A dupla desenvolve uma grande amizade e passa por grandes desafios juntos.

"O Lendário Cão Guerreiro" é um filme ousado em sua linguagem. A história não é inovadora, mas a animação brinca com formato, utiliza referências do estilo noir, quebra a quarta parede, conversa diretamente com o público e arranca boas risadas, tudo isso dentro do limite de 85 minutos, como é mencionado nas cenas.

O roteiro da dupla Ed Stone e Nate Hopper é sagaz. Enquanto conversa com os pequenos sobre diversidade, o texto também conta com discursos similares aos que muitas pessoas devem ter ouvido com uma frequência assustadora nos últimos anos. "Que mundo é esse onde não se pode contar com cidadãos de bem para matar alguém apenas por parecer diferente?", diz o vilão Ika Chu em uma cena.

O projeto deixa claro que o objetivo não é se levar tão a sério, mas tirar gargalhadas do público, agradando as crianças e os adultos. E cumpre muito bem essa missão com um vilão caricato e personagens divertidos, como o mestre Xogum.

Os diretores Rob Minkoff e Mark Koetsier sabem aproveitar bem o tempo e o roteiro, mas se tivessem mais espaço para continuar a história, ainda aproveitariam cada minuto com muita criatividade.