"O Legado de Júpiter": heróis debatem seus problemas na análise

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"O Legado de Júpiter" : chegou o momento dos heróis debaterem seus problemas na análise (Foto: Divulgação)
"O Legado de Júpiter" : chegou o momento dos heróis debaterem seus problemas na análise (Foto: Divulgação)

Depois de uma era de fogos de artifício e libertação das amarras realistas que o cinema e público exigiam, parece que chegou o momento dos heróis debaterem seus problemas na análise. No encalço dos vingadores e icônicos nomes como Batman e Superman, chegam histórias como "The Boys", "Invencível" e agora "O Legado de Júpiter", um trio de roteiros que deixa clara a revisão da importância e responsabilidades destes seres poderosos na cultura pop.

Aqui na coluna já falamos diversas vezes sobre os dois primeiros e esta semana, com a estreia de "Júpiter" na Netflix, podemos atestar que a análise dos protagonistas é baseada nos problemas deles com os próprios pais; muito mais do que com os próprios poderes. Legado é baseado em um HQ de Mark Millar, autor que também altera a perspectiva destes mitos em quadrinhos como Kick Ass. A diferença aqui é que ele usa os maiores símbolos da DC e da Marvel, aliado a uma discussão filosófica do dever daqueles com poder.

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A jornada aqui é liderada por Utópico, que como o nome diz, enxerga heróis e humanos de uma maneira quase irreal. Seus filhos, porém, começam a colocar em questão tais conceitos e, automaticamente, surge o embate de gerações. Uma filha ignora o legado dos poderes, o outro sofre para se encaixar no uniforme que o pai deve o passar - e ao mesmo tempo todos eles precisam combater os vilões que não só matam como destroem qualquer traço de humanidade numa população sedenta por justiça, independente da forma.

O tema não deixa nunca de ser interessante em Legado de Júpiter, assim como em The Boys ou Invencível, mas nunca parece que estamos perto de uma argumentação que mergulhe além da superfície do debate. 

A paródia quase assume forma quando os uniformes aparecem na tela e da boca do Superman falso surgem as palavras de Clark Kent; e mesmo que tente desvirtuar e revisar conceitos bons de se discutir, Legado pouco faz além de incitar estas questões. Tal qual filmes como Demolidor, Hulk de Ang Lee e Superman de Singer, que moldaram o caminho a trancos e barrancos para os Vingadores, este trio de séries esteja no primeiro estágio do revisionismo de gênero e pavimentando o que pode vir a ser uma era interessante de evolução destas jornadas. Por hora, é só um começo mesmo.

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