O poder de um abraço: o impacto da falta de contato na saúde física e mental

A couple of young female adults hugging each other, affectionate partners, Saint Valentine day, LGBTQ
A couple of young female adults hugging each other, affectionate partners, Saint Valentine day, LGBTQ

A partir do dia 17 de maio, é esperado que seja possível voltar a abraçar os amigos e parentes na Inglaterra, pois o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou o relaxamento das restrições para prevenir o coronavírus.

Uma das consequências das regras de distanciamento social é que passamos mais de um ano sem abraçar as pessoas queridas, e esses abraços fizeram muita falta.

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Em entrevista para o Sky News no dia 10 de maio, a subsecretária de estado parlamentar da saúde e assistência social Nadine Dorries explicou que os abraços são "muito importantes para todos".

"Foi disso que as pessoas sentiram mais falta, do contato íntimo com a família e os amigos", disse ela.

No dia 10 de maio o governo britânico anunciou que os abraços estão liberados, seguindo o relaxamento das regras na próxima etapa da saída gradual do lockdown, que deve entrar em vigor a partir de 17 de maio.

Antes do lockdown, os abraços faziam parte do cotidiano e podiam ser considerados uma saudação universal, tanto com as pessoas próximas quanto com novos amigos. Também eram uma forma de confortar as pessoas que precisavam.

Então, ter que ficar sem esse gesto de carinho foi muito difícil e pode ter causado um impacto bem maior do que a simples adaptação a novas formas de cumprimentar as pessoas.

O que acontece com os nossos corpos quando abraçamos as pessoas queridas?

De acordo com a Dra. Elena Touroni, psicóloga consultora, cofundadora e CEO do My Online Therapy, o abraço é uma forma de criar vínculos com as outras pessoas e tem um impacto físico e psicológico muito real.

"Quando abraçamos, nossos corpos liberam oxitocina, o chamado 'hormônio do amor'", explica ela. "A oxitocina liberada quando abraçamos alguém traz benefícios para nossa saúde física e mental".

A Dra. Touroni diz que o hormônio oxitocina neutraliza os hormônios do estresse, como o cortisol. "Então, a liberação desse hormônio nos deixa mais tranquilos, seguros e calmos", ela acrescenta.

Abraçar também pode ter um impacto sobre a probabilidade de adoecer, já que pesquisas revelam uma correlação entre os abraços e a saúde do sistema imunológico.

"As pesquisas analisaram as doenças às quais os humanos ficam mais suscetíveis devido ao estresse e a níveis elevados de cortisol", explica Martin Preston, fundador e diretor da Delamere Health.

"A conclusão foi que as pessoas que abraçam com mais frequência têm menos chances de ficar doentes, e os sintomas de eventuais doenças são atenuados".

Uma pesquisa da Carnegie Mellon University, de Pittsburgh, confirma essas conclusões.

"A pesquisa constatou que os participantes expostos intencionalmente ao vírus do resfriado comum tiveram sintomas menos graves da doença quando expostos a um maior apoio social, com abraços mais frequentes", acrescenta Preston.

A proibição dos abraços também eliminou outros benefícios físicos.

"O contato físico próximo, como abraçar e dar as mãos, pode ajudar a diminuir a pressão arterial, reduzir o risco de doenças cardíacas, ataques cardíacos e derrames", explica Preston.

"Uma pesquisa da Universidade da Carolina do Norte revelou que os abraços realmente reduzem a pressão arterial, um dos principais fatores de risco de desenvolvimento de doenças cardíacas".

O poder de um abraço

Não é de surpreender que, entre as 40.000 pessoas que participaram de uma pesquisa realizada em 2020 pela BBC e a Wellcome Collection em 112 países, as três palavras mais usadas para descrever o contato físico foram: "reconfortante", "quente" e "amor".

As pessoas mantiveram o contato digital durante os lockdowns, mas a falta de contato físico pode ter nos deixado em "crise de abstinência".

"Sem [o contato físico], nos sentimos ainda mais isolados socialmente, solitários ou estressados", acrescenta a Dra. Touroni.

Mesmo no caso de quem não costumava ter muito contato físico, depois de um tempo essa necessidade pode acabar ficando muito forte, o que é descrito por alguns especialistas como "abstinência de contato físico".

Além de contribuir para neutralizar as sensações de estresse e solidão, comuns durante a pandemia de coronavírus, os abraços têm outros benefícios impressionantes, como ajudar a melhorar a autoestima.

"Todo mundo sente insegurança de vez em quando, mas a baixa autoestima pode prejudicar a autoconfiança e o entusiasmo geral", explica Preston.

"O abraço é uma ótima forma de aumentar a autoestima, pois transmite um sentimento de segurança, amor e segurança".

Outros estudos já tinham demonstrado que abraçar pode ajudar a reduzir sentimentos negativos e propiciar um estado mental mais positivo.

"Algumas pesquisas constataram que os participantes que tiveram mais contato físico com seus parceiros apresentaram melhor humor e bem-estar psicológico ao longo do tempo", continua Preston.

Não poder abraçar também afeta nossos relacionamentos.

"O contato físico é importante e pode beneficiar os relacionamentos, pois aumenta a sensação de conexão com a outra pessoa", explica Preston.

Segundo Preston, quando abraçamos nossos amigos e familiares, a sensação de segurança, confiança e pertencimento aumenta, e essas emoções podem ajudar a reforçar os relacionamentos.

"Existem pesquisas que demonstram que, com abraços e toques, os relacionamentos se tornam mais intensos e duradouros", acrescenta.

A volta do abraço

Como tantas coisas na vida, só percebemos que dependíamos tanto do contato humano quando ficamos sem ele. Por isso, as notícias sobre a volta dos abraços foram um grande alívio para muitas pessoas.

Algumas ainda estão reticentes com os abraços depois de ficar tanto tempo sem contato físico, mas outras estão ansiosas para abraçar todo mundo o quanto antes.

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