O guia certo para conhecer pratos preparados por refugiados em São Paulo

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Por Anny Malagolini

A culinária pode ser uma maneira de preencher a lacuna entre culturas, mas para alguns também pode significar recomeço. É com o alimento que refugiados de diversas nacionalidades mantém os laços com a terra que deixaram para trás, na maioria das vezes para fugir da violência e da fome. Na bagagem, trouxeram temperos que caíram no gosto do brasileiro e encontraram no empreendedorismo uma maneira de sobreviver.

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O recebeu 1.086 refugiados até o fim de 2018, segundo os últimos dados divulgados pela Acnur (Agência da Onu para refugiados). Com mais de 9 mil solicitações de entrada, uma grande parcela destas pessoas procura São Paulo, conde vêm surgindo restaurantes de comidas típicas.

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Na Capital paulista, eles compartilham histórias, pratos e receitas com gosto de liberdade, e é possível viver essas experiências em restaurantes, bares e até em casa. Listamos 5 locais para você conhecer.

Al Janiah

Al Janiah. Foto: Reprodução


No bairro tradicionalmente conhecido pelas cantinas italianas, o Bixiga é o endereço do centro cultural, bar e restaurante árabe Al Janiah – em referência a um vilarejo na Cisjordânia, parte do território palestino ocupado por Israel. O dono do restaurante é um palestino-brasileiro, Hasan Zarif.

O local aposta em um cardápio bem tradicional da cozinha palestina, libanesa e síria, como o sanduíche de falafel, feitos com bolinhos fritos de grão-de-bico – R$ 18, e shawarmas – R$ 18, mas também inclui pratos mais inéditos. Um deles é o Fatha, que leva pão árabe picado com tahine, manteiga derretida, castanha-de-caju e uva-passa e um recheio de berinjela – R$ 18.

Palestina libre é o drink da casa, e leva a mistura de araque (bebida típica árabe), cachaça, limão, pimenta-biquinho e zátar verde. O restaurante tem dois andares e três ambientes conotação política nos detalhes, que são ocupados com atividades multiculturais, como apresentações, de música, filosofia, debates, assim como lançamentos de livros.

Serviço
Horário: das 18h às 00h30, de terça a quinta. Sexta e sábado abre às 18h30 e fecha às 2h. Domingo seu funcionamento é das 18h30 às 00h00.
Local: R. Rui Barbosa, 269, Bixiga.
Instagram: @aljaniah_oficial

Projeto Open Taste na Rua

Foto: Reprodução


Forçada a fugir da violência que tomou conta da Síria, Joanna Ibrahim chegou no Brasil em 2015. Quando chegou em São Paulo após viver em outras cidades brasileiras, ela decidiu desenvolver o seu próprio negócio, a start-up Bab Sharki e o projeto Open Taste na Rua, que chama empreendedores refugiados a divulgar sua cultura e seus negócios por meio da gastronomia.


Em cada edição, refugiados são convidados para preparar e vender comidas típicas de seu país em uma ferira gastronômica. A ideia é que, por meio da gastronomia, os estrangeiros possam divulgar seus empreendimentos, comercializar seus produtos e compartilhar sua cultura. A programação é divulgada pelas redes sociais, então fique de olho.

Serviço
Horário e local: variável
Redes sociais: @opentaste.br

Nossa Janela SP

Foto: Reprodução


O jornalista por formação, o venezuelano Carlos Daniel Escalona, 35 anos, pediu refúgio ao Brasil em 2016, e o primeiro emprego no país foi como ajudante de cozinha em um hotel. A partir daí, a culinária começou a fazer parte da sua vida. Em 2017, ao lado da namorada venezuelana, Marifer Vargas, que havia acabado de chegar ao Brasil, fundou o Nossa Janela, empresa de catering para eventos corporativos, além de jantares e festas.

O casal propõe uma comida saudável e efetiva. Os sanduíches, por exemplo, levam ingredientes orgânicos e ganharam nomes de lugares que têm valor sentimental para o eles: Vale do Guanape, Canaima e Margarita. Um dos destaques da cozinha venezuelana são as arepas, pães feitos à base de milho e servidos com variados e generosos recheios são supertradicionais.

Serviço
Contato: nossajanelasp@gmail.com
Redes sociais: @nossajanelasp

Majâz

Foto: Divulgação

A cozinha simples e farta do Majâz é comandada por palestinos e sírios, e apresenta receitas familiares que viajaram um longo caminho até o Brasil.O nome do restaurante em árabe quer dizer ‘travessia’, e espera ser um lugar de boa acolhida e encontros felizes para todos os que passarem por lá.

O cardápio mistura ingredientes para agradar o paladar brasileiro, a exemplo do homus de manjericão e beterraba ou a caipirinha de romã. O menu também abre espaço para opções vegetarianas. Quando o assunto é bebida, o Majaz oferece café árabe com cardamomo e o chá preto e o drink da casa que leva arak (bebida tradicional árabe-palestina), cachaça e zaatar verde – R$ 24.

Serviço
Horário: Terça a quinta, das 18h às 0h. Sexta, das 18h às 2h. Sábado, das 12h30 às 2h. Domingo, das 12h30 às 18h.
Local: Rua Fortunato, 88, Vila Buarque.
Redes Sociais:@majaz1948

Congolinária

Foto: Reprodução


Quer provar pratos da República Democrática do Congo? O Congonália do refugiado congolês Pitchou Luamb apresenta pratos veganos – sem nada de origem animal.

Os nomes dos pratos oferecidos aguçam ainda mais a curiosidade de quem estiver disposto a essa viagem cultural e gastronômica, com sambusas, salgado típico dos países africanos – R$25, nhoque de banana da terra, couve na mwamba (couve refogada na pasta de amendoim) e tangawisi, um suco de gengibre, abacaxi e limão – R$8 – que na versão drink leva cachaça ou vodka -R$ 30.

Pitchou é formado em direito, mas não pode exercer sua profissão no Brasil por questões burocráticas. Apaixonado por gastronomia, no Brasil ele abriu o restaurante com a proposta de ser um espaço para conscientizar sobre refúgio e veganismo, além de apresentar a cultura africana.

Serviço
Horário: das 11h30 às 15h, de terça a domingo
Local:Fatiado Discos, Av. Prof. Alfonso Bovero, 382 – Sumaré.
Redes sociais: @congolinaria

BAB - Espaço Cultural

Foto: Reprodução


Em um misto de bar e espaço cultural no número 124 da Praça Roosevelt, um dos points culturais do Centro de São Paulo, está o Bab. O local abriu as portas em junho de 2018 pelas mãos do casal de palestinos Salim Mhanna e Oula Al-Saghir, refugiados para fugir de guerras na Palestina e na Síria.

O espaço além de oferecer shows e eventos voltados para temas sobre refugiados, é também especialista em servir iguarias árabes. O cardápio do BAB tem petiscos árabes como o Falafel – R$ 32), e pastas de homus e babaghanoush, acompanhado de pão árabe - R$ 22.

Serviço
Horário: das 10h às 1h, de terça a domingo
Local:Praça Franklin Roosevelt, 124, Centro,
Redes sociais: @bab.bar