O Dilema das Redes é necessário, doloroso e verdadeiramente apocalíptico

Thiago Romariz
·3 minuto de leitura
Foto: Divulgação / Netflix
Foto: Divulgação / Netflix

Volta e meia um novo documentário da Netflix leva aos Trending Topics um assunto que vira discussão de família. A rapidez com que consegue produzir e atender a demanda da audiência está entre as grandes virtudes do serviço, que agora explora o poder que as redes sociais terão no futuro da nossa sociedade e como elas estão aos poucos destruindo qualquer possibilidade de sobrevivência do cenário atual.

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Esse cenário apocalíptico está em O Dilema das Redes, filme que deixa ex-funcionários de gigantes da tecnologia falarem sobre os males que são instaurados dentro das nossas casas por Facebook, Instagram, Twitter, YouTube e muitos outros.

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O longa opta por entrevistar uma série de profissionais desiludidos com o uso da tecnologia para o lucro ininterrupto e característico do mercado atual. Ninguém consegue entender o motivo que leva alguém a nunca parar de ganhar dinheiro, de inventar novos sistemas para prender atenção das pessoas e, consequentemente, moldar culturas, países e o mundo.

Todos estão perdidos entre o que foi, o que está e o que deve ser feito. Ninguém tem resposta para o futuro, apenas o temor de que se continuarmos dando tantos dados e dinheiro a estas empresas, a vida na Terra não terá muito tempo. Não como a conhecemos hoje.

E é surreal imaginar que tudo que eles falam faz sentido – até mesmo a incerteza do que fazer. Fato é que as profundas discussões que Dilema traz não são abordadas com a intensidade ou mesmo reflexão necessária. Os problemas trazidos são os mais simples e próximos da nossa rotina. A saúde mental debilitada, a disfunção em relacionamentos, a polarização de opiniões.

O documentário inteiro trata essas questões como a Rede Globo trataria as redes sociais caso ela se desse ao 'luxo' de abraçar esse mundo na televisão. Mas como o didatismo e a narrativa do filme mostra, esse papel hoje é da Netflix, que tem nesses documentários a sua versão moderna do que um dia foi o Fantástico ou o Globo Repórter.

Por isso que, mesmo tendo uma dramatização medíocre, uma superficialidade quase nociva na abordagem e um esquecimento proposital de certas empresas (afinal, o que a Netflix faz senão lutar pela atenção dos espectadores?), O Dilema das Redes é tão importante. É a reportagem que poderá acender uma fagulha de consciência em quem acredita nas fake news do WhatsApp, ou confrontar os pais que deixam filhos navegarem na internet sem controle.

É o filme que faz doer na consciência de quem trabalha com redes sociais, e também o que evidenciará o vício que grande parte da população hoje carrega sem entender que é, sim, um vício tão nocivo quanto uma droga ilícita. E como qualquer viciado, o primeiro passo é admitir e falar sobre aquilo. Se o documentário fizer isso por alguns, já terá cumprido um bom papel.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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