O dia em que eu assisti a 'Vingadores: Ultimato' com os Vingadores

Thiago Romariz
·5 minuto de leitura
Chris Hemsworth (Thor) na premiere mundial de 'Vingadores: Ultimato', 22 de abril de 2019. Foto: Chris Pizzello/Invision/AP
Chris Hemsworth (Thor) na premiere mundial de 'Vingadores: Ultimato', 22 de abril de 2019. Foto: Chris Pizzello/Invision/AP

Por Thiago Romariz* — As estreias em Hollywood, diferentemente do Brasil, acontecem à tarde. O sol da Califórnia, porém, não me intimidou, vesti meu terno e gravata. Não era minha primeira premiere, mas certamente seria a mais importante daquele ano e uma das mais importantes da minha carreira.

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Como não podia ser diferente, a Disney mudou o padrão e mandou todos os convidados não para a tradicional calçada da fama, mas sim para o Centro de Convenções de Los Angeles. A estreia de 'Vingadores: Ultimato' demandava algo grandioso e uma sala de cinema comum não bastava. Fizeram um auditório com mais de duas mil cadeiras que receberam este escriba que vos fala, além de vários outros jornalistas, produtores, convidados especiais e todos os heróis da Marvel na última década.

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Cheguei pela porta dos fundos, junto com meus parceiros de imprensa e dei de cara com o enorme logo do filme. Nada de tapete ou decoração vermelha, marca registrada da Marvel. Tudo estava roxo como a pele de Thanos. Chão, paredes, crachás, cadeiras. As artes espalhadas pelo gigantesco átrio não traziam surpresa, tudo seguia o padrão simples e bem básico do marketing da Disney com o intuito de não estragar a surpresa que viria a seguir.

Antes de assistir ao filme havia a primeira parte do meu trabalho naquele dia: entrevistar a equipe que realizou o filme. Atores, diretores, produtores e quem mais eu conseguisse fisgar no meio do tapete roxo.

Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal

Preciso confessar e jogar a modéstia de lado com um fato: não seria a minha primeira vez com os Vingadores. Cerca de dois anos antes eu fui até Atlanta e visitei o set dos dois últimos filmes da equipe - uma história que contei no Omelete e certamente será tema de outra coluna aqui. Ainda assim, dentro do terno preto eu suava como se fosse meu primeiro dia na redação.

O êxtase de uma entrevista, de uma apuração, me acompanha até hoje e não podia ser diferente naquele dia. A assessoria liberou a entrada da equipe e uma avalanche de entrevistas veio, todas elas devidamente registradas em vídeo. O papo com Kevin Feige me marcou. Em menos de cinco minutos, algumas trivialidades e uma pergunta que pensei ser um exagero à época: como é realizar o maior filme de todos os tempos?

Assustado, o mago da Marvel me olhou com um ar de "sério que você perguntou isso?". Nem ele acreditava, mas um ano depois podemos dizer não só que 'Vingadores: Ultimato' possui a maior bilheteria da história do cinema, como será detentor deste marco por alguns bons anos.

Mais importante que o feito é quão único foi o filme em si, desde a ocasião montada para o lançamento, a pré-campanha de marketing econômica em imagens e vídeos, até a construção da produção. Ultimato não é um filme comum. Na verdade, digo sempre que sequer é um filme, e sim um evento global como nenhum outro longa-metragem.

E ao dizer isso não me proponho a discutir a qualidade do filme em si, mas as particularidades de seu roteiro, referências e construção de jornada. Ao longo da primeira década do Marvel Studios, os filmes foram parte da narrativa que se compôs por uma extensa linha de conteúdos na internet, propagandas, teorias de fãs e, por fim, um clímax desenhado de forma quase experimental dentro dos roteiros.

'Vingadores: Ultimato' é muito mais que um filme, ele é a representação da comunicação efetiva entre aficionados de longa data e os novos admiradores. É a comunicação em massa que possui no cinema seu ápice, mas entende o comportamento de gerações e gerações abraçadas por canais on e offline. Sempre pautadas pelo mais importante dos elementos de uma jornada: a história do herói, no caso, o fã daqueles personagens.

Mas convenhamos, não é como se imaginássemos a grandeza disso tudo antes de assistir ao filme. O estrondoso sucesso (e qualidade) de 'Guerra Infinita' inclusive afastava essa possibilidade. Passadas as entrevistas, o nervosismo foi a outro patamar quando me vi sentado no auditório ao lado do mesmo Kevin Feige, do Yondu, de T'Challa e Tony Stark. Ainda soa meio surreal.

O apagar das luzes me levou para outro mundo e por quase três horas entrei na aventura dos Vingadores contra Thanos e testemunhei em primeira mão a emoção genuína dos que estavam vendo pela primeira vez o que - olha só - seria mesmo o maior filme de todos os tempos. E ainda hoje, um ano depois, possui a mesma força, falhas e importância para o mundo do cinema que tinha naquele 22 de abril de 2019.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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