O cinema não volta em 2021. É hora de seguir em frente

Thiago Romariz
·3 minuto de leitura
Foto: Getty Images
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Era mais do que esperado, mas talvez a chegada da vacina tenha ludibriado os mais otimistas. O cinema não vai voltar em 2021, que será um ano com o mesmo contexto e praticamente os mesmo números de 2020 - o pior ano da história do cinema. É cedo para dizer isso? Não, se levarmos em conta a mais nova leva de adiamentos dos grandes estúdios, que praticamente esvaziaram os cinemas no primeiro semestre. De fato, o cinema respira por aparelhos.

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Esta semana, estúdios como Sony, Universal e até a Disney, ainda que via Fox, adiaram grandes lançamentos que poderiam reabrir as salas de cinema. 'Morbius' e 'Uncharted', blockbusters da Sony previstos para 2021, agora têm data só em 2022. O esperado '007 - Um Novo Dia para Morrer' sofreu o terceiro adiamento e só chega em outubro de 2021, enquanto o reboot de 'Caça-Fantasmas' vem no finalzinho do ano - ambos com quase um ano de atraso. É só o começo: não vai demorar para Disney se mexer com outros lançamentos como 'Viúva Negra', ou a Universal mover o novo 'Velozes e Furiosos'.

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Essa notícia, ou início dela, vem no embalo do anúncio histórico da Netflix, que prometeu um filme de grande orçamento por semana em 2021. O trailer, que você pode ver aqui, mostra que não existe modéstia da parte do serviço de streaming ao assumir o compromisso de ser a opção preferencial de entretenimento da era moderna.

Os maiores nomes do setor estão lá, os maiores temas, a melhor tecnologia e — mais importante — os mais valiosos dados e previsões sobre o futuro do mercado. Enquanto gigantes de Hollywood se esforçam para entender como trabalhar sob os protocolos da pandemia, a Netflix acelera o crescimento de suas produções em escala global e toma o protagonismo que um dia foi dos cinemas.

A questão aqui talvez não seja nem mais discutir se a Netflix é o novo cinema, pois há anos o público já demonstrou a preferência pelo serviço de streaming aos caríssimos ingressos. A pandemia só acelerou uma tendência, muito bem desenhada pela Warner Media, aliás, que ousou em jogar todos os filmes direto em streaming e no cinema, mesmo com a indústria inteira os chamando de loucos. O curto espaço de tempo já provou que eles estavam certos.

A discussão daqui pra frente parece mais enveredar para o fato de a Netflix poder ou não substituir o que conhecemos como televisão hoje em dia. A TV aberta, para ser mais específico. Culturalmente, essa transformação já começou. Resta saber se o mercado vai abraçar isso também. Fato é que o cinema é pouco para o streaming, isso 2020 revelou e 2021 está aí para não deixar mais dúvidas.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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