O Carnaval virtual já começou: blocos e escolas de samba se preparam para 2021

Lucas Pasin
·4 minuto de leitura
Selminha Sorriso ensaia de máscara e transmite por live (Foto: Reprodução/Instagram @selminhasorriso)
Selminha Sorriso ensaia de máscara e transmite por live (Foto: Reprodução/Instagram @selminhasorriso)

O Carnaval de 2021 ainda é muito incerto nas principais capitais do país por conta da pandemia de Covid-19. Enquanto em Salvador, a festa está sem data definida, São Paulo e Rio de Janeiro se preparam para os desfiles em julho. Porém, para os foliões que vivem essa energia o ano todo, o ‘carnaval online’ já começou. Diversos blocos estão se reunindo com seus integrantes de forma virtual, ensaiando, e tentando manter a ‘chama acesa’ da festa mais popular do Brasil.

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No Rio de Janeiro, por exemplo, o tradicional Tambores de Olokun, bloco que desfila no Aterro do Flamengo, com um grupo percussivo e dança com inspiração no candomblé e do maracatu, apostou no ambiente digital. Eles realizaram, durante a pandemia, encontros quase que diários, com turmas separadas, ensaiando danças e percussão.

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"O ponta pé inicial foi dado pelas próprias alunas e alunos, que insistiram para que trouxéssemos as oficinas para o ambiente online. E, com todos os desafios que é dar aula remotamente, deu certo", conta Tatiana Paz, representante do bloco. Ela ainda explica: "Somos uma equipe de duas professoras de dança e uma percussionista: Juliana Sotero, que é a coordenadora da dança no Olokun, dá aula na casa dela, eu dou aula da minha, e, Maria Cândida, que toca também de sua casa. Eu e Ju damos as aulas em dupla. Enquanto uma propõe o movimento, a outra acompanha os alunos na tela, observando o que está sendo feito e ajustando quando necessário".

Ensaio online do Tambores de Olokun (Foto: Arquivo Pessoal)
Ensaio online do Tambores de Olokun (Foto: Arquivo Pessoal)

O mesmo acontece com blocos de São Paulo, como Obscênicas, Bangalafumenga e Unidos do Swing, entre outros. Eles encontraram no ambiente digital uma forma não só de manter a música ‘no sangue’ de seus integrantes, mas também uma oportunidade de colocar a saúde mental em dia e realizar uma espécie de terapia em grupo.

"Brincamos que a oficina do Banga é a nossa terapia de tarja colorida, para fugirmos dos tarjas pretas. Tivemos a ideia de fazer nossas oficinas online pela necessidade de nos mantermos vivos", destaca César Paci, diretor de Alegria do Bangalafumenga. O bloco se encontra toda terça-feira. Inicialmente fizeram somente reuniões online, mas em outubro começaram a tentar uma reunião também presencial, seguindo todos os protocolos de segurança.

A porta-bandeira tá on também!

Já tem porta-bandeira preparada para o Carnaval online também. Selminha Sorriso, uma das figuras mais marcantes da Beija-Flor, com 32 anos de avenida, também teve que recorrer ao ambiente digital para seguir preparando seu próximo desfile. Ela conta que não conseguiu realizar ensaios totalmente online, por conta da necessidade de contato com seu parceiro – o meste-sala Claudinho – mas que utilizou do ‘mundo virtual’ para preparar sua coreografia e para transmitir seus ensaios para a comunidade.

"O importante é se adaptar ao momento, de forma online. O que não podemos é deixar de manter o samba vivo e de levar cultura. Ensaiei de forma presencial, mas divulgamos nas nossas redes sociais para que todos pudessem assistir. Também traçamos toda a nossa linha de coreografia por reuniões virtuais. É o jeito de fazer nosso Carnaval acontecer", ressalta Selminha, que destaca: "Vale muito a pena ensaiar, mesmo que de máscara, sem público, como uma prova de resistência. Dançar sem o calor humano não é fácil."

'Nossos encontros virtuais nos ajudam a manter a esperança'

Para todos que já iniciaram seu Carnaval de 2021, a esperança é a mesma: poder colocar o bloco na rua. Lara Lima, fundadora do bloco Obscênicas e Maíra Blasi, co-fundadora, destacam o poder que os encontros virtuais promovem enquanto a vacina para o coronavírus ainda não foi distribuída.

"As nossas integrantes que vivem de música, e também algumas que trabalham em outras áreas, passaram por situações muito difíceis durante esse período e manter o contato e o apoio dentro do grupo foi essencial. Em alguns dias o ensaio se transformou em sessão de terapia e o auxílio do grupo foi o único que algumas tiveram", confidencia Lara.

Encontro virtual do bloco Obscênicas (Foto: Arquivo Pessoal)
Encontro virtual do bloco Obscênicas (Foto: Arquivo Pessoal)

Maíra completa: "Percebo que, além de manter o carnaval vivo, esses encontros têm o poder de nos manter conectadas durante esse período tão sombrio que estamos vivendo. Retomar os ensaios é alimentar a nossa identidade como artista e também manter a energia do carnaval ativa dentro do nosso coração".

O pensamento das duas é também compartilhado por Matheus Cassimiro, trompetista e arranjador do Unidos do Swing. Foi do 'desânimo' da pandemia, que ele e o bloco se uniram para as reuniões virtuais: "Estes encontros online tem oxigenado as idéias, nos incentivado e lembrado, que por mais difícil que esteja a situação no momento, por mais forças que insistam em ameaçar nossa existência, estaremos prontos para quando isso tudo passar e possamos novamente ocupar as ruas com música, dança, arte e alegria, celebrando a vida, existindo e resistindo".