'O ódio é democrático', diz Zélia Duncan sobre ataque homofóbico contra youtuber pró-Bolsonaro

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, BRASIL, 21.11.2017 - A cantora Zélia Duncan durante abertura das exposições “Pisa na Paúra”, de Lenora de Barros, e “Na Arte Interessa o que Não”, de Décio Pignatari, na Galeria Millan. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a atriz Bruna Linzmeyer, 27, a cantora Zélia Duncan, 55, também usou suas redes sociais nesta quarta-feira (18) para lamentar o ataque homofóbico sofrido pela youtuber Karol Eller, no último domingo (15), no Rio de Janeiro. "O ódio é democrático. Ele quer odiar direita e esquerda, pra cima e pra baixo, pra frente e pra trás."

Duncan comentou o caso em um vídeo postado em sua conta no Instagram, onde criticou a posição política de Karol Eller, que é lésbica e apoiadora do governo de Jair Bolsonaro. Apesar disso, ela salientou que a violência que a youtuber sofreu é absurda e que ninguém merece ser agredido. 

"Eu nunca tinha ido ver o que ela [Karol] faz nas redes, mas pelo pouco que vi é muito tolo o posicionamento dela, como uma mulher lésbica, como ela mesma se coloca, menosprezando a comunidade LGBT. Ela não sabe disso, mas entre a gente a gente se entende, se protege, conversa, encontra cúmplices", afirmou a cantora. 

Karol foi agredida por um homem, que a teria abordado quando estava em um quiosque na praia da Barra da Tijuca. Segundo o colunista Leo Dias, do UOL, o agressor a atacou com socos e pontapés, deixando o rosto da youtuber desfigurado. Em seu perfil no Instagram, Eller disse apenas quem está "sem condições" de falar. 

Para Duncan, foi uma agressão "altamente previsível". "Por que o Brasil é campeão em violência contra as minorias, campeão em assassinato das trans, violência contra os gays, campeão em feminicídio. Nós sabemos que nosso povo indígena está sofrendo um assassinato sistemático, uma coisa que tem cada vez mais cara de genocídio." 

A cantora afirmou que, apesar de lamentável, espera que sirva de exemplo. "A violência contra os homossexuais no Brasil é velha, ela existiu em todos os governos, mas em 55 anos eu nunca soube de um presidente que fosse pra TV dizer as coisas que foram ditas, e nós sentimos os efeitos. Fomos agredidos, tivemos amigos agredidos fisicamente, verbalmente, pela internet ou ao vivo. Então não menosprezem a luta ou a dor das pessoas."

A atriz Bruna Linzmeyer já tinha usado sua conta no Twitter para enviar sua solidariedade a Karol Eller. Já o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) classificou o ocorrido como "inaceitável". "Repudio a violência, não importam quais sejam as convicções políticas da vítima. Me solidarizo com Karol e com a comunidade LGBT, alvo de discursos de ódio que alimentam a barbárie."

Um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também deixou uma mensagem. "Deixo aqui minha solidariedade a Karol Eller. As fotos são bizarras! Lésbica e apoiadora do Presidente Bolsonaro, ela já superou muitas situações difíceis, oro pra que logo se recupere. Pela direita, o agressor teria pesada prisão. Será que a esquerda apoia tal medida?"