Novo coronavírus pode 'voltar em ondas' a cada ano, diz Dimas Covas

Medidas de isolamento social seguirão sendo tomadas, segundo as autoridades de Saúde paulista, enquanto não houver vacina contra a Covid-19. (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

Sem perspectiva de criação de uma vacina nos próximos meses e longe da atingir a chamada “imunidade de rebanho” na população brasileira, a ameaça do novo coronavírus ainda seguirá em meio à sociedade por alguns anos, inclusive voltando em “ondas” periódicas.

Essa avaliação foi feita pelo diretor do Controle de Doenças de São Paulo, Paulo Menezes, e pelo coordenador do Comitê de Combate ao Novo Coronavírus, Dimas Covas, durante a coletiva de imprensa do governo de São Paulo, na quinta-feira (14), no Palácio dos Bandeirantes.

Leia também

Covas aposta na chegada de uma vacina somente a partir do 2º semestre do ano que vem, e afirma que estamos diante de uma epidemia nunca antes presenciada. Segundo ele, até agora os pesquisadores não sabem dizer se quem já pegou a Covid-19 está imune a ser infectado novamente.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

“Tudo o que sabíamos sobre as epidemias anteriores foi desafiado por essa nova. Uma das questões é se a imunidade é permanente ou não, e os primeiros indícios mostram que não. Se não tem essa proteção de longo prazo significa que o vírus vai circular até termos uma vacina, e vacinação em massa. Sinceramente, eu pessoalmente não acredito que teremos uma vacina antes do segundo semestre do ano que vem. E eu não tenho dúvidas que esse novo coronavírus poderá voltar em ondas, anualmente”

A respeito da imunidade de rebanho - quando uma grande parcela da população já foi infectada e desenvolveu anticorpos contra o vírus -, Menezes afirma que estamos distantes de sequer “chegar perto” de qualquer porcentagem aceitável.

“Muito se fala em atingir a imunidade de rebanho na população, e 70% (dos habitantes que já têm os anticorpos) é um número que muitos modelos sugerem. Mas estamos longe de chegar perto desse número no Brasil. Sabemos que na população dos profissionais de saúde, que no momento são os que mais se expõem ao vírus, essa imunidade é de 10% somente. Na população total brasileira, estimam que somente 1,5% já foi infectada. No momento, vamos ter que conviver com a circulação do vírus por muito tempo, pelo menos até obtermos essa proteção em massa”.

A prática da imunidade de rebanho é alvo de crítica pela OMS (Organização Mundial de Saúde), uma vez que isso exige que a circulação normal das pessoas, contrariando a ideia do isolamento social pregado pela entidade.