Autora de “Nos Tempos do Imperador” reconhece cena de racismo reverso: “Foi péssimo”

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Jorge/Samuel (Michel Gomes) e Pilar (Gabriela Medvedovski) em cena de
Jorge/Samuel (Michel Gomes) e Pilar (Gabriela Medvedovski) em cena de "Nos Tempos do Imperador" (Foto: Reprodução / TV Globo)

Nos Tempos do Imperador” tem garantido boas discussões nas redes socais e uma delas doeu mais nos cerca de 109 milhões de brasileiros que se declaram pretos ou pardos. Em uma cena, um diálogo de 1980 sugeria racismo reverso, algo que não existe.

“Só porque você é branca não pode morar na Pequena África? Como queremos ter os mesmos direitos se fazemos com os brancos as mesmas coisas que eles fazem com a gente?", questiona o Jorge/Samuel (Michel Gomes) para a namorada, Pilar (Gabriela Medvedovski) durante uma cena.

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Escrita por Thereza Falcão e Alessandro Marson, com colaboração de Júlio Fischer, Duba Elia, Lalo Homrich, Mônica Sanches e Wendell Bendelack, o texto sugere racismo reverso, que aconteceria quando uma pessoa branca sofre o mesmo preconceito e discriminação que uma pessoa negra.

O fato se torna mais surpreendente porque o diálogo se dá na década de 1880, quando o mais de 12 milhões de pessoas negras haviam sido sequestradas e traficadas para o Brasil durante 300 anos. Na sequência da cena, Pilar reconhece que por conta de ser branca e ter privilégios sociais, não caberia que ela morasse no quilombo.

À época o movimento abolicionista crescia exponencialmente no país e a Pequena África era um reduto de negros forros que lutavam para serem vistos socialmente já que eram constantemente diminuídos, presos e impedidos de trabalhar e buscar sustento. Muitos eram novamente sequestrados e vendidos.

Thereza Falcão, usou as redes sociais para comentar o tema, em uma publicação do ativista AD Júnior que viralizou. “Foi péssimo. Pedimos muitas desculpas. Eu mesma quando vi a cena aqui em casa, falei: o que foi isso? Todos os capítulos que vão ao ar até o 24 foram escritos em 2018, gravados na ampla maioria em 2019. Na época, não contávamos com uma assessoria especializada, o que só aconteceu no ano passado, com a entrada do Nei Lopes. Hoje assisto a muitas cenas com uma sensação muito longínqua. Mais uma vez pedimos desculpas por cometer um erro grosseiro como este”, escreveu referenciando o pesquisador de cultura afro-brasileira.

A atriz Polly Marinho foi enfática ao pontuar que o patamar de erro da trama está baixo. “Se foi preciso uma assessoria especializada para entender o quanto essa cena está equivocada, tem algo muito errado aí”, ressalta.

Maíra Azevedo, a influenciadora e jornalista Tiamá, se colocou no lugar do ator Michel Gomes. “Li umas três vezes o diálogo e fiquei imaginando quem propôs o texto e a sensação do ator ao ter que falar o que estava no roteiro, e se por um segundo a equipe imaginou o quanto uma cena de alguns segundos pode colaborar para uma ideia equivocada", aponta.

Além dela, artistas como Maria Rita, Fabiula Nascimento, Fabrício Boliveira e outros também mostraram repúdio nos comentários. A colunista Cristina Padiglione ainda trouxe que todos os próximos capítulos da trama, que está completamente gravada, serão revisados para uma reedição.

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