'Malhação', da Globo, debate doutrinação ideológica em sala de aula com jovens

Celso (André Ramiro) sendo gravado durante a aula (reprodução/TV Globo)

Malhação – Vidas Brasileiras’ tem levando discussões polêmicas na trama e começou a discutir um tema que assombrou professores de todo o país: a possibilidade de ser filmado em sala de aula por alunos.

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Em abril deste ano o ministro da educação, Abraham Weintraub, e o presidente Jair Bolsonaro, iniciaram uma campanha pública contra o que eles acreditam ser ‘doutrinação’ em sala de aula. À época o ministro afirmou ao ‘Estadão’ que filmar o professor em sala de aula é “direito do aluno”. As cenas vão ao ar nesta terça-feira (10).

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Na trama da TV Globo a discussão se acalorou quando Marquinhos (André Matarazzo) decide gravar a aula de Celso (André Ramiro). “O cara é maior esquerdista. Você mesmo falou que ele estava falando de Venezuela. Aposto que era para falar bem”, afirma o adolescente com os amigos que rebatem. “Você está viajando. O Celso só estava ensinando a geografia do país”, e Marquinhos insiste. “O cara só fala mal dos brancos, da polícia, do Brasil.A gente deveria é filmar esse Celso fazendo essa doutrinação ideológica dele. Isso sim! É isso. Vou filmar esse cara. Quero ver se ele vai dar das ideias dele em público”, esbraveja.

Já em sala de aula, Celso começa a explicar sobre a guerra do Paraguai, que aconteceu entre 1864 e 1870 no Sul do país. “A guerra do Paraguai foi o maior conflito armado da América do Sul. Brasil, Argentina e Uruguai se uniram em oposição ao ditador Solano Lopes. Mas é claro que muitos interesses econômicos e territoriais estavam em jogo.” Marcos então comenta com uma colega de classe: “Quer ver que ele vai começar a falar mal do nosso exército?”

Marquinhos (André Matarazzo) filmando o professor em aula (reprodução/TV Globo)

“Um dos fatos mais controversos da guerra do Paraguai foi o uso de negros escravizados por parte do próprio exército brasileiro. Posso saber o que está acontecendo?”, questiona Celso ao perceber que está sendo gravado pelo adolescente.

“Estou só registrando a palestrinha idelógica para depois jogar na net, seu professor”, afirma o aluno. “Bom, Marquinhos, deixa eu te explicar uma coisa: o celular é proibido em sala de aula. Além de ser uma regra do colégio é uma lei no estado do Rio de Janeiro, desliga, por favor”, pede o professor.

Marquinhos não para de filmar e questiona se o professor está com medo da repercussão que pode ter. Após mais um pedido para que desligue o telefone, o aluno pontua: “Estou no meu direito de cidadão de gravar essa aula tendenciosa e ideológica. Não tenho que aturar teoria comunista não. Todo mundo vai ficar sabendo que o professor de história da Otto Lara Resende é contra as Forças Armadas do Brasil. Um antipatriota.”

Outros alunos da sala se revoltam contra o colega. “O professor só está passando o conteúdo da matéria. Se você estivesse estudado um pouquinho saberia que tudo isso está no livro”, afirma Camelo (Ronald Sotto). “Então tem que mudar o livro, meu parceiro. Tem que mudar isso aí que também deve ter sido escrito por um esquerdopata qualquer”, volta a esbravejar Marquinhos.

Em outra cena, na sala da coordenadora, Celso conta como a situação foi estressante. “Os alunos não sabem o que estão falando. Acham que ideologia é coisa de um lado só: da esquerda”, comenta Celso. “Não perceberam ainda o teor ideológico desse discurso de repressão e fiscalização de professores”, completa Neide (Quitéria Kelly).

Depois de uma longa conversa, a coordenadora explica ao professor o seu direito em sala de aula. “A diretora disse que a sua aula está protegia pela lei de direito autoral. Suas aulas e o material de apoio não podem ser divulgados ou reproduzidos sem a sua autorização sob pena de processo civil por violação dessa lei.”

Ainda com receio de possíveis represálias, Celso pergunta o que deve fazer se o aluno insistir em filmar as aulas. “Reúna testemunhas e vai à delegacia prestar queixa. A lei de diretrizes base da educação e a própria constituição garantem a liberdade do professor pesquisar e divulgar seu conhecimento”, afirma a coordenadora.