Novamente afundada no caos, Manaus chegou a ter famílias abrindo caixões no ápice da pandemia

Redação Notícias
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No primeiro pico da pandemia, famílias abriam caixões em Manaus para saber se estavam velando ente correto (Yan Boechat/Yahoo Notícias)
No primeiro pico da pandemia, famílias abriam caixões em Manaus para saber se estavam velando ente correto (Yan Boechat/Yahoo Notícias)

Manaus, capital do Amazonas, voltou a ser um dos locais mais críticos no combate à pandemia do coronavírus no Brasil. Com crescente aumento no número de casos nessa segunda onda da covid-19, a cidade encara a lotação de hospitais, vê a falta de condições sanitárias ser escancarada e volta a enfrentar dias complicados.

Informações da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) dão conta que o Amazonas registrou 29 óbitos por covid-19 no sábado (2). De acordo com o órgão, desse total, 18 mortes ocorreram em menos de 24 horas e onze falecimentos foram registrados em dias anteriores, mas confirmados agora. O número de mortes no estado chega a 5.325.

A situação rebate diretamente no sistema hospitalar e funerário da cidade. No ápice da pandemia, em maio, a equipe do Yahoo Notícias flagrou famílias que chegaram a abrir o caixão para se despedir dos entes mortos em enterros coletivos que chocaram o Brasil (assista abaixo). Com o aumento de casos e, consequentemente, de mortes, a situação volta a assustar em enterros.

De acordo com matéria feita pelo portal G1, o Cemitério Nossa Senhora Aparecida, que foi palco dos enterros coletivos em valas no primeiro pico, já tem alta movimentação. A reportagem do site flagrou ao menos seis cortejos no mesmo dia, além de filas de carros nas proximidades.

Leia também

Governo diz não saber de proibição de atividades pela Justiça

O Governo do Estado do Amazonas informou, neste domingo (3), que ainda não foi notificado da decisão da Justiça do Amazonas que determinou a suspensão total das atividades consideradas não-essenciais em todo o estado devido à segunda onda da covid.

Em nota, o governo afirmou que quando for notificado, reunirá os órgãos que compõem o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 para analisar o documento judicial e determinar os procedimentos cabíveis.

Funcionários de hospital batem ponto ao lado de pacientes internados

A superlotação do hospital 28 de Agosto, referência para o tratamento da Covid-19 em Manaus, tem revoltado acompanhantes de pacientes internados nos corredores do centro médico. A atendente Andreia Barros, de 46 anos, acompanha a mãe, que precisa se submeter a uma amputação, e registrou funcionários batendo o ponto ao lado da maca onde a idosa aguarda atendimento.

Em imagens gravadas pela acompanhante e divulgadas pelo portal G1, é possível ver servidores registrando o fim do expediente entre os leitos de pacientes. Em outra imagem, há uma fila de macas com pessoas no corredor de um andar do hospital.