Nova York reduz ritmo por conta do coronavírus

Por Laura BONILLA
Uma mulher com uma máscara protetora sai do Museu Metropolitan de Nova York, em 10 de março de 2020

Nova York, a cidade que nunca dorme, apaga as luzes e reduz suas ofertas culturais para evitar a proliferação do novo coronavírus: os shows da Broadway foram cancelados por um mês e a ópera, o museu Metropolitan e uma grande sala de concertos fecharam suas portas.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, declarou o estado de emergência e revelou que a cidade se aproxima dos 100 casos, podendo chegar a mil na "próxima semana".

De Blasio destacou que fará "todo o possível" para evitar o fechamento das escolas públicas, mas os colégios particulares não reabrirão até o fim das férias de primavera, em abril.

O prefeito esclareceu que não está previsto o fechamento do metrô, mas "todos os cenários potenciais" são analisados.

O estado de Nova York proibiu eventos que reúnam mais de 500 pessoas, incluindo os teatros da Broadway, anunciou o governador Andrew Cuomo na quinta-feira, chamando as medidas de "dramáticas".

Para eventos com menos de 500 pessoas, o público ficará limitado à metade da capacidade total de cada teatro a partir desta sexta-feira às 17H00, horário local (19H00 de Brasília), disse Cuomo em entrevista coletiva.

"Estamos tomando medidas dramáticas (...) para reduzir o número de pessoas em um ambiente contagioso: não haverá eventos com mais de 500 pessoas" a partir desta sexta-feira, incluindo musicais e peças da mais famosa área de teatros do mundo, anunciou o governador.

Apenas as escolas, hospitais, asilos e instalações de transporte público do estado são excluídas, disse.

"Os teatros da Broadway desligarão suas luzes a partir das 17H00 desta sexta-feira, 13 de março, e ficarão fechados até a semana de 13 de abril", confirmou TodayTix, o portal de ingressos do grande distrito teatral de Nova York, que apenas na semana passada registrou uma receita de 26,7 milhões de dólares.

Será a maior paralisação da Broadway desde 2007, quando uma greve de funcionários interrompeu os shows por 19 dias.

"Nossa maior prioridade tem sido e continuará sendo a saúde e o bem-estar dos frequentadores do teatro da Broadway e das milhares de pessoas que trabalham na indústria do teatro todos os dias, incluindo atores, músicos, ajudantes, arrumadores e muitos outros profissionais dedicados", declarou Charlotte St. Martin, presidente da Broadway League.

"Quando as luzes do palco voltarem, daremos as boas-vindas aos fãs de braços abertos", acrescentou.

Na quinta-feira também foi anunciado o primeiro caso na sede das Nações Unidas: uma diplomata filipina que compareceu ao local pela última vez na segunda-feira foi diagnosticada com o novo vírus.

A missão filipina está fechada e os funcionários receberam instruções de isolamento.

- Até novo aviso -

Um pouco antes, o Metropolitan Museum, o maior do mundo, que recebe cerca de sete milhões de visitantes por ano, anunciou que fechará todas as suas instalações a partir desta sexta-feira até novo aviso e fará uma limpeza completa das instalações.

"A prioridade do Met é proteger e apoiar nossa equipe, voluntários e visitantes, e já estamos tomando várias medidas de precaução, com rigorosas rotinas de limpeza e em comunicação com as autoridades", informou o presidente do museu, Daniel Weiss.

Embora o museu não tenha confirmado casos do vírus, "acreditamos que devemos fazer tudo o que pudermos para garantir um ambiente seguro e saudável para a nossa comunidade", acrescentou.

Outros museus como o MoMA ou o Whitney ainda estão abertos.

"Estamos monitorando cuidadosamente a situação", disse uma porta-voz do Museu Whitney de Arte Americana à AFP.

O Metropolitan Opera e o Carnegie Hall informaram que estarão fechados a partir desta quinta-feira até pelo menos 31 de março. "As autoridades de saúde estão pedindo para ficar longe um do outro com maior ênfase, e não é possível continuarmos desempenhando funções, porque isso coloca artistas, funcionários e público em risco", informou o gerente geral do Met Opera, Peter Gelb.

A cidade de Nova York anunciou na quarta-feira, pela primeira vez em mais de 200 anos, o adiamento de sua famosa Parada do Dia de São Patrício, que presta homenagem aos nova-iorquinos nascidos na Irlanda e reúne anualmente cerca de dois milhões de pessoas.

Cancelamentos ou adiamentos de eventos culturais e esportivos estão se multiplicando em todo o mundo devido ao avanço da pandemia.

O Louvre, o museu mais visitado do mundo, fechou em 1º de março porque os funcionários temiam contágio, mas reabriram três dias depois, embora limitando o número de visitantes.