Nova secretária de Cultura, Regina Duarte demite presidente da Funarte

Foto divulgada pela Palácio do Planalto mostra a atriz Regina Duarte ao lado do vice-presidente Hamilton Mourão (D) durante sua posse como secretária de Cultura em Brasíia, 4 de março de 2020

A atriz Regina Duarte, nova secretária de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, demitiu nesta quarta-feira (4) o presidente da Funarte, Dante Mantovani, que havia dito que "o rock leva ao aborto e ao satanismo".

A demissão de Mantovani, designado em dezembro como diretor da Fundação Nacional de Artes (Funarte), foi publicada no Diário Oficial junto com a de outros cinco dirigentes de instituições culturais nacionais.

Em vídeo divulgado no YouTube, Mantovani, que é maestro, afirmou que "o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo".

Mantovani tinha sido indicado ao cargo pelo antecessor de Regina Duarte, Roberto Alvim, que foi demitido após anunciar o lançamento de um prêmio cultural com um discurso aparentemente inspirado em Joseph Goebbels, ministro de Propaganda da Alemanha nazista.

Alvim, assim como os outros dirigentes demitidos por Regina Duarte, são discípulos de Olavo de Carvalho.

Carvalho, que vive nos Estados Unidos, tinha declarado na última terça que a própria Regina Duarte estava no cargo por indicação sua.

"Se a Regina Duarte quer mesmo se livrar de indicados do Olavo de Carvalho, a pessoa principal que ela teria de botar para fora do ministério seria ela mesma", escreveu no Twitter.

E nesta quarta voltou a comentar: "Aplaudir a indicação da Regina Duarte parece ter sido uma cagada minha, mais uma entre tantas. Não sei onde vou arranjar tanto papel higiênico", escreveu, de forma polêmica.

No entanto, Regina Duarte ignorou as ofensas e reafirmou durante a sua cerimônia de posse que Bolsonaro tinha lhe dado autonomia para atuar.

"O convite que me trouxe até aqui falava em porteira fechada e carta branca. Não vou esquecer não, hein presidente? (...) Meu propósito é pacificação e diálogo permanente com o setor cultural, o estado e o município, o parlamento e os órgãos de controle", disse.