Nova série dá nome às vítimas de Samuel Little, o maior serial killer americano

LEONARDO SANCHEZ
·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Samuel Little estuprou e matou ao menos 60 mulheres em 19 estados americanos entre 1970 e 2005. Seus crimes cruéis chamaram a atenção do mundo e o transformaram numa espécie de assassino em série superstar, ao lado de gente como Ted Bundy e Jeffrey Dahmer. Mas a contagem de corpos atribuídos a ele pode ser bem maior --afinal, a Justiça o conseguiu prender por apenas quatro. Foi por isso que a escritora e jornalista Jillian Lauren decidiu desenterrar esses assassinatos, a imensa maioria ocorrida no século passado, e escrever a série documental "Confronting a Serial Killer", que chega agora ao Starzplay. Sua intenção era dar nome às mulheres que morreram nas mãos de Samuel Little, marginalizadas por serem, em grande parte, prostitutas e usuárias de drogas. Nos últimos anos, as autoridades conseguiram ligar 60 crimes a ele, que alega, no entanto, ter sido o autor de mais de 90 homicídios. Mas o americano nascido no estado da Geórgia nem sempre se vangloriou de seus atos. Antes de Lauren aparecer, ele negava veementemente até mesmo os crimes pelos quais foi condenado à prisão perpétua, em 2012. Foi depois de estabelecer uma relação com Samuel Little, visitando o criminoso na cadeia e escrevendo cartas para ele, que a jornalista conseguiu fazer com que abrisse o jogo --o que ele acabou fazendo também para as autoridades. Os números, chocantes, fizeram dele o maior assassino em série da história dos Estados Unidos. É o que diz o próprio FBI, departamento de investigação do governo americano. "Confronting a Serial Killer" disseca a trajetória que o fez chegar ao posto, mas, mais importante, tem como principal interesse destacar suas vítimas quase esquecidas. "Eu tomei a narrativa de Samuel Little para que ela não fosse mais dele", diz Lauren, sobre a elucidação de quem eram aquelas mulheres. "Eu não iniciei esse projeto querendo resolver crime nenhum. Eu queria ser uma testemunha, esquentar essa história e, esperava, alcançar alguém que se interessasse em resolver esses homicídios." A relação da jornalista com Samuel Little começou em 2018. Lauren procurava um assunto para seu próximo livro quando se deparou com a história do assassino em série. Ela preencheu uma requisição para o visitar na cadeia e, quando percebeu, já estava frente a frente com ele. "Muita gente me pergunta se eu usei algum truque jedi para falar com ele, mas a verdade é que eu apenas me aprofundei nas palavras que saíam de sua boca." Samuel Little morreu no dia 30 de dezembro do ano passado, aos 80 anos, numa prisão da Califórnia. Acompanhar o assassino em seus últimos anos de vida, Lauren diz, foi uma tarefa árdua e desgastante. Mas ela estava determinada a seguir com o projeto, que integra uma recente onda de obras documentais e ficcionais que recuperam histórias policiais famosas. Diretor de "Confronting a Serial Killer", Joe Berlinger é especialista no assunto. Ele venceu um Emmy por investigar o Trio de West Memphis --adolescentes condenados e anos depois inocentados pela morte de três meninos num ritual satânico-- em "O Paraíso Perdido" e foi indicado ao Oscar por um outro documentário, que mais uma vez se debruçou sobre o caso. Mais recentemente, ele dirigiu a série "Cena do Crime - Mistério e Morte no Hotel Cecil", que bombou na Netflix, e o drama "Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal", com Zac Efron e Lily Collins. "Eu tento contar histórias que lancem luz sobre algum problema institucionalizado, sobre algo que precisa ser abordado. Eu tenho isso sempre em mente e, quando se está no terreno dos crimes verídicos, é preciso ser responsável ao lidar com a vida das pessoas envolvidas", afirma Berlinger. Muitos dos filmes e séries que ele dirigiu e produziu ao longo da carreira tentam fugir do ponto de vista dos criminosos que estão sendo retratados, como é o caso de "Confronting a Serial Killer". Em "Ted Bundy", por exemplo, ele questionou como a namorada do notório assassino em série foi enganada por tantos anos. Dessa forma, Berlinger diz, ele tenta evitar dar um tom celebratório para pessoas que considera seres humanos terríveis. "É claro que damos voz a eles porque precisamos entender sua natureza horrenda, mas, no caso de 'Confronting a Serial Killer', centramos a série nessas mulheres fortes que querem derrubar o Samuel Little", diz sobre Lauren e Mitzi Roberts, a detetive que investiga a relação do homicida com casos sem solução do passado. * CONFRONTING A SERIAL KILLER Quando: Estreia neste domingo (18), no Starzplay Link para trailer: https://www.youtube.com/watch?v=zENZkjJTwYQ